Mestre Wallan conta como foi criada a bossa do Kuduro

 

 

Uma das grandes sensações do ensaio técnico em termos de ritmo foi a volta às origens da bateria da Vila Isabel. Depois do jovem Wallan e do experiente Paulinho assumirem a batuta dos ritmistas da Azul e Branco, foi possível perceber o resgate do verdadeiro ritmo da escola. A afinação voltou a ser o que era, as batidas mescladas de caixas e tarois retornaram, além do andamento ter sido redefinido. Não bastasse isso, uma das bossas preparadas para o desfile oficial fez bastante sucesso nos dois ensaios técnicos: a bossa do Kuduro.


Surgido como uma dança, o Kuduro evoluiu e se tornou um dos ritmos musicais mais ouvidos em Angola. O sucesso acabou se alastrando por outros países africanos e atualmente é possível ouví-lo até em Portugal. O gênero tem como principal característica as letras bem humoradas e sofrem forte influência das camadas mais populares angolanas. Mestre Wallan nos contou como surgiu a ideia de criar a bossa.


– O Macaco Branco, um dos diretores auxiliares, toca com a Martnália e tá sempre viajando para Angola, sempre muito ligado nos batuques de tudo quanto é pais. Lembro que o enredo ainda não estava definido e ele me contou que, se fosse mesmo Angola, teríamos a possibilidade de fazer uma bossa tocando Kuduro. Até estranhei o nome no início(risos). Ele me disse que era febre em Angola, como é o funk e o samba no Rio de Janeiro. Quando houve a confirmação, nos reunimos para estudar e saiu essa bossa que tem feito sucesso.


Em seu primeiro ano como mestre de bateria da Vila Isabel, Wallan vem compondo uma dobradinha eficiente com Paulinho. A dupla ainda conta com o auxílio luxuoso de mestre Mug, diretor que mais comandou os ritmistas do bairro de Noel. O histórico da bateria da escola não mente, quem vem de fora para assumir a ala geralmente não consegue vingar. Paulinho conta como vem fazendo para conquistar os ritmistas da escola.


– Em primeiro lugar é preciso respeitar a casa. Não trouxe ninguém de fora. Contei com a soma de todos os diretores da escola. Na Vila brota bons ritmistas. Faltava só um pouquinho de experiência.  O Wallan tá começando agora e é normal na idade dele se empolgar um pouco. Estamos fazendo uma peneirinha e esse trabalho não dá resultado em apenas um ano – disse Paulinho, revelando que a Suingueira de Noel ainda pode evoluir bastante.


Empolgado com a proximidade de seu primeiro desfile como mestre de bateria, Wallan comemora o fato de o debute ser justamente com um belíssimo samba.


– A bateria da Vila está emocionando pela pegada demonstrada. Estamos ajudando a fazer o samba render ainda mais e o Tinga ter conforto para cantar. Graças a Deus temos um samba emocionante, que faz a escola cantar e tem um contracanto muito legal. No início ficamos um pouco com medo, mas depois pegamos confiança. Não pode ter vaidade. Temos que ter comprometimento com a escola. Aqui ninguém faz nada sozinho. Não foi difícil colocar a bateria no lugar. Estamos apenas tocando o ritmo da Vila Isabel.


A Unidos de Vila Isabel será a sétima escola a desfilar no domingo de carnaval com o enredo 'Você sembo lá… que eu sambo cá – O canto livre de Angola', desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães.
 

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