Mesmo com problemas em alegoria, Tom Maior faz desfile superior aos últimos anos

 

 

A Tom Maior teve de superar as adversidades para fazer o seu desfile na manhã deste sábado, 1, no Sambódromo do Anhembi. Com problemas no eixo da primeira alegoria, a escola demorou cerca de dez minutos na concentração para começar a desenvolver sua apresentação aos jurados. Apesar disso, a escola conseguiu desempenhar um bom papel na avenida, embalada pelo intérprete Renê Sobral, que estava em uma manhã inspirada. O conjunto de fantasias e alegorias da escola, assinadas pelo carnavalesco Mauro Quintaes, apresentou considerável melhora com relação aos últimos carnavais.

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A comissão de frente da vermelho e amarelo trouxe a encenação da Lenda de Foz do Iguaçu. Dividida em três momentos, a comissão contou a história da tribo Caingangues, governada por M’Boy, que tinha a bela índia Naipi como sua prometida. Porém, durante sua consagração, Naipi nota a presença do guerreiro Tarobá, e com ele foge para viver o amor. Enfurecido, M’Boy, como deus-serpente, abriu grandes fendas no Rio Iguaçu. O casal que ali fugia, acabou envolvido pelas águas. A bela Naipi foi transformada em pedra, e o guerreiro Tarobá foi colocado como uma palmeira inclinada no precipício, na entrada da gruta onde M’Boy vigia os dois para sempre. Após a comissão, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jairo e Simone, representou o amor de Tarobá e Naipi, sentimento que mesmo com a maldição de M’Boy, perdurou para sempre.

O primeiro carro da escola trouxe a fúria de M’Boy com relação a Naipi e Tarobá. Segundo a lenda, o que hoje vemos como uma bela paisagem foi resultado da maldição do homem-serpente. O escudo da agremiação, em vermelho e amarelo, se encontrava abaixo da primeira serpente, e assim como as outras esculturas, era de ordem rústica, para retratar a fúria de M’Boy.

A Bateria Tom 30, de Mestre Carlão, veio homenageando os Corsários Espanhóis, que foram os primeiros exploradores a pisarem na terra que hoje pertence ao estado do Paraná. A corte da bateria representava a beleza da mulher local aos olhos do explorador. Na segunda alegoria, uma homenagem ao explorador Alvar Nunes Vaca. O espanhol ao pisar em Foz, se encantou com a beleza das mulheres, as comparando com borboletas. Na imaginação do louco explorador, suas embarcações tinham velas no formato de borboletas e as belas mulheres de Foz do Iguaçu presentes na tripulação.

Abrindo o setor dos jogos de cassino que são permitidos na fronteira, a ala das Baianas veio vestida de Dama de Copas, em referência a essa figura do jogo de cartas. Encerrando este setor, a Tom Maior apresenta o Cassino. Com os personagens que frequentam e trabalham nesse ambiente, a Tom Maior tenta a sorte necessária para lucrar nos cassinos, em seu desfile.

Na abertura do quarto setor, os países que compõem a tríplice fronteira foram homenageados nas alas anteriores a quarta alegoria. Brasil, Paraguai e Argentina abriram caminho para a alegoria da Usina de Itaipu. A hidrelétrica, eleita em 1995 uma das sete maravilhas do mundo moderno, tem a capacidade de abastecer Brasil e Paraguai, e foi lembrada de maneira futurista pelo carnavalesco.

Ao fim do desfile, o sincretismo religioso tomou conta da avenida, com um carro trazendo Oxum, a Rainha das Águas, abençoando a cidade de Foz do Iguaçu e o desfile da Tom Maior, que encerrou sua apresentação dentro do limite de 65 minutos.

 

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