Mangueira inaugura série sobre os ensaios do Grupo Especial. Conheça novidades da escola para 2013

O site CARNAVALESCO traz para você, leitor, a partir de hoje, a série 'ENSAIOS DO GRUPO ESPECIAL', com os preparativos das 12 escolas da elite do carnaval carioca. E, para começar, fique por dentro de como funciona o ensaio da Estação Primeira de Mangueira. Domingo à noite, por volta das 21 horas, a principal via do bairro fechada – Rua Visconde de Niterói – e milhares de pessoas vão para rua acompanhar o “desfile” e outros milhares se empenham para fazer o melhor pela escola. Durante duas horas, mais de duas mil pessoas ensaiam. O trio elétrico com os quatro intérpretes e mais o presidente dando todas as explicações do que ele espera formam o ponto de partida para o ensaio. Depois disso, como acontece no Sambódromo, uma queima de fogos no céu deixa o cenário com a cara de desfile. Pronto, agora o trem da Mangueira pede passagem.


* Vídeo: Clique aqui e veja como é o ensaio da Mangueira


Comissão de frente, passistas, baianas, diversas alas e o que pode ser considerado ogrande trunfo da agremiação: as duas baterias surdo Um. Uma à frente do trio e a outra atrás, ainda não se sabe o lugar das duas no desfile, porém, o que pode ser observado é que, novamente, a Mangueira tentará inovar na Marquês de Sapucaí. Durante o ensaio, as duas, em nenhum momento, tocaram juntas, sempre uma de cada vez, alternando durante todas as passagens do samba e de acordo com os sinais dos diretores que mandavam uma parar para a outro iniciar. Um show na Visconde de Niterói. O público delira, porém, só saberemos na Avenida, ou melhor, no ensaio técnico na Passarela já poderemos observar se dará certo.

O diretor de carnaval, Jeferson Carlos, fez questão de explicar como devem funcionar as duas baterias durante o desfile:

– Estamos analisando no ensaio como a escola reage com apenas uma das baterias tocando. Os intérpretes param e fica só a escola. Ano passado, nós criamos um paradão e algumas pessoas entenderam, mas outras não e a escola ficou à deriva. Esse ano, estamos massificando tudo para que todos entendam. No final do ensaio, eu converso com componentes para saber a opinião deles e estamos avaliando o melhor até porque a escola não é feita só por jovens e ainda não definimos durante quanto tempo isso irá ocorrer na Avenida. Como algumas pessoas já falaram, 30 minutos pode ser muita coisa.


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Jeferson explicou ao site CARNAVALESCO todo o funcionamento do ensaio da comunidade. Para o diretor, neste momento, a escola busca a formação ideal para as baterias: – Na verdade, nós estamos ajustando a formação das duas baterias. Estamos estudando vários posicionamentos para ficar bem nivelado para a escola em termos rítmicos. Tínhamos uma ideia e durante os ensaios outras ideias pintaram tudo visando o equilíbrio de canto para a escola não sofrer um susto. O engraçado foi que, no primeiro ensaio, a reação com as duas baterias foi muito positiva. Isso já estava na nossa cabeça, mas os componentes ainda não sabiam como seria. Agora estamos aprimorando e o segundo ensaio já foi muito bom.


* 'Canto da Comunidade': Veja aqui o vídeo do samba da Mangueira para o Carnaval 2013 na voz da comunidade

A Verde e Rosa vai levar um contingente de quatro mil componentes para Avenida, com 2500 fantasias doadas para a comunidade e as outras serão para alas comerciais. Com o carnaval no início de fevereiro é óbvio que o tempo fique mais curto e isso também se reflete na quantidade de ensaios técnicos que cada escola fará no Sambódromo. O diretor lamenta a redução da quantidade de ensaios. Entretanto, ele compreende a necessidade de outras escolas também ensaiarem e sofrerem com isso: – Hoje, para mim, seria necessário uns dois ou três, até para ajustarmos tudo. O ensaio na Visconde de Niterói é muito bom, a comunidade gosta de participar e com organização tudo funciona, mas seria interessante termos mais ensaios. Entendemos que esse ano precisa ser assim, outras escolas precisam ensaiar.


