Luxuosa, Cubango evolui bem no desfile

 

A locomotiva da Cubango entrou na Sapucaí com tudo. Última a se apresentar no Grupo de Acesso de 2012 no carnaval carioca, a escola de Niterói fez um belo desfile. Homenageando Barão de Mauá, a Cubango levou para a avenida o empreendendorismo feito por Irineu Evangelista de Souza para a Avenida com maestria. A leitura fácil do enredo, a evolução correta e, principalmente, as belas alegorias, marcaram a noite da escola. Plasticamente, talvez a escola tenha sido a melhor do sábado. O canto da comunidade também se destacou. A bateria do mestre Jonas, entretanto, acabou não obtendo o resultado desejado, assim como o samba-enredo.

* Clique aqui para ver a galeria de fotos do desfile da Cubango

O desfile começou por volta de cinco horas da manhã, mas isso não tirou a empolgação dos componentes. Os carros alegóricos se destacaram, especialmente o abre-alas e a terceira alegoria, referente ao Banco Internacional. A concepção da escola e abordagem das fases da vida do Barão de Mauá foram muito interessantes. O desfile começou falando da nobreza carioca, da industrialiação no Brasil e, posteriormente, passou a tratar mais especificamente do empreendedor. O Banco Internacional e a revolução da economia foram os setores seguintes, com uma homenagem ao futurismo implantado por ele no último carro, dando um tom inovador ao seu tradicional trem. Este último carro, no entanto, foi o mais apagado.

Muito bem vestida, com carros alegóricos bonitos e uma evolução praticamente impecável, a Cubango se credencia à briga pelos primeiros lugares. Antes do desfile começar, o presidente Pelé pediu que os componentes olhassem para os amigos do lado e falassem: "Nós vamos ser campeões". Será?

* Confira a entrevista com o diretor de carnaval da Cubango

Confira s análise do desfile cabine por cabine:

Cabine 1 – Um desfile sobre Barão de Mauá não poderia começar de outra forma senão com uma locomotiva. A comissão de frente da escola trouxe o trem, marca registrada da história do seu homenageado, aliado à elementos futuristas nas roupas dos seus integrantes. Lanternas nos capacetes e lâmpadas em neon nas roupas deram um brilho diferente e original à comissão. O tripé, em forma de trem, soltava fumaça e papel picado para o público. A comissão foi seguida por Wanderson Orelha e Elaine, casal de mestre-sala e porta-bandeira, que também se apresentaram bem.

Os carros alegóricos passaram muito bem, causando uma boa reação nos espectadores. Diversas pessoas exclamavam: "É a mais bonita da noite", especialmente após o abre-alas.

As alas também passaram corretas, cantando bastante e sem maiores problemas em harmonia e evolução.

A bateria não se apresentou na frente dos jurados e deu um andamento com boa afinação, porém bossas sem criatividade e caixas tocando diversos ritmos diferentes.

* Veja a entrevista com o coreógrafo da comissão de frente da Cubango

Cabine 2 – A comissão de frente dificultou o entendimento da apresenteção. A coreografia rápida e simples atrapalhava na interpretação.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira fizeram uma ótima apresentação na segunda cabine. Uma bonita dança, com vários giros de Elaine e trocas de reverência fizeram o casal parecer bastante entrosado.

A bateria, em apresentação simples, parou diante dos jurados e executou apenas uma bossa, sem realizar paradinhas ou coreografias.

Já na evolução a escola apresentou um bom desempenho. As alas, compactas, não abriram nenhum buraco durante toda a passagem pelo módulo. No entanto, a harmonia deixou a desejar. A primeira metade da escola até cantou bem o samba-enredo da escola, mas a segunda não acompanhou o ritmo e ficou perceptível uma queda na cantoria.

As fantasias coloridas e alegorias, de fácil entendimento, estavam com bom acabamento e não apresentaram nenhum tipo de falha.

Cabine 3 – A comissão de frente gerou expectativa no público principalmente por suas belas fantasias, mas realizou uma coreografia muito simples e breve.

Diferente do ocorrido diante da cabine dois, Wanderson e Elaine não pareciam muito bem entrosados. A porta-bandeira, inclusive, aparentava estar incomodada com a fantasia. No entanto, apesar da falta de sintonia, o casal não cometeu erros na coreografia.

A bateria passou direto pela cabine. Os ritmistas do mestre Jonas, Não pararam para se apresentar e muito menos executou paradinhas, bossas ou coreografias.

* Feliz da vida, Mestre Jonas aprova desfile da Cubango

Quanto às alegorias, todas motorizadas, destaque no luxo e beleza do abre-alas. No entanto, o segundo carro passou com os refletores apagados e apresentava falhas no acabamento em seu lado direito.

Após a segunda alegoria, uma ala das baianas que não cantava o samba atrapalhou na harmonia da escola. Vale observar também que, aos 50 minutos de desfile, quando o último carro atravessou a cabine, os diretores da harmonia pediam para os componentes se apressarem.

Cabine 4 – A escola manteve o retrospecto no fim do desfile. No entanto, uma falha tirou boa parte do brilho da comissão de frente: os efeitos luminosos pararam de funcionar. Nada que prejudicasse a apresentação dos integrantes, porém, um detalhe que diminuiu a beleza da apresentação.

O mestre-sala e a porta-bandeira, novamente, fizeram a coreografia sem errar nenhum detalhe. Os carros seguiram impressionando no final e, as fantasias, idem.

Um final digno para um belo desfile que, sem dúvidas, credencia a Cubango à briga pelo título. Encerrando o desfile com 58 minutos, a Cubango fechou as apresentações do Grupo A em 2012, onde nenhuma escola estourou o tempo de apresentação.

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