Minha Portela querida

A Portela não ganha títulos há muito tempo, todos sabemos.

O Presidente Nilo está lá há sete anos. Ou seja: a Portela não ganhar títulos não chega a ser nenhuma novidade.

O Carlinhos Maracanã não era exatamente um ganhador de títulos; ao contrário tirou algumas das piores colocações inaugurando este período de insucessos.

Por que se reclama tanto do Presidente Nilo?

Terá sido por menos que a sede da escola fora invadida em 2003 para destituir o grupo que
lá estava?

O que estará querendo esse grupo de Portelenses promovendo encontros, reuniões, propondo claramente a mudança de rumos de sua escola querida.

De uns tempos para cá passei a disponibilizar um outro endereço para contatos mais longos que os "comments" normais . E foi assim que
o lcciata2@hotmail.com passou a ser um forum para longas e saborosas conversas carnavalescas, principalmente com Portelenses, ou não, daqui, de partes do Brasil e outros poucos residentes no exterior.

Nesse fórum fica claramente assinalada uma palavra nova e aterrorizante que jamais constou do vocabulário de nossas cores:
rebaixamento.

Quem é Portelense sabe do que escapou em 2010. Não fosse o "suicídio" da Viradouro e os tradicionais pré-julgamentos da escola que sobe (Ilha) e da Porto da Pedra, ambas com desfiles superiores, a história já estaria escrita.

Então coloquemos de outra forma: o que terá sido feito de lá para cá no sentido de afastar esse fantasma de perto dos Portelenses?

Nesse sentido, nada como partirmos de uma demonstração concreta, explícita, desassombrada, escrita, para alcançarmos a avaliação que buscamos. Para tanto tomemos o texto postado pelo PORTELAWEB em 16 deste mês de março corrente.

Antes, no entanto, cabe aqui um parêntese. Ora, se é certo que tivemos por todo esse tempo pouquíssimos motivos para nos orgulhar, é certo também que essas duas instituições (Guerreiros e Portelaweb) só nos encheram de orgulho, nos diferenciando de tudo que conhecemos até aqui.

Pelo pioneirismo e paixão de uns, pela paixão, qualidade e seriedade do trabalho de outros, não tenho a menor dúvida em me solidarizar, empenhar meu respeito pessoal com tudo que andam fazendo por aí.

Com tantos e tantos anos em torno do samba e das escolas, não hesito em destacar a importância histórica desse movimento não só pelo seu ineditismo como também pelo desprendimento e honestidade de princípios e objetivos.

É o tal "livro de nossas histórias" a que Monarco se refere. Um dia isto estará lá. Fechado o parêntese, de que se queixam os Portelenses?
Na verdade trata-se de um rosário de queixas e lamentações que tentarei a sorte de resumir conjuntamente com relatos, queixas e preocupações expostas também por meus leitores em particular no LC2.

Vamos lá: ouço dizer que a LIESA está "por aqui" com a atual administração. Ouço que o prefeito anda muito contrariado também e sei que o presidente Nilo nega ambas as versões.

Será verdade? Será mentira? Como saber?

O que sabemos é que houve uma reunião do prefeito com segmentos descontentes e um encontro no qual membros da torcida Guerreiros
da Águia e membros do site Portelaweb foram recebidos pelo Presidente Castanheira.

 Não houve qualquer desmentido, tanto do prefeito quanto da Liesa, quanto a tal insatisfação. Não houve também nenhum desmentido convincente por parte da escola. Fica, pois, a dúvida no ar.
Falou-se muito no pré-carnaval que a escola mais atingida pelo incêndio fora a Grande Rio. Mais que a Ilha, mais que a Portela, certo? Nada mais equivocado. Ilha e Grande Rio saíram engrandecidas do episódio, com suas comunidades orgulhosas e com sua história
valorizada. A Ilha com um de seus melhores desfiles e a Grande Rio com imensa demonstração de superação. A Portela saiu enfraquecida,
coberta de dúvidas quanto às reais dimensões de suas perdas, à gestão de seu carnaval  até ali e até de desconfiança quanto à utilização
de recursos adicionais da Prefeitura.

Seu carnavalesco desapareceu de cena; seus principais componentes com um pé, ou ambos, fora da escola ou ameaçando sair. Sua tão
orgulhosa torcida ouvindo brincadeiras, chacotas e insinuações sem precedentes.

