Melhores do Grupo Especial retornam ao Sambódromo neste sábado e encerram carnaval da superação

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Foi um ano de superação. As escolas de samba enfrentaram meses de notícias negativas e uma tensa e dolorosa negociação política com a prefeitura do Rio. O carnaval que se avizinhava ruim se tornou histórico por diversos aspectos. O principal deles foi a consagração dos enredos críticos, com as agremiações deixando clara a mensagem de que há insatisfação. Na noite deste sábado, o já consagrado Desfile das Campeãs reúne as seis melhores dos desfiles do Grupo Especial e encerra o carnaval da superação.

Passarão pela avenida na ordem inversa de classificação, a sexta colocada, Mocidade Independente de Padre Miguel, a quinta, Estação Primeira de Mangueira, a quarta, Portela, a terceira, Salgueiro, a vice-campeã Paraíso do Tuiuti e a grande campeã de 2018, Beija-Flor de Nilópolis.

Campeãs comentam o resultado

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A Mocidade será a primeira a desfilar esta noite no Sambódromo. A sexta colocada liderou a apuração até a leitura das notas do quesito fantasias. O vice-presidente Rodrigo Pacheco falou sobre o quesito em entrevista ao site CARNAVALESCO.

– Estávamos realmente confiantes no título. Mas a gente reconhece que fomos penalizados em um quesito que fez toda a diferença. Perdemos quatro décimos em fantasias, estávamos em primeiro lugar, terminamos em sexto com uma diferença de três décimos para o primeiro colocado. Ainda assim estou bem satisfeito e feliz, a Mocidade voltou a ter força nos quesitos, fomos a escola que mais gabaritou, cinco quesitos gabaritados e 27 notas 10. Estamos cientes da força que nós temos. Sempre disse que o resgate seria de médio a longo prazo. Conseguimos fazer esse resgate num espaço de tempo até menor, voltar nas campeãs não é o mais importante, o mais importante é que o torcedor independente se sinta orgulhoso e veja a escola dele brigando quesito a quesito. É uma sensação gostosa, de realização pois a gente está vendo que o trabalho está funcionando e é nessa ótica que a gente segue pro Carnaval de 2019. Hoje, o Independente pode se orgulhar de fazer parte disso tudo, bem como nossa comunidade, nossos desfilantes. Fizemos um belíssimo espetáculo e todos fizeram sua parte, o orgulho voltou – afirmou.

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A segunda a cruzar a avenida na noite das campeãs será a Estação Primeira de Mangueira. A agremiação também disputava o campeonato até os quesitos bateria e comissão de frente serem lidos. O presidente Chiquinho da Mangueira só vai tomar qualquer medida depois das justificativas serem divulgadas.

– Eu acho que valeu muito o nosso desfile. A Mangueira fez um belíssimo carnaval e deu um recado que o povo gostaria de dar. Um momento histórico para o carnaval. A disputa foi acirradíssima. Respeito o resultado apesar de não concordar. Mas que fizemos um carnaval muito competitivo e saímos da avenida aclamados isso é um fato. Esse ano perdemos um vice, pois não fomos bem em dois quesitos. Se tivéssemos ido bem em um dos dois. Por enquanto, não iremos mudar e esperaremos a abertura das justificativas – avisa.

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A Portela, uma das campeãs de 2017, ficou pelo caminho este ano no quesito comissão de frente este ano. Embora não tenha sido o único onde a escola tenha deixado décimos, o quesito tirou da Majestade do Samba três décimos na apuração. A distência para a Beija-Flor foi de dois décimos. O presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, enalteceu a campeã e se disse feliz com o desempenho da sua escola esse ano.

– Eu acho que cada carnaval é uma história diferente, ainda bem que é assim. O carnaval nos reserva várias surpresas como a Tuiuti. Até a Beija-flor foi uma surpresa, pois a gente não sabia o que esperar depois de uma mudança tão grande de estilo, a gente nunca duvidou pois é uma escola imensa, multicampeã, mas a gente não sabia o que viria. Essas duas escolas surfaram na onda da política e dos acontecimentos recentes, isso poderia não ter dado certo, mas deu. Foram campeões, a Portela não contesta. A Portela só faz uma reflexão pra ela mesma de que poderíamos ter chegado lá – destaca.

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Terceira colocada no desfile de 2018 o Salgueiro kevou mais uma vez o prêmio Estrela do Carnaval de desfile do ano. O resultado final surpreendeu a agremiação, que deixou o título escorrer no quesito samba-enredo. Um dos intérpretes da agremiação, Hudson Luiz, falou à nossa reportagem que respeita o resultado, embora tenha discordâncias.

– Respeitamos até por uma questão de fidalguia, mas é claro que discordamos do resultado. Todas as escolas colocam o melhor de si na avenida, mas acho que todo mundo reconhece que o Salgueiro esse ano fez um desfile perfeito. Acontece, vamos trabalhar para que no ano que vem a gente conquiste essa décima estrela, tão almejada por todo mundo – destaca Hudson.

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A penúltima a pisar na Sapucaí é a sensação de 2018. Talvez até mais feliz que a grande campeã, Beija-Flor. Apenas um décimo abaixo da poderosa escola de Nilópolis a azul e amarela de São Cristóvão fez história na Sapucaí e pretende repetir o espetáculo do domingo de carnaval. O carnavalesco Jack Vasconcelos revela que sempre acreditou no seu projeto.

– Eu não costumo mensurar meus trabalhos levando em conta somente o resultado final, porque são muitos quesitos envolvidos que influenciam no resultado final da escola. Não é só o trabalho do carnavalesco que está ali. Mas, levando em consideração que tudo nasce do enredo, eu fico muito a vontade para dizer que boa parte do que está acontecendo nasceu lá atrás quando decidimos fazer esse enredo e desenvolver do jeito que vocês viram.

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A Beija-Flor encerra a grande festa das campeãs do Carnaval 2018 revivendo a apoteótico desfile que a conduziu ao seu 14º campeonato nos braços do povo. Laíla, diretor de carnaval da campeã, creditou à incrível comunidade nilopolitana mais um título. O presidente de honra Anísio Abrahão David disse que a voz do povo é a voz de Deus.

– Ao povo agradou. Você viu aquela multidão ali atrás da escola. As arquibancadas estavam cheias e aquilo lotado e eu fique até assustado. O carnaval não é uma pessoa falar de uma escola, é esse conjunto que existe e os jurados que decidem. Não adianta Manoel, Pedro ou Joaquim falarem que quem vai ganhar é uma ou outra, não adianta nada. O que adianta é o resultado e o resultado é isso aí. Um trabalho de um ano inteiro – disse.