Mangueira faz nova proposta estética em desfile candidato ao título

Por Guilherme Ayupp

mangueira_desfile_2018_76-24A Estação Primeira de Mangueira cumpriu a promessa de provocar uma reflexão sobre os rumos do carnaval. A Verde e Rosa foi a sexta escola a desfilar na primeira noite de espetáculo do Grupo Especial. A proposta totalmente transgressora é inédita na história da escola. A apresentação, no entanto, pode ter comprometido as chances de título novamente por conta de erros em evolução. Leandro Vieira fez pesadas críticas ao prefeito do Rio Marcelo Crivella e atendeu a expectativa de criticar o mercantilismo residente no carnaval.

Comissão de Frente

mangueira_desfile_2018_24Foi um dos pontos altos do desfile. Com os temas ‘Roda de samba, a ante-sala do carnaval, ‘repressão’ e ‘A Sapucaí é nossa’ fez uma síntese do enredo verde e rosa: brincar com dinheiro ou sem dinheiro. A apresentação se destacou pela facilidade de leitura da ideia concebida. Em um primeiro momento os integrantes participam de uma roda de samba, são reprimidos, resistem à proibição e pulam a grade para avisar ao público: ‘Deixem nosso povo passar’. As mesas da roda de samba se transformam em grades e os figurinos relembram tipos clássicos das ruas cariocas.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

mangueira_desfile_2018_31Novamente, Matheus Olivério e Squel Jorgea levantaram a Sapucaí com um bailado carregado de tradicionalismo. O entrosamento entre a dupla salta aos olhos. Apresentação correta, empolgante e com doses certas de coreografia em cima da letra do samba. Repetiram a excelente participação do ano passado. A fantasia era belíssima em tons de preto e branco. Eles personificaram o mais popular par romântico do universo carnavalesco. O preto e branco no figurino foi para remeter à antigas fotografias, já que estavam inseridos no setor sobre os carnavais do passado.

Enredo

mangueira_desfile_2018_76-10Leandro Vieira estruturou a história contada pela Mangueira em cinco momentos. Os antigos carnavais serviram para iniciar o enredo na avenida. Neste contexto destacaram-se as fantasias do primeiro casal e da ala ‘Antigos Carnavais’. Na sequência o enredo enalteceu um fator primordial para o carnaval, a brincadeira.

Neste setor o desfile mangueirense citou as brincadeiras que marcaram a história da folia, como o entrudo e o banho de mar à fantasia. As escolas de samba foram inseridas no terceiro setor, com uma mensagem de pedido por volta às raízes.

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O penúltimo setor do desfile abordou a folia de rua, com a marcante presença do Cacique de Ramos e do Bafo da Onça, os eternos rivais. O derradeiro setor trouxe um enorme bloco de sujos e uma alegoria intitulada ‘pouco me importam o brilho e a renda’. A proposta foi bem executada e a mensagem de questionar o status quo da folia foi passada com com clareza. Faltou a critica ao modelo atual do carnaval das escolas de samba e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) que foi prometida no roteiro de desfile da verde e rosa.

Fantasias

mangueira_desfile_2018_56A Mangueira brindou o público com um conjunto de alto nível de qualidade. Em todos os setores podem-se destacar figurinos muito bonitos, após a reunião de materiais que não são muito caros. Uma das alas mais bonitas do desfile foi justamente a primeira, ‘Antigos Carnavais’, que tinha fantasias em diversas cores. A continuidade com o abre-alas deu um efeito impactante na abertura da Mangueira. O terceiro setor não acompanhou o inicial. A fantasia da ala de baianas é um padrão abaixo daquelas recentemente desenhadas por Leandro Vieira. A proposta do último setor foi a de uma reunião de vários tipos de figurinos sem um padrão definido para demonstrar o bloco de sujos. Os materiais empregados eram bastante simples.

Alegorias

mangueira_desfile_2018_76O carnavalesco abusou do bom gosto na construção dos carros que contaram a história do enredo mangueirense. O abre-alas era imponente e concluía o setor sobre os antigos carnavais. Em sua parte traseira sofreu com falhas de iluminação, que acendia e apagava. O bom conjunto continuou com a segunda alegoria ‘Em qualquer botequim faço o meu carnaval’. Ela trouxe pagodeiros consagrados, como integrantes do Grupo Fundo de Quintal de hoje e sempre. A terceira alegoria, entretanto, destoou do conjunto ao usar plotter e acabamento muito simples. ‘Somos a voz do povo’ foi o quarto carro que trouxe uma invasão estética e de invenções dos foliões dos carnavais de rua. O encerramento do desfile da Mangueira veio com o carro ‘Pouco me importam o brilho e a renda’ que sintetizava o enredo e a reafirmação da proposta visual.

mangueira_desfile_2018_76-11Samba-Enredo

A obra mangueirense não deu o tradicional sacode que a escola costuma promover com seus desfiles no Sambódromo. Mesmo assim, o samba funcionou bem com a dupla Ciganerey e Péricles. Foi possível notar uma forte reação dos setores finais da pista de desfiles com a apresentação, principalmente, no refrão principal. Até o público das frisas cantou.

Harmonia

As alas da Mangueira cantaram o samba de maneira bastante satisfatória. A verde e rosa cumpriu o papel que o quesito estabelece, e os componentes cantaram com empolgação toda a composição. Em toda a extensão da escola foram pouquíssimas as pessoas que não cantaram.

mangueira_desfile_2018_47Evolução

Quesito que tirou a Mangueira da rota do título em 2017 e pode comprometer novamente. No aspecto da espontaneidade das alas, os mangueirenses evoluíram bem, mesmo aquelas alas com fantasias mais pesadas. Entretanto, dois buracos foram registrados em dois pontos do desfile. O primeiro deles bem no primeiro módulo de julgamento, quando o casal encerrou sua apresentação. O segundo problema se deu no módulo 3, com um espaçamento entre a comissão de frente e os guardiões do casal.

mangueira_desfile_2018_09Outros Destaques

A rainha Evelyn Bastos causou frisson no público ao optar por um figurino sem nenhum brilho. A bela colou alguns espelhos em um tecido colado ao corpo para passar a mensagem de que sem fantasia dá para brincar desde que haja alegria. A Mangueira levantou o setor 1 com um esquenta com marchinhas antigas. O presidente Chiquinho da Mangueira veio apresentando a comissão de frente da escola para os jurados.

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