E aqui um outro parêntese. Não tenho nenhuma relação pessoal com o carnavalesco Szaniecki. Alguns curtos e poucos encontros em passado recente foram suficientes para registrar a impressão de profissional sério, honrado e competente. Os Portelenses do LC2 e eu estranhamos que nenhuma palavra sua tenha sido ouvida  em meio a tanta desinformação quanto às perdas reais e materiais da escola.

Vejam – e queixam-se os leitores – que nem a assessoria de imprensa da escola se manifestou com a clareza necessária à eliminação definitiva das dúvidas e controvérsias.

Será que ainda desta vez será o carnavalesco a sair com sua reputação atingida, com fama de deixar carnavais incompletos? Ou desta vez virá a público esclarecer as reais condições de trabalho oferecidas por boa parte de nossas escolas, inclusive a Portela?

Como seria bom para todos, para o carnaval, para este momento, se o carnavalesco Szaniecki pudesse ser ouvido.

Pergunto: será que é tão difícil assim trazer a público a direção do carnaval da escola, assessorada por seu carnavalesco, sua direção financeira e expor clara e peremptoriamente de que forma foram gastos 750 mil pratas. E fazer isto sem deixar uma única só dúvida? Será que isto é tão difícil assim?

Será que tais recursos já foram integralmente liberados? Muita gente está certa que sim, outros não têm tal certeza. O quê a escola, considerando tanto disse-me-disse, fez para esclarecer? Que iniciativa tomou para não deixar dúvidas no ar, considerando – repito – tantas insinuações?

E aí voltamos lá para cima: alguém aí ouviu qualquer notícia, qualquer insinuação, por menor que tenha sido, de que os recursos adicionais da Ilha e da Grande Rio não foram adequadamente aplicados?

Repito: qualquer insinuação, por menor que tenha sido? Por que razão essas coisas estão acontecendo com a Portela? Alguém aí ouviu alguém colocar em dúvida a quantidade de fantasias perdidas pela Ilha e Grande Rio?
Enquanto isto não aconteceu, enchem minha caixa postal de perguntas que não sei responder e que não sou eu que tenho que responder. Queixam-se leitores, e eu também, dos enredos apresentados pela escola. O texto da Pweb foi muito claro.
E aqui – e peço paciência – cabe mais um parêntese. Minha divergência maior com o presidente nos remete `a  complicada questão dos enredos patrocinados. O presidente, como sabemos, e como tantas vezes já declarou, entende e dirige a escola  a partir do dogma de que
é impossível fazer um desfile competitivo sem patrocínio.

Reforçando: Toda a estratégia de planejamento e execução dos desfiles está atrelada a essa convicção: impossibilidade de carnaval sem patrocínio.

De minha parte acredito ser esta a armadilha maior no caminho da escola.

A exemplo da Grande Rio neste carnaval, quantas escolas ficam de pires na mão e não recebem um único centavo de patrocínio para o enredo que se projetou patrocinado? Vejam que o prefeito de Florianópolis sequer esteve na Sapucaí para ver a homenagem à capital que governa.

O patrocínio mais uma vez foi de uma empresa chamada "KINONVEN S.A", que engana tantas escolas cariocas.

 Quantas vezes a Portela, como tantas outras, ficou nesta situação? Quantas vezes a Portela foi em direção à possibilidade de patrocínio, empresarial ou institucional, e não conseguiu nada?

Quantas escolas temos visto com desfiles formidáveis, até campeões, sem qualquer patrocínio empresarial ou institucional? Sem
babaovismo de nenhuma autoridade, sem chapabranquismo?  E aí vamos para a pista com enredos insípidos, inodoros e incolores como:
"Oito Metas Para Mudar O Mundo"; "Os Deuses do Olimpo Na Terra do Carnaval"; "Derrubando Fronteiras (…)Rio de Paz", respectivamente em 2004, 2007 e 2010; respectivamente 13º lugar, 8º lugar e 9º lugar.

Carnavais para serem esquecidos.

Curioso notar que esses enredos patrocinados, pretensamente patrocinados ou chapa branca, tiveram piores classificações do que os enredos de 2008 e 2009 cujos temas, sem patrocínio, possibilitaram bons carnavais, bons sambas e bons resultados.

E aí pego carona no texto da Portelaweb.

 A escola trabalhou no sentido de apostar, de investir em algum desses carnavalescos? Como terão sido as relações profissionais? Será que a escola cumpriu seus compromissos financeiros com esses profissionais? Ou será que o maior mérito alcançado foi promover um deles – o então jovem promissor Cahê Rodrigues – de Júnior para sênior, enchê-lo de moral, auto confiança e auto estima e pousá-la no colo agradecido da Grande Rio?

