Marquinho Marino, Samir Trindade e Claudio Russo tocam na ferida em debate sobre disputas de samba no stand do CARNAVALESCO na Carnavália

debate_compositorO site CARNAVALESCO promoveu a primeira mesa de debates, em parceria com a Boutique e Bar Sempre Vila, em seu stand na Feira Carnavália-Sambacon, que começou nesta quinta-feira, no Centro de Convenções Sul-América, na Cidade Nova. No primeiro encontro para debater o carnaval desta edição um tema inerente a todo sambista: as disputas de samba e o modelo ideal para o futuro.

Para conversar sobre o tema o chefe de redação do site CARNAVALESCO, Guilherme Ayupp, mediou o encontro com os poetas Claudio Risso, Samir Trindade e Marquinho Marino, que deixou de compor sambas para se dedicar à carreira de dirigente e hoje é diretor de carnaval da Mocidade. Os participantes da mesa tocaram o dedo na ferida nas questões polêmicas que envolvem as disputas e declararam quanto de fato custa um samba-enredo vencedor. Confira abaixo os principais tópicos do debate.

Como baratear as disputas?

“Eu acho que é uma condição em que escolas e compositores precisam encontrar um lugar comum. Fui compositor e seu como funciona pois é como na minha época. Não vejo como melhorar essa situação se os compositores não aceitarem cortarem na carne. Pra que um palco com quatro cantores de ponta? Não faz a menor diferença, basta um. E as escolas eu vejo como solução a diminuição das etapas eliminatórias” – Marquinho Marino.

“As escolas também têm a necessidade de cortar na carne. A maioria faz disputas longas e massantes e muitas delas iludem o compositor. Incitam o cara a gastar afirmando que o samba é favorito, que se houver um investimento vai vencer e o sujeito de forma ingênua gasta mais do que deve. Mas tem compositor que gasta muita coisa desnecessária sim” – Claudio Russo.

“Eu e meus parceiros na Portela decidimos cortar pela metade os gastos com nosso samba na disputa deste ano. Ela será bem mais curta e nós não enxergamos a necessidade de se gastar tanto. Acho que as grandes parcerias devem dar o exemplo, afinal, possuem as melhores condições financeiras” – Samir Trindade.

Modelo ideal de disputa de samba

“Eu acho que o compositor mais humilde sem tantos recursos tem que ter o direito de colocar o seu samba e cantar na quadra. Por mais que esse cara não se enquadre na forma de fazer um samba competitivo é um momento único para ele aquela hora que vai cantar o seu samba. Eu já passei por isso e sei como é gratificante. Acho que isso tem que manter, talvez, eu reduziria o tamanho das disputas” – Samir Trindade.

“Lá na Mocidade nós vamos fazer em sete sábados o nosso concurso. Vamos tentar abrir em nossa quadra antiga, e serão menos eliminatórias até a final, independente do número de sambas inscritos. Nossa parte está sendo feita para redução de custos” – Marquinho Marino.

“O modelo ideal eu confesso que não sei, mas eu acredito que atual já está saturado há muito tempo” – Claudio Russo.

Peso de segmentos e quesitos na escolha do samba

“Acredito que uma escola que tenha a intenção de disputar algo grande precisa no mínimo prestar atenção nos seus segmentos. Eles é que vão cantar o samba na avenida, não são as torcidas. Na Mocidade colocamos harmonias na disputa para 2017 para prestar atenção na reação dos segmentos. Acho importante também ouvir quesitos chave. Quem vai cantar o samba é o intérprete oficial, ele precisa estar confortável com a obra e o mesmo com o mestre de bateria, que geralmente é músico” – Marquinho Marino.

“É preciso um certo cuidado com isso. Eu já vi cantor e carro de som matar samba na avenida por executa em tom errado do adequado. Acho que deve haver uma situação consensual dentro da escola inclusive depois da escolha, na maneira de como aquele samba será trabalhado” – Cláudio Russo.

Questão financeira: verdades e mitos

“A divisão dos direitos autorais não é justa. O autor do samba só leva 50%? Estamos prestando um serviço pra escola. Não acho correto abocanhar o compositor. As remunerações saem do cofre da escola e esse dinheiro tomado do compositor não afeta o caixa da escola, pois não vem dela. As escolas que não chegam às campeãs embolsam R$ 380 mil com o samba, se você gasta 90, 100 para ganhar em uma grande escola e as agremiações ficam com metade. Sobram 100, para 15 compositores. Cada compositor pega limpo R$ 7, 8 mil. Na Série A é muito pior. É loucura colocar samba. O prêmio é R$ 12 mil e se gasta igual no Especial” – Claudio Russo.

“O samba-enredo tem a mesma importância que qualquer outro quesito. Vejo como 70% de um desfile. Prestamos um serviço para a escola. Devemos ser bem remunerados. Se os compositores não quiserem fazer samba vai ficar como? A festa do CD realizada pela Liga não permite os compositores de estarem presentes. O compositor assina para abrir mãos dos direitos da execução dos sambas na festa. Na Portela gastamos de R$ 90 a 100 mil nos últimos anos para ganhar o samba. A conta não fecha. O sonho é caro demais” – Samir Trindade.