Mais fumaça, menos luz no barracão da Portela

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Todo mundo que já trabalhou pelo menos um dia em alguma empresa, em algum órgão público, já teve algum contato com a "Rádio Corredor". Ali se conhecem mentiras e verdades, meias mentiras e meias verdades, quase mentiras e quase verdades. Ali reputações são confirmadas, reafirmadas ou demolidas.

Assim é no carnaval. Os sites carnavalescos dão notícias "quase" até antes de elas acontecerem, as salas de relacionamento são mais rápidas ainda. O advento dos ensaios técnicos criou o ambiente de camaradagem e confraternização para quem trabalha em torno do carnaval e para sambistas de ontem, de hoje e de amanhã.

E é neste clima que surge a "Rádio Sapucaí". Aquilo que é verdade intuída, ou não, sai nos sites. Aquilo que ainda está no estágio anterior
é dito, sussurrado ou insinuado na "Rádio Sapucaí".

Sábado havia uma enorme expectativa em torno do primeiro ensaio técnico da Portela após o incêndio ocorrido semanas antes na Cidade
do Samba.

De alguma forma, por alguma fonte, seja pela própria escola, por testemunhas, pela imprensa escrita, pelos sites e pela Rádio Sapucaí se tomou conhecimento indubitável do que ocorrera à Ilha e à Grande Rio.

Da mesma forma, por nenhuma fonte, seja pela própria escola, por testemunhas, pela imprensa escrita, pelos sites e pela Rádio Sapucaí não se conseguiu tomar conhecimento concreto do que VERDADEIRAMENTE ocorreu no barracão da Portela; nem a dimensão real de suas perdas, nem a magnitude dos danos causados ao carnaval da escola.

No sábado a Rádio Sapucaí esteve impiedosa. Quem é, aí desse lado, que não ouviu pelo menos três vezes que a escola foi a maior beneficiada com o incêndio. E que nem uma única alegoria estava razoavelmente montada, ou "forrada" como diz tia Dodô, e que mesmo assim nenhuma delas fora atingida.

Quem é que ainda não ouviu que uma quantidade enorme de fantasias estava fora do barracão e que a "tal tragédia" não passava de seiscentas fantasias. Que as roupas da bateria, da porta-bandeira estavam salvas.

Quanto de verdade há nisso tudo? Quanto?

É duro para um Portelense orgulhoso – e são tantos e por toda parte – ouvir que não tinha nada pronto, que os carros estavam "no osso", que a exclusão do julgamento foi providencial e que o não rebaixamento foi uma dádiva. Pouca, alguma e muita maldade da "Rádio Corredor" de sábado.

A escola, no entanto, fez sua parte. Ensaiou, cantou e dançou como sempre, como se nenhum incêndio tivesse havido. Bateria 10, Gilsinho
10, Nilo Sergio e a rapaziada 10, Lucia e Rogério muito 10.

Baianas 10, harmonia 10 e samba … hummm!, digamos … quaaase 10, vá lá.

Meu texto desta semana já estava pronto para ser postado, mandei ontem para o editor, juro. Acordei no dia seguinte com meu irmão, ao telefone, querendo saber a verdade após ler a revista de domingo de O Globo.

Levantei, tomei um cafezinho, peguei a revista e li. E só me restou suspender a postagem e mudar o tema de minha crônica semanal.

Todos sabemos que a revista tem um público alvo variadíssimo que acompanha muito, pouco ou nada o carnaval e as escolas de samba. Cada um desses públicos leu, digeriu e assimilou à sua maneira o conteúdo da matéria.

Para o povo do carnaval em geral, e para a nação Portelense em particular, a revista jogou mais cinzas, mais fumaça nessas coisas ditas
aí em cima. Se não jogou mais gasolina, não trouxe nenhuma luz, nenhuma informação esclarecedora quando tratou do incêndio e dos danos causados ao carnaval da escola.

Especificamente naquela questão que mais incomoda, que mais preocupa o Portelense, a matéria chega próximo à desinformação, ou melhor… aumenta a confusão.

Uma confusão já existente desde a segunda-feira do incêndio. Ora a informação de que a escola perdera tudo. Ora de que salvara os carros e perdera as fantasias. Ora de que das fantasias 2800 viraram cinzas, ora que delas, na verdade, somente 600 viraram pó.

Ao saber da reportagem imaginei ver todas estas questões esclarecidas. Ao invés disso, logo na parte inicial, ao invocar a garra da escola, Tia Surica mandou: "Perdemos algumas fantasias. Mas no desfile, vamos cair pra dentro deles (…)". Ainda ali, logo na primeira parte o
texto a matéria informa que " O incêndio da Cidade do Samba, que consumiu duas mil fantasias da agremiação, é mais um capítulo da árdua trajetória dos portelenses".

Fiz uma conta rápida: das 600 fantasias informadas pela "Rádio Sapucaí" para as duas mil informadas pela revista há uma diferença
exatamente 70% . Para o comum dos leitores da revista tal diferença não chega muito a importar, mas para costumeiras vítimas da Rádio
Sapucaí… como dói.

Será que a matéria saiu com erro? Será que alguém se enganou? Será que a Rádio Sapucaí exagerou? Será que a escola está ocultando algo?

Uma pena que o carnavalesco da escola, sobre quem recai o peso da reconstrução, não foi ouvido. Por que a direção da escola não vem a público com seu carnavalesco e esclarece de-fi-ni-ti-va-men-te tanta desinformação, tanta dubiedade.

Tardia, sim, mas ainda saudável, só a informação transparente, límpida, precisa, clara, objetiva poderá evitar que as 'verdades' da Radio
Sapucaí restem como 'verdadeiras' e manchem o livro de nossas histórias… aquele mesmo repleto de tantas conquistas a valer.

e-mail para contatos mais longos: lcciata2@hotmail.com

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