E em relação a outros profissionais? Será que a direção de carnaval da Portela e sua administração financeira mantiveram uma relação de cumprimento de obrigações ou ficou devendo a deus a ao mundo, tal como se diz por aí?

Será que sim, será que não? Como saber?

Há alguma outra escola do porte e tradição da Portela que tenha a fama de inadimplente contumaz? Por que a gente tem dúvidas com a
Portela, e só com pouquíssimas outras?

A culpa não é minha e nem dos meus leitores. A Portela tem sido assim, envolta em dúvidas e  disse-me-disse.

Por que a escola não sai proativamente para exigir o depoimento pessoal de tantos alegados credores? Será que fazer isto será se amiudar
já que outras escolas não o fazem? Ou será que as demais escolas não procedem assim por que, em sua grande parte, nunca são acusadas?

Por que a escola não adota uma postura agressiva de relações públicas de forma a apagar essas dúvidas que tanto inquietam os
Portelenses e, pior, muito pior… muitíssimo pior, afastam qualquer eventual patrocinador que tenha tal intenção.

Que mudanças a escola tem feito – de ver-da-de! – que efetivamente possam corrigir descaminhos de forma a afastá-la do insucesso e da ineficácia? O quê tem sido feito senão esperar o outro carnaval chegar e repetir comportamentos?

Mas, voltando aos enredos patrocinados. Tá certo, vamos lá… enredos patrocinados…

 A escola dispõe de um mecanismo profissional proativo de atração e captação de recursos? Ou restringe-se ao voluntarismo amador- otimista de imaginar um enredo supostamente patrocinável para correr atrás?

A escola dispõe de mecanismos alternativos e profissionais de captação de recursos extras?

A exemplo do Salgueiro, da Tijuca, dispõe de uma quadra que possibilite aluguel de camarotes, venda de salgados nas noites de ensaios? Oferecer o mínimo de conforto a quem tenha a intenção de "ir ao samba"?
Dispõe de alguém tecnicamente qualificado para vender a poderosa marca "Portela" pelo Brasil, tal como faz a Unidos da Tijuca? Por que a escola não adota uma postura agressiva de relações públicas de forma a apagar essas dúvidas que tanto inquietam os
Portelenses e, pior, afastam qualquer eventual patrocinador que tenha tal intenção. Que mudanças a escola tem feito que efetivamente
possam corrigir descaminhos que a afastam do sucesso e da eficácia?

Que profissionais a escola foi buscar ontem e buscará hoje, dentro e fora do carnaval, que tenham apetrechamento, currículo, experiência prática comprovada e suficiente para gerenciar seu carnaval profissionalmente? Embora tenha formado uma jovem geração de
profissionais do samba, fica a dever neste item mais-que-determinante para vitórias.

Quem é que faz isto em uma escola que persegue títulos, como a Portela? Como é o nome? Tem experiência necessária para exercer esse papel neste momento tão delicado da escola?

Não conheço nomes. O único nome é o do presidente. Bate o "corner" e corre para a área para cabecear. Até quando vai ser assim? A
questão maior não é até quando vai ser assim?

A questão maior, fatal, mortal é o "por quê"  que tem que ser assim?

A quem interessa que seja assim? A quem agrada que seja assim? Qual a necessidade  de que seja assim?

Vejamos o exemplo atual. Depois de buscar para 2010 um carnavalesco ainda inexperiente e jogá-lo às feras com um enredo prá lá de heterodoxo, improvável, impraticável, com parcos recursos, no pior carnaval de uma história tão vitoriosa, a escola foi buscar para 2011 um profissional de porte, é verdade. Mas quais condições lhe foram dadas fazendo-o participar de uma "forma-de-fazer-carnaval" única e inimitável, com atrasos permanentes e constantes, diferentemente de todas as outras escolas do grupo.

Será que algum profissional-capaz-de-levar-a-Portela-ao-título vai se submeter a trabalhar com chance zero de um enredo seu, autoral? Ou participar de uma escola que às vésperas do carnaval não consegue ver seu cronograma físico-financeiro razoavelmente executado?

E voltando ao texto da Portelaweb, aos Guerreiros e aos leitores, destaco a grande questão que se apresenta e que resume tudo que está exposto aí em cima. Qual, afinal, a grande questão que emerge neste pós-carnaval, mais um, para ser esquecido?

Que estrutura pós-incêndio a escola estará montando nesse sentido? Estará montando mesmo? Será uma estrutura técnica e profissionalmente montada de forma a deixá-la em escala de competição com as demais?

