MEU SONHO É… a continuidade do espetáculo: já realizada, Selmynha é ‘pé no chão’

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Ela é a mais antiga porta-bandeira do carnaval carioca. Só de Beija-Flor, são 15 anos de dedicação e amor ao pavilhão da escola. E é exatamente por todo esse tempo dentro do mundo do samba que Selmynha Sorriso é uma mulher realizada. Seus sonhos não são tão altos. Na verdade, nem são exatamente seus – eles envolvem muitas outras pessoas. Personagem da terceira reportagem da série "Meu sonho é…", Selmynha conta quais seus maiores desejos no carnaval.

– Eu já sou muito realizada. Mas meu sonho mesmo é que sempre o carnaval se modifique para melhor, que não falte verbas, parceiros e principalmente matéria prima para as escolas realizarem o espetáculo. Que o poder público continue ajudando cada vez mais a promover o carnaval, porque gera emprego, verbas e, principalmente, alegria. Meu sonho é estar dentro da Avenida, não importa se a roupa é mais luxuosa ou mais simples. Por isso que eu digo que meu sonho é mais real, mais possível. Vale a pena continuar, acreditar sempre, porque podemos sempre melhorar no ano seguinte. Aprendi na vida a não viajar tanto, a viver na realidade, por isso meu sonho é tão palpável.

Uma verdadeira apaixonada pelo samba. Talvez essa seja a melhor definição para a porta-bandeira da Beija-Flor. Desde que chegou à escola, foram nada mais, nada menos, que seis títulos e cinco vice-campeonatos. "Cada ano que entro ali é um sonho diferente que é realizado, porque a Sapucaí é um palco no qual o espetáculo não se repete", explica.

Beija-Flor: um caso de amor

Uma verdadeira apaixonada pela Beija-Flor. Selmynha sabe que grande parte do sucesso e carinho que adquiriu do povo veio da relação de amor que tem com a agremiação de Nilópolis. Toda essa paixão já criou inúmeros episódios de satisfação para a porta-bandeira. E eles são praticamente diários.

– O samba me deu dignidade. Hoje mesmo, fui buscar meu filho na escola e vi uma senhora dizer para mim que a filha dela era louca por mim, que era minha fã. Logo que eu sai com meu filho, estava a menina mandando beijo, dando tchau. Isso me dá alegria, e muito graças à Beija-Flor. Costumo dizer para as crianças do meu projeto que a Beija-Flor é uma extensção das nossas casas. Mais que isso, dos nossos lares, porque isso tem uma conotação diferente, de mais emoção, afeto, apego. Toda vez que você está alí, tem que estar com o coração – defende.

Amante do samba em geral, Selmynha desabafa: "Fico muito triste quando vejo escolas menores passando dificuldade. Me dá um aperto no coração. Não é possível que o carnaval tenha chegado onde chegou e ainda haja isso". Hoje estrela do carnaval, a porta-bandeira ensaiou os primeiros passos no samba na Unidos de Lucas, que recentemente foi personagem da série "Escolas de Samba", do SRZD-Carnavalesco, e é uma das agremiações que atravessa momentos difíceis financeiramente. Enquanto torce para a recuperação dos berços do samba, Selmynha mantém seu sonho. E luta para elevar cada vez mais o nome da Beija-Flor de Nilópolis.

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