* Vídeo: site CARNAVALESCO mostra como é o ensaio das duas baterias da Mangueira para o Carnaval 2013

Nos tempos atuais, as escolas de samba adotaram as famosas alas coreografadas. Porém, essa inovação não chega a ser uma unanimidade no mundo do samba, e o diretor reitera que o desejo da escola não é colocar pessoas presas e sim irreverentes para desfilar: – A nossa ala coreografada faz um papel diferente, ela não é apenas coreografada e sim irreverente. A gente passa para eles que não tem que ficar robotizados, queremos o componente cantando, sambando e bem à vontade.

Sempre pensando no melhor para a escola, durante os ensaios todos os diretores conversam e tentam encontrar um denominador no que diz respeito ao tempo de apresentação de alguns segmentos para os jurados: – A cada ano a gente vê onde podemos perder tempo e vamos ajustando. Esse ano com as duas baterias. mais o casal e a comissão de frente queremos ajustar para não sair do controle, para que possamos terminar o desfile de forma apoteótica. Não adinta começar lento e depois ter que correr – disse o diretor de carnaval da Mangueira.

INTÉRPRETES
A Mangueira vai levar quatro intérpretes para a Avenida, Luizito, Zé Paulo, Ciganerey e o recém-contratado, Agnaldo Amaral. E para quem acredita que intérprete não precisa ensaiar, Luizito fala a importância de estar junto da comunidade durante os ensaios de domingo: – É fundamental. Ali não ensaio apenas a comunidade, mas sim quase todos os segmentos. Os cantores precisam ensaiar. Cantar junto é uma coisa que tem que ter técnica. Respiração junta, terminação de frases juntas, entonação e por isso precisamos sempre ensaiar.

Já Agnaldo Amaral, em sua estreia na Mangueira, vai um pouco além e explica como será a divisão dos quatro no dia do desfile: – Eu tenho comigo que o intérprete e a bateria se tornam o coração e o pulmão. O intérprete precisa trazer o povo para cantar. Teremos dois carros de som, Luizito e eu em um e no outro é o Ciganerey com o Zé Paulo.

CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
No último carnaval, as caras pintadas de Marcella Alves e Raphael chamaram a atenção de todos no Sambódromo. O casal saindo da bateria foi outro ponto muito falado até mesmo após o desfile. Todo esse risco já era sabido pelo casal e mesmo assim ambos resolveram encarar o desafio: – Eu acredito que foi uma oportunidade que a Mangueira teve e nos proporcionou de tentar mostrar algo diferente no carnaval. A nossa ideia não era causar uma revolução, longe de nós, queríamos apenas entrar e fazer com nossa fantasia e o desfile a história real do enredo. Eu acho que isso a gente conseguiu, não me arrependo e entendo a posição dos jurados, não tiro a razão pelo ponto de vista deles. Eu imaginava que correríamos esse risco e fomos dispostos a correr pela escola. O meu papel no carnaval não é julgar, mas para o próximo carnaval é buscar ter uma interpretação nota 10 para os jurados – revelou Marcella.

Já pensando no próximo ano, Raphael afirmou que o ritmo de ensaios do casal vai aumentar ainda mais com a aproximação do carnaval: – Com certeza o ritmo vai aumentar, o combinado não sai caro. Os ensaios ajudam no condicionamento físico, a gente muda ensaiando diversas vezes, mas por enquanto estamos ensaiando três vezes no particular e mais duas na quadra com a comunidade. Já em dezembro ou janeiro vai aumentar para a semana toda.

MESTRE DE BATERIA
Mestre Ailton, que vai ser o comandante da Surdo Um pelo segundo ano consecutivo, vem ensaiando demasiadamente os ritmistas das duas baterias. O próprio revelou ao CARNAVALESCO como é o trabalho com as duas baterias: – O nosso maior desafio será montar essa nova bateria, que graças a Deus já está bem afiada para esse novo trabalho. A troca de bateria está sendo muito bem ensaiada. Uma começa e a outra para e essa que fica parada fica canta e faz coreografia.

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