Ou será uma estrutura "ajeitadinha", remendada, capaz de deixar a escola na risca do rebaixamento?

Se a resposta a essas perguntas for positiva, acho que o presidente eleito estará no  seu direito de tentar um melhor resultado para a escola e reconquistar seus componentes e torcedores.

Mas se a resposta for negativa estará apenas representando mais uma inconsistente e insuficiente mexida e, mais do que isto, mais uma tentativa de que a inocência triunfe sobre a boa fé e a esperança dos Portelenses?

E aí, caberá legitimamente aos Portelenses perguntar: qual o nosso papel nisso tudo?

O que se busca saber é que tipo de profissionais do carnaval, com comprovada experiência, a escola buscará para gerenciar fluxos financeiros e corrigir esta distorção que é a mais apontada por torcedores e componentes a cada véspera de carnaval atrasado?

Distorção que só perde em intensidade para a insatisfação na escolha do samba enredo.

Que esforços a Portela faz no sentido de atrair seus melhores compositores a uma disputa em que lhes seja garantido que o melhor samba vencerá? A escola é hoje uma das poucas em que já se entra na disputa sabendo-se o vencedor com enormes chances de acerto

Sou eu que digo isto, são os Guerreiros, são os da Portelaweb? Claro que não! Até porque só acompanho as disputas em sua reta final, impossibilitado, portanto, de fazer tal julgamento.

Quem ouve isto são vocês aí, ou não é? Quem diz isto são os leitores, os internautas, todos enfim que acompanham o dia a dia das disputas.

E quem é culpado por esse disse-me-disse?

É a escola que não vem a público, a exemplo do que fez o presidente da Mangueira, e, mais do que falar, toma medidas para que a disputa seja a mais justa possível e o melhor samba possa despontar e vencer.

A ala de compositores da Portela precisa acreditar que a disputa será para valer! Precisa voltar a acreditar…

Que compositores hoje se dispõem a dedicar tempo para a composição de um samba de qualidade sabendo o que lhes espera?

Essas perguntas se multiplicam por aí. Essas e outras que se somam e assumem dimensão de combustível para pequenas fogueiras e se potencializam quando um grande incêndio ocorre.

Chega a ser curioso que o incêndio tenha trazido tantas perguntas à tona. Perguntas sem resposta, ou com respostas esquisitas. Esperar que o torcedor apaixonado supere tantas dúvidas e siga confiando é apostar  mais uma vez no triunfo da  tal inocência sobre a esperança.

A Portela não voltará a seus dias de glórias se for, ou se é, uma escola composta de inocentes. Não foi essa a lição que aprendemos, não
foi assim que construímos uma história tão forte, tão bonita.

Como acreditar que essa direção pode fazer em 2012 algo diametralmente oposto ao que vem sendo praticado? Mesmo que todos que já estavam permaneçam, ou profissionalmente ou por amor à escola, ou as duas coisas, pouco adiantará se não houver, isto sim, mudança
de atitude gerencial, atitudes claras, convincentes e comprováveis.

Como acreditar em mudanças e-fe-ti-vas? Como ter a certeza que "mexidas" serão operadas ú-ni-ca-men-te para deixar a impressão de
"alguma mudança" apenas para calar inconformados.

Pode-se até procurar o que dizer dos que estão mais diretamente envolvidos, nunca que são "fofoqueiros", inventadores de histórias e destemperados.

Os Guerreiros e a Portelaweb  e os outros são inconformados não por serem intrinsecamente rebeldes ou insensatos. Meus leitores não são intrinsecamente pessimistas. Uns ou outros se rebelam, ou se amedrontam por que há uma história grandiosa alimentadora de suas paixões.

Uma história grande e bela o suficiente para jogá-los nas ruas em busca de verdades e de mudanças.  Mudanças nas quais possam crer verdadeiramente, que lhes traga a esperança.

Mais do que isto: a confiança.

O que os Portelenses aqui citados querem é se orgulhar de seu passado, sim. Mais, muito mais do que isto, querem olhar para frente, para seu futuro.  Enfrentar o carnaval de agora, encarar os novos tempos com as forças e mecanismos adequados.

E – muito mais importante – que se crie um ambiente eleitoral democrático, incentivador e encorajador de novas lideranças. Que o debate, a luz, se instaure em nossa quadra e a ilumine de idéias, gestos e atitudes.
Luz! Isto é o que precisamos agora.

A luz dos novos tempos que todos esperamos.

e-mail para contados mais longos: lcciata2@hotmail.com