Mangueira começa eletrizante, mas bateria erra e termina ensaio com confusão

Tinha tudo para ser um verdadeiro sacode mangueirense. O Sambódromo estava lotado e a maioria querendo ver uma das principais referências da história do carnaval carioca. Antes do início do segundo técnico, o primeiro e único da Mangueira na Sapucaí para 2012, o presidente Ivo Meirelles pegou o microfone e pediu para os componentes mostrarem que a escola pronta e retribuirem o carinho do povo nas arquibancadas. – Vamos mostrar que a Mangueira é grande favorita ao título – disse Ivo. O ensaio começou e a Avenida "tremeu" com a Verde e Rosa. Do lado do público, o samba-enredo era cantado e na hora do refrão principal explodia o clima de alegria e felicidade. Porém, a alegria durou pouco e terminou com uma discussão séria entre Aílton, mestre de bateria, e um ritmista mangueirense. Para deixar o clima mais pesado, Delegado, uma das figuras mais importantes da Mangueira, passou mal antes do início do ensaio técnico.
 

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– De 0 a 10 dou nota 8 para o ensaio. Fomos bem, temos coisas para melhorar, mas na média foi um bom ensaio. Tenho certeza que o samba vai render ainda mais no desfile e a Mangueira vai levantar a Sapucaí, hoje já tivemos uma mostra disso – disse Jéferson Carlos, diretor de carnaval da Mangueira.
 

* Veja aqui fotos do ensaio técnico da Mangueira

Samba-Enredo
É possível dividir em três momentos a performance do samba-enredo durante o ensaio técnico. Começou vibrante, na boca do povo, dos componentes e cheio de explosão no refrão principal, depois caiu de rendimento em algumas alas no meio da escola e não surtiu o efeito desejado na primeira parte da obra, que não foi cantada com tanta força.
 

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Bateria
Sempre aguardada, a bateria da Mangueira fez uma exibição especial para o público do setor 3, quando os ritmistas tiravam partes das roupas, usou e abusou de paradinhas, foi criativa e empolgou. Foi tudo o que se espera da bateria da Mangueira. Só as falhas nas execuções das bossas, alguns momentos de desencontro com o carro de som e a briga no fim entre o mestre Aílton e um ritmista, que não estavam no roteiro mangueirense. Dentro do recuo os erros aumentaram, que se sucederam em frente ao setor 10, na cabine de julgadores. Esses problemas fizeram com que o clima ficasse tenso e várias discussões ocorreram dentro da bateria. Até em função disso, a atenção dos ritmistas não se manteve a mesma e a bateria embolou. É esfriar a cabeça, ensaiar ainda mais e comprovar no desfile oficial toda categoria da Surdo Um. Renata Santos, rainha de bateria, exibiu sua beleza e samba no pé. Ela comprova a cada dia que é merece o posto de rainha da bateria e verdadeira sambista cativa todo o público.

– A bateria Surdo Um é única e inconfundível. Eu considero esse ensaio muito bom, nós conseguimos fazer e testar tudo o que o queríamos. Hoje nós realizamos 3 bossas e 5 pausas. Agora é colocar algumas coisas no lugar e partir para o desfile oficial. A gente fica tenso, mas no final tudo dá certo – explicou mestre Aílton.
 
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Lindos. Não basta apenas dançar, Raphael e Marcela Alves, também encantam. Com a fantasia de 2011 e cercados de guardiões, a dupla baila com perfeição pela pista. São rodopios, gestos corretos e elegantes e exuberância. – Toda a nossa coreografia de hoje faz parte da oficial. A gente só precisou dar uma reduzida, porque não temos alegorias então o tempo é reduzido e, consequentemente, nossa apresentação também. Viemos para buscar a energia do público. Vamos saber aproveitar essa nova Sapucaí, mas acredito que, mais que qualquer coisa, as vibrações aqui são muito importantes para gente – disse Marcela Alves. – Estávamos ansiosos e preocupados com a reação da comunidade e do público, mas a resposta que a gente teve superou as nossas expectativas – afirmou Raphael.

Comissão de Frente
Acertou ao apresentar coreografia especial para o ensaio técnico. Apesar disso, a simulação da apresentação em frente a cabine de jurados foi bastante rápida.

Harmonia
A Mangueira pode cantar mais. No ensaio deste domingo, algumas alas no meio da escola passaram cantando apenas trechos do samba, o que é inadimissível em se tratando da Verde e Rosa. Além disso, a escola ainda precisa trabalhar a primeira parte do samba, etapa que cai o rendimento do samba no canto dos componentes. O refrão principal tem tudo para ser um dos melhores do Carnaval 2012. É vibrante, chama o povo e no ensaio contagiou todo mundo. No carro de som, os intépretes também podem mais e em outras oportunidades mostraram mais empolgação.

Evolução
A escola não pode confundir ensaiar solta na pista com desorganização. Durante a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a ala da frente avançava toda hora e buracos surgiam na pista. A apresentação da bateria na frente das cabines de jurados é sempre um show, mas a performance não pode comprometer toda a evolução da agremiação. A alegria e o samba no pé foram irregulares. Em algumas alas, a "Mangueira era a Mangueira" com muito samba e emoção. Em outras alas, os integrantes passavam andando pela pista.
 

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