Luiz Augusto e Ana Carolina Valle são as apostas do Império da Tijuca para o Carnaval de 2016

O Império da Tijuca contará com um novo casal de mestre-sala e porta-bandeira para defender as notas da escola no quesito em 2016. A dupla será formada por Luiz Augusto, recém chegado da Em Cima da Hora, e Ana Carolina Valle, promovida a primeira porta-bandeira depois da saída de Jaçanã. O casal contou, em entrevista ao CARNAVALESCO, que a frequência dos ensaios após a escolha do samba-enredo da escola, que homenageará o ator José Wilker em 2016, não só aumentou como deve se intensificar ainda mais nos próximos meses. 

* OUÇA AQUI O SAMBA PARA 2016

– Estávamos ensaiando duas vezes por semana até a definição do nosso hino, ocorrida em agosto. Já sabendo o samba, passamos a ensaiar quatro vezes por semana e essa frequência deve aumentar ainda mais conforme o Carnaval vai chegando – revelou Luiz Augusto, que além de mestre-sala trabalha na Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro.

A dupla contou como foram dados os primeiros passos em suas carreiras no carnaval. – Eu posso afirmar que não ‘descobri’ que queria ser porta-bandeira porque eu comecei minha carreira graças ao incentivo de outra pessoa. Meu avô era músico e me achava muito graciosa. Um dia, ele pegou uma vassoura, me entregou e me mandou rodar como uma porta-bandeira. Eu comecei fazer o que ele pediu inspirada na Selminha Sorriso, que eu assistia e achava linda. Então meu avô, que era amigo do Manoel Dionísio, me levou pra escola de mestre-sala e porta-bandeira na Sapucaí e foi assim que comecei a minha carreira, com 13 anos de idade – contou Ana Carolina, que é formada em técnica de segurança do trabalho, mas atualmente não exerce a profissão. – No momento, estou me dedicando somente à dança, tanto como porta-bandeira quanto na dança de salão que comecei recentemente, na Academia Jimmy de Oliveira, onde eu sou bolsista.

O início de Luiz Augusto foi ainda mais cedo. Com apenas 8 anos de idade ele já tinha decidido o que queria ser. – Minha mãe era baiana e eu tinha um casal de tios que eram baliza e porta-estandarte (os primórdios dos atuais mestres-sala e portas-bandeiras). Eu, novinho, ficava olhando o meu tio dançar e falava ‘é isso que eu quero ser!’. Acabou que todos os meus irmãos são ritmistas, enquanto só eu tomei esse rumo de continuar os passos do meu tio.

Ana Carolina vê a sua promoção para primeira porta-bandeira como um recomeço de sua carreira. – Já fui primeira porta-bandeira em outras duas oportunidades, na Rocinha, mas vejo a nova etapa aqui no Império dessa forma por uma série de fatores. Eu estou há dois anos sem desfilar defendendo nota, o mestre-sala é outro, a estrutura é muito diferente e minha dança também sofreu mudanças. Então, agora, eu me sinto melhor preparada – afirma.

Eles também comentaram sobre as frequentes mudanças e novidades que têm sido incluídas nas apresentações de mestres-sala e portas-bandeiras. – Acredito que toda novidade que agrega algo pra dança de maneira positiva é sempre bem-vinda. O balé ajuda muito na postura, a dança de salão na agilidade, mas eu não sou muito adepto à coreografias. Defendo mais a dança tradicional do casal, com aquele cortejo famoso – disse Luiz Augusto. – A gente não pode esquecer a essência da dança de um mestre-sala e uma porta-bandeira. Eu acredito que a gente pode conciliar a tradição com coisas que a incrementam sem fazer a dança perder essa essência. Porque se você chega diante do jurado e faz só o ‘feijão com arroz’, ele pode dizer que a apresentação foi simples e faltou ‘algo a mais’, ao mesmo tempo que, se a gente esquece do clássico e faz um monte de coreografia, ele também pode canetar. Então, esse ano, a gente é mais a favor da dança livre na quadra, pra mostrar o entrosamento do casal, enquanto, pra avenida, queremos mostrar mesmo a dança de mestre-sala e porta-bandeira, trazendo algo que inove e agrade ao jurado – completou Ana Carolina Valle. 

Apesar das dificuldades e de afirmarem que não dá pra viver só com o que ganham no carnaval, o casal pensa igual a respeito da recompensa que, para eles, não tem preço. – O acolhimento da comunidade é uma recompensa maravilhosa. O carinho que a gente recebe faz todo o nosso esforço valer a pena – disse Luiz Augusto, enquanto Ana Carolina completou afirmando que os elogios que recebem da comunidade ou do próprio presidente são gratificantes e, para eles, servem para mostrar que estão no caminho certo.

A preparação para 2016 vai além dos ensaios. Os dois têm participado da elaboração de suas fantasias, as quais eles já sabem o que representarão, mas não revelam para fazer surpresa no dia do desfile. – Temos palpitado muito durante a confecção. A gente senta, conversa sobre o que gostaríamos de ter e é muito legal saber que nossa opinião é bem relevante. Acho isso muito positivo visando a nossa performance no desfile oficial – afirmou Luiz Augusto, revelando que a fantasia deve ficar pronta cerca de um mês antes do desfile da escola e que são feitos cerca de quatro ensaios com a vestimenta que vai com eles pra Avenida.

O Império da Tijuca, que trará o enredo “O Tempo Ruge, a Sapucaí é grande e o Império aplaude o Felomenal”, assinado pelo carnavalesco Junior Pernambucano, será a ultima escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, dia 5 de fevereiro.