MEU SONHO É… dividir a bateria em duas partes: a ‘loucura de carnaval possível’ de mestre Átila

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Já pensou em ter uma bateria de escola de samba que se separa em duas metades e, em determinado momento do desfile, junta suas partes já no setor final? O mestre Átila já. "Dizem por aí que os mestres de bateria se repetem, mas a cada ano a gente tenta inovar mais". Com um espírito ousado, o diretor de bateria da Vila Isabel sonha com o dia em que poderá separar seus componentes, dando assim mais pressão e, principalmente, sustentação ao samba na Avenida. Ele viria à frente do primeiro grupo da bateria, ou seja, iria antes para o primeiro recuo.

Essa "loucura possível" de Átila foi revelada ao SRZD-Carnavalesco, que apresenta agora a vocês como funcionaria tudo isso. E para explicar, ninguém melhor do que o autor dessa "ideia maluca", como o próprio prefere chamar.

– Meu sonho é tentar dividir a bateria em duas. Ela viria completa à frente da escola até o primeiro Box. Aí, a primeira metade seguiria até o segundo Box. Quando ela chegasse ao meio da pista, a segunda parte sairía do primeiro Box e se encontraria com a primeira lá no segundo Box. Claro que não poderia ter paradinha nos boxes quando elas estivessem separadas, para evitar desencontros, mas isso ajudaria muito na evolução, no canto da escola. Tudo ia depender de muitos ensaios, os diretores tentando reger da mesma maneira, no mesmo ritmo. Mas é possível fazer a loucura do mestre Átila – afirma, brincando com a própria ideia.

No entanto, se você gostou da ideia e espera um dia poder vê-la, terá que esperar. Como o próprio autor ressalta, é preciso trabalhar na captação do áudio, ampliando o sistema de som. "Está cada vez melhorando mais, só que ainda não temos estrutura para isso", admite. Mas aqui o negócio é sonhar, não é mesmo? Então vamos deixar nosso personagem justificar a "loucura".

– Quem está na cabeça da escola não escuta a bateria. Isso aumentaria também o tempo no segundo box. Hoje são oito, dez minutos de vez em quando, então os setores nove, 11 e os do fim da Sapucaí ouvem pouco o som real, a alma e a pressão da bateria.

Na ideia de Átila, o carro que leva os intérpretes teria fim, e os cantores passariam a ocupar um camarote no meio da pista, dividindo melhor o som. "Já conversei muito com os maestros e eles falaram que era viável, mas é uma baita estrutura", lembra.

Vontade de Átila é antiga

Hoje diretor da Vila, o mestre de bateria ganhou projeção comandando os ritmistas do Império Serrano. A bateria da escola da Serrinha ficou famosa pelas paradinhas espetaculares que apresenta em seus desfiles. E foi lá, à frente do Império, que ele teve a ideia. Mais precisamente no carnaval de 2004, quando a agremiação reeditou o samba Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira, escrito para o carnaval de 1964.

– Essa ideia surgiu tem seis anos. Quando desfilamos Aquarela Brasileira, que foi uma grande apresentação de evolução, de canto, que a bateria passou muito bem, a gente via grande sustentação do povo nas arquibancadas. Se fosse desse jeito, pensei naquele dia, seria espetacular, ainda melhor – afirma.

Enquanto o sonho de mestre Átila não se torna realidade, ele continua em busca de algo que dê destaque na evolução de sua escola na Avenida. Se este ano a Vila terá surpresa? Isso é segredo.

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