Marcelo Motta: ‘O Salgueiro tem o refrão mais forte e vamos chegar no desfile com o samba estourado’

O site CARNAVALESCO conversou com o compositor Marcelo Motta, um dos autores do samba-enredo do Salgueiro para o Carnaval de 2016. Ao lado dos parceiros Fred Camacho, Guinga, Getúlio Coelho, Ricardo Fernandes e Francisco Aquinho, ele criou o personagem malandro batuqueiro, figura que conquistou o coração do salgueirense. Confira o bate papo completo com Marcelo Motta.

PERSONAGEM DO MALANDRO BATUQUEIRO
Marcelo Motta: "Ele apareceu naturalmente. Fizemos o samba e o refrão foi feito por último e nós tivemos a ideia de trazer de volta o morro do Salgueiro, trazer um pouco mais da comunidade, do morro do Salgueiro. Nós pensamos no malandro, cria do morro do Salgueiro. Ele foi introduzido no samba pois eu vejo que é necessária a preservação de nossa raiz. Parte do apoio foi graças ao malandro batuqueiro, com toda certeza, que virou um personagem querido no imaginário das pessoas".

* OUÇA AQUI O SAMBA DO SALGUEIRO PARA 2016

MUDANÇA NO REFRÃO PRINCIPAL
Marcelo Motta: "Achávamos que para a disputa seria interessante ter o "bate de frente pra ver'. Mas para o desfile, nós gostamos muito da mudança, eu acho que ficou melhor, redondo e sem risco nenhum de perda de ponto. 'Vem pro meu samba pra ver' ficou muito bonito, eu gostei. Leve e não perdeu a força do refrão, né? Continua sendo, na minha opinião, o refrão mais forte do carnaval". 

A DISPUTA DE SAMBA PARA 2016
Marcelo Motta: "A disputou começou com um grande enredo, dele tivemos grandes sambas. Com muito sambas, é claro, que a disputa fica mais acirrada. Tinha que ter mais emoção e foi isso que aconteceu. Foi uma disputa mais tensa, porque a escola tem muitos segmentos e vários sambas bons. Essa tensão acho que é natural, tinha que acontecer mesmo. Foi esperado. E foi mais bonito por causa disso".

HOUVE CONVITE PARA ANTONIO GONZAGA INTEGRAR A PARCERIA ANTES DA DISPUTA DE 2016?
Marcelo Motta: "Isso não existe. É boato. Não convidamos o Antonio Gonzaga para integrar nossa parceria. Eu não escutei falar nada disso até agora. O Gonzaga é um garoto de talento. A gente vê nitidamente que ele tem um traço poético, já é um estilo próprio. É um garoto que vai chegar o ano dele, com certeza, em breve ele vai ganhar um samba. Ele é um garoto muito bom, um compositor de bom caráter, muito humilde, que todo mundo gosta. Em questão de tempo, ele vai ser um campeão também.".

DISCURSO DA PRESIDENTE NA FINAL DE SAMBA
Marcelo Motta: "Quando ela disse que já foi favorável ao nosso samba e cortaram em outros anos, eu acho isso natural. O que eu sei é que a Regina (Celi, presidente), como a disputa é democrática, ela é mais um voto. Então, é natural, que ela tenha o gosto dela, mas que o restante da escola tenha outros gostos. A semana da final foi muito tensa, com muita fofoca, muita intriga, quando deveríamos falar só dos dois grandes sambas. Eu sempre tive confiança nessa conquista, pois tinha a comunidade ao meu lado e também sabia da qualidade do nosso samba. Por tudo que aconteceu ano passado, essa conquista tem um grande valor pra mim". 

* OUÇA AQUI OS SAMBAS DO GRUPO ESPECIAL PARA 2016

VITÓRIA DE 2016 APAGA DERROTA DE 2015?
Marcelo Motta: "Não costumo ligar muito uma coisa a outra. Samba perdido é samba perdido. O que vale é o que vai para avenida. O Salgueiro fez um grande desfile em 2015, tirou 10 em samba e isso que importa. O ano passado passou, é uma pena que nós não conseguimos ganhar o carnaval, batemos na trave, mas esse ano com certeza é do Salgueiro. Recebemos o apoio de amigos compositores, pessoas que eu tenho profundo respeito, mas ser apoiado pelo salgueirense é o que mais me emociona. Os segmentos, a fantástica bateria, a comunidade. Ver toda aquela quadra cantar o nosso samba está entre as maiores emoções da minha vida. Foi a minha mais saborosa vitória e esse é o melhor samba que eu já fiz. Em termos de letra e melodia acho superior a Candaces".

SINOPSE E SAMBA
Marcelo Motta: "Nós temos uma diretoria cultural que é espetacular, genial. Cria uma sinopse maravilhosa que ajuda muito a gente. É claro que uma coisa ou outra a gente encaixa, o compositor é criativo. O malandro batuqueiro está nas coisas que a gente inventa e encaixa no samba, mas acrescentar ao enredo, quase nada, porque é muito completo o que eles passam pra gente".

MODELO DE DISPUTA DE SAMBA
Marcelo Motta: "É um assunto delicado. Os estilos são parecidos em todas as escolas, muitos sambas vão caindo um por um, mas acho que o Salgueiro deu um passo à frente esse ano. Porque toda a mudança deve ser gradativa, nada pode ser mudado bruscamente. E o Salgueiro deu o primeiro passo para que isto seja melhor para os compositores, foi melhor. O gasto foi menor, teve mais emoção, quase que nós morremos com esse negócio. Passo a passo, o Salgueiro deu o primeiro para que as escolas copiem. Acho saudável isso, e até o próprio Salgueiro deve ir melhorando ano após ano esse tipo de disputa".

O QUE FAZER COM O DINHEIRO DA VITÓRIA
Marcelo Motta: "Aí depende muito de cada um. O que é muito pra um, o que é muito para outro. Acontece é que a gente devolve o dinheiro que foi gasto, toda parceria tem os parceiros que ajudam, o dinheiro é devolvido e é dividido o resto para os compositores. Mas se é muito ou pouco depende da pessoa. Pra mim, é muito porque eu não sou rico. Geralmente, eu invisto em alguma coisa. Deixo na poupança. Ou compro algo que estou necessitando. É um dinheiro legal. Ajuda. É recompensador".

POR QUE O SAMBA MERECE NOTA DEZ EM 2016
Marcelo Motta: "Eu acho que é um samba que acima de tudo retrata o enredo perfeitamente. É um enredo maravilhoso. O samba mostra com detalhes esse enredo. É um samba que conquistou toda escola. Até os componentes de outras escolas estão cantando. Está se espalhando muito rápido. É ótimo sinal, eu acho que até o carnaval, isso vai se propagar pelo Rio todo, pelo Brasil. Vamos chegar no carnaval com o samba bem estourado, vai ser legal. O samba possui uma riqueza de letra melódica muito boa e com o refrão, que eu tenho certeza será o mais cantado do carnaval. Não vejo nenhum motivo de perda de ponto. Foi um samba feito com muito carinho. Foi um pouco mais 
demorado de fazer esse samba. Justamente por esse carinho, esse cuidado de lapidação que a gente teve. Foi um acordo da nossa parceria que nós não terminaríamos esse samba enquanto não estivéssemos todos completamente satisfeitos. Um samba feito com mais carinho, mais lentamente. Eu acho que é isso, dedicação total e muita fé que tudo dê certo".