MEU SONHO É… cantar o samba entre as alas: utopia de Zé Paulo para animar os componentes

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Imagine a cena: você em plena Marquês de Sapucaí desfilando por sua escola de coração. De repente, ao seu lado, aparece o intérprete da escola, dando aquele gás, cantando forte e pedindo a sua contribuição no canto. O resultado não poderia ser outro senão ainda mais empolgação, não é mesmo? Pois é esse o sonho de um dos três cantores da Mangueira. Zé Paulo prefere chamar a ideia de "utopia", mas nada impede o artista de sonhar. E mais: ele acredita ser viável a tal novidade.

– Seria muito bacana vir incentivando a sua escola, botando fogo na comunidade, nos componentes. Nunca ouvi falar disso, nem sei se é possível, mas seria um sonho realizado. Imagina um cara como o Neguinho da Beija-Flor fazendo isso, ia ser incrível, como se seu ídolo chegasse perto de você. Claro que pode ter o lado ruim, porque pode acabar dispersando o componente, mas ia ser demais estar ali dando aquela energia, aquela força, ia ganhar em emoção, em garra, em vontade. Talvez pelo menos no setor 1 isso poderia acontecer, acho que vale um teste – acredita.

No entanto, Zé Paulo sabe das dificuldades de conseguir pôr em prática a ideia de vir cantando no meio da escola. E por isso mesmo ele cobra melhorias nos sistemas de som não só da Sapucaí, mas também das quadras das escolas de samba. No seu entendimento, seria necessário não apenas um microfone sem fio para realizar o desejo, mas também um aumento na potência do som.

– Temos o maior espetáculo da Terra, mas o som ainda não é perfeito. E não há espetáculo sem som. Até nas quadras, há algumas com uma acústica boa, mas a maioria não. Acho que as escolas também podiam investir em equipamentos de som melhores, e acho que estamos caminhando para isso. Têm disputas de samba que alguns compositores se sentem prejudicados, porque gasta-se dinheiro com os cantores, chega na hora e o som não é lá essas coisas. Falando como cantor, sonho que um dia as escolas possam também profissionalizar seus intérpretes, porque isso é muito importante – lembra.

A vontade de Zé Paulo não é recente. Desde 2007, quando se machucou, ele aprendeu a cantar em cima do carro de som, mas sempre teve vontade de realizar o sonho. Mesmo assim, ele conta que alguns de seus desejos já foram realizados ao longo da carreira.

– Quando eu era garoto, gostava muito do Carlinhos de Pilares, porque sou ali da Abolição, e tive o prazer de cantar com ele em 1996. Por obra da natureza vim também a cantar com três grandes nomes, na Mangueira, este ano, o que foi muito legal. Já consegui realizar alguns sonhos, agora fico mesmo nessa utopia – brinca.

Este ano, Zé Paulo irá dividir os microfones da Verde e Rosa novamente com Luizito (que é a primeira voz), e com Ciganerey, que entra na vaga de Richahs. Em São Paulo, o cantor de 34 anos vai defender também o samba da X-9.

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