Mangueira, teu cenário é uma beleza?

 

 

Abro o jornal e leio que mais uma vez a criminalidade intervém na vida política da Estação Primeira de Mangueira. Bandidos teriam impedido a reunião da comissão eleitoral da escola e imposto um nome para ser referendado em abril, mês previsto para o pleito que indicará o novo presidente da escola. De cara, me vem à cabeça uma questão:  não é decantado em verso e prosa que o Morro da Mangueira, como tantas favelas da Zona Norte, está pacificado? É isso mesmo?


E o outro questionamento: até quando a verde-e-rosa vai ser submetida a esta situação que simplesmente a impede de seguir, em termos de resultado do carnaval, como uma grande escola de samba da cidade?  Ninguém questiona a importância da mangueira para a vida cultural e social do Rio. É um patrimônio vivo, e ponto final. Mas, quando o assunto é carnaval, a impressão é de que a agremiação perdeu o bonde da história. Graças, principalmente, a esta ação covarde de quem não deveria se intrometer numa coisa tão bonita e tão rica.


Está claro que um novo status quo começa a se constituir no entorno do carnaval do Rio de Janeiro. A relação das escolas de samba com grupos ligados a atitudes ilegais ou imorais está em baixa. Começa a ganhar força uma nova política que, necessariamente, impõe um comportamento ainda mais profissional das agremiações e das entidades que as regem.


E estranhamente, diante desta conjuntura, eu vejo que a Mangueira caminha na contramão. Não faço aqui juízo de valor sobre as administrações que passaram pela Mangueira. Houve acertos e erros. A discussão aqui é sobre esta podre interferência de um braço armado que, sem sombra de duvida, atrapalha a vida de qualquer grupo político que esteja à frente dos destinos da Estação Primeira.


Espero, sinceramente, que o fato de esta informação ter ido a público desperte as autoridades para evitar que isso seja levado a cabo. Seria péssimo para a Mangueira, e horrível para todos nós que temos o verde e o rosa como algumas das cores do nosso coração.


 

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