Mangueira dá pontapé inicial na gravação do CD

A gravação do CD do Grupo Especial do Carnaval 2012 começou nesta segunda-feira, na Cidade do Samba. A primeira escola a gravar com a bateria e o coro foi a Estação Primeira de Mangueira, que no próximo carnaval falará sobre o bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Cerca de 80 pessoas no coro, 40 ritmistas, músicos do cd e o intérprete Zé Paulo Sierra participaram das gravações, que contaram com arranjo de Jorge Cardoso e a produção de Laíla e Mario Jorge Bruno.

 

A gravação da faixa mangueirense valorizará a raiz do samba, de acordo com o presidente Ivo Meireles. Ele também aproveitou para explicar as mudanças que fez no samba-enredo de Igor Leal, Lequinho, Junior Fionda e Paulinho Carvalho

– Vamos gravar o samba em duas etapas. Na primeira, fizemos uma roda com pandeiro tantã e repique de mão para valorizar a história da raiz do Fundo de Quintal. Na segunda, entra a bateria. Na primeira parte pretendemos contar com alguns convidados para dar uma conotação diferenciada ao samba. Todo samba-enredo é passível de mudança. Logo depois que o samba ganha, o presidente e o carnavalesco mexem algumas coisas. Adequamos ainda mais a letra ao enredo e, na melodia, procuramos levantar algumas notas, para que o samba não fique muito arreado. Uma coisa é a escola cantando o samba normalmente com tudo microfonado e outra é a  Mangueira, que inventou o paradão, só com as pessoas cantando. O samba já era muito bom, mas acho que melhoramos ainda mais.

Entre as mudanças feitas por Ivo no samba está a inclusão da palavra 'novo', no verso 'novo Palácio do Samba', presente logo no início da obra. A inclusão refere-se ao pedido por uma nova quadra, assunto que o dirigente sempre toca. Vale lembrar que diversas escolas do Grupo Especial e Acesso tiveram suas quadras reformadas pela Prefeitura recentemente ou ganharam terreno para construir uma nova sede, como a Mocidade, por exemplo.

– Não é uma queixa. É uma reivindicação. A Mangueira não quer nada da Prefeitura. Queremos apenas o terreno do IBGE, que já saiu dali tem 15 anos, abandonou o terreno. Não é a Prefeitura e nem ninguém que vai chegar ali e descobrir o que a Mangueira quer, sem ao menos conversar conosco. Não queremos dinheiro da Prefeitura e nem um cineminha ali, queremos o terreno. Se ganharmos, vamos correr atrás de parceiros para fazer uma quadra apropriada. Precisamos de uma quadra para comportar a maior escola de samba desse país – afirmou ele, que fez o pedido no microfone da escola, durante a final de samba-enredo.

Outro fato que chamou a atenção durante a final mangueirense foi a pronta aceitação de todos com a escolha de Ivo Meireles. Cenário bem diferente dos últimos dois anos, quando a escolha dele chegou a ser vaiada, principalmente em 2011. Perguntado se o que aconteceu há dois sábados no Palácio do Samba era reflexo do rendimento dos dois sambas escolhidos por ele na Avenida, Ivo concordou.

– Eu percebi ao longo da disputa que nenhum diretor comprou briga por samba. Todos vinham me falar que fechariam com o samba que eu escolhesse. Isso foi positivo. Em 2010 e 2011, alguns segmentos torceram o nariz e viram depois que o samba rendeu na Avenida. Eu até disse durante a final. As torcidas, quando acaba a final, vão embora. Nós ficamos com o samba. Graças a Deus, hoje, a Mangueira confia na escolha do presidente.

Ao final da gravação, na qual a bateria da Mangueira mostrou mais uma vez a sua qualidade e terminou todo o processo de maneira rápida, mestre Ailton comentou o que foi preparado para a faixa da escola no CD.

– Hoje foi mais uma etapa do nosso trabalho. Acreditamos muito nesse samba e nesse enredo. Tenho certeza que ele nos possibilitará passar mais uma vez muita emoção na Avenida. As bossas estão em fase de teste. Fizemos um trabalho específico para a gravação do cd e agora, a partir daí, teremos mais tempo para elaborar o que fazer no desfile. Estamos pensando em algumas coisas e vamos colocá-las em prática nos nossos ensaios. Se der certo, vamos usar na Avenida.

As gravações prosseguem até o próximo sábado, quando a Beija-Flor de Nilópolis encerra a semana. Já a partir do dia 24 de outubro, em estúdio, os intérpretes oficiais colocam a voz no samba.