Materiais leves e alternativos fazem a diferença na fantasia das baianas do Império da Tijuca

Por Marina Magalhães

baianasimperiodatijucaBeleza e leveza marcaram a fantasia da ala das baianas do Império da Tijuca. As matriarcas da agremiação desfilaram pela Sapucaí representando o “Calor da Vida-Curandeiras”, nesta primeira noite de desfiles da Série A.

O carnavalesco, Jorge Caribé, apostou no dourado para levar as curandeiras de Omolu para Avenida. A palha, o pano de linho e o plástico compuseram a fantasia, que teve como objetivo levar para a Sapucaí a sabedoria ancestral das benzedeiras do reino do Orixá da Cura, que vence todo o mal e leva para longe os males, as doenças e as pestes. O dourado e o bege se mesclaram representando a riqueza do banquete realizado para o Rei no ritual Olubajé, em adoração ao orixá.

Noelma Luiza de Oliveira desfila na ala das baianas há cincos e destacou a leveza da fantasia como o diferencial para este ano. Segundo ela, que também vai à Avenida pelo Grupo Especial, o conduíte que arma a saia das baianas é uma das vantagens do figurino da Série A em comparação ao aço das saias das baianas da escolas que desfilam no sábado e no domingo de carnaval.

– A leveza da fantasia facilita o desfile, contribuindo para que a gente faça um espetáculo ainda mais bonito – disse, feliz.

Mirian Souza, que desfila na ala há cinco anos, também apontou a leveza da fantasia como diferencial para este ano. Além do conduíte, ela destacou o plástico acetato e o chapéu de palha que formam o adereço da cabeça, e o tecido de linho que borda a saia como fundamentais para a leveza e suavidade da vestimenta. A moradora de Botafogo também comemorou o fato de o figurino estar mais arejado.

– Neste ano, nossa roupa vem mais leve e menos quente. Isso é fundamental para que a gente curta mais o desfile – celebrou.

baianasimperiodatijuca2Além da fantasia, a baiana também comenta a importância de se falar sobre a religião africana, mas alerta que a escolha do tema não é um protesto, uma vez que já é uma tradição da escola.

– Não é uma manifestação, é uma maneira de tentarmos incluir um pouco da Umbanda e do Candomblé na nossa sociedade. É contar a história e a beleza dessas religiões – alertou.

Como curandeira de Omolu, Mirian ainda indicou o melhor remédio para matar a saudade do carnaval ao longo do ano.

– Acho que o segredo é estar sempre em contato com as amigas da ala e comparecer aos eventos, até porque, o nosso desfile é em fevereiro, mas, em maio, já damos início aos preparativos para o próximo ano – sugeriu.