Milton Cunha diz que Joãosinho Trinta tinha a cara do Brasil

O site CARNAVALESCO ouviu o carnavalesco Milton Cunha sobre a morte de Joãosinho Trinta. Confira:

– O João falava que a alegria iria construir um futuro melhor e eu tenho levado bastante esse lema no momento de vida. Era uma mente bem diferente daquilo que estamos acostumados a ver na sociedade. Um exemplo de superação e inovação para o carnaval. Tinha a cara do Brasil, era baixinho, feinho, atarracado, isso é muito Brasil. Foi o primeiro a abordar um Brasil Negro, trazer o onírico para o carnaval. Mesmo em 1975 já mostarava preocupação com o desmatamento na Amazônia. Ao longo da minha carreira fui me fascinando de tal maneira que ele foi tema do meu mestrado e do meu doutorado. Quando cheguei na Beija-Flor não nos dávamos bem. Ele era intragável, mas com o tempo ele foi melhorando como pessoa e eu também. Depois tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos com ele e ficamos mais próximos. É uma perda imensa para a sociedade brasileira, não apenas para o carnaval. Ele era coragem, essa é a sua principal marca. Se tivesse oportunidade de falar com ele agora, perguntaria se na morte ele encontrou o que ele sempre dizia ao final de seus enredos, aquela coisa do fogo da justiça e tudo mais, além, é claro, de agradecer por ter nos proporcionado coisas maravilhosas e parabenizá-lo, pois era um vencedor, um vencedor com a cara do Brasil.

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