Mocidade Alegre mostra em um ensaio tecnicamente perfeito sua força em São Paulo

Por Fiel Matola

feijoada_salgueiro_flyer-finalO segundo ensaio técnico da Mocidade Alegre, na noite desta sexta-feira, no Anhembi, comprovou que a escola é uma das favoritas ao título de 2018. O treino começou com muita emoção e chegou próximo da perfeição. A chuva que caía brandamente na terra da garoa parou no início do ensaio. Com animação e contagiando o público, o intérprete Tiganá esquentou o contingente de aproximadamente dois mil componentes. A presidente Solange Bichara, como sempre, deu seu recado carregado emoção.

– Vamos todos nos abraçar, temos que ser muralha, ‘bora’ para esquerda, ‘bora’ para direita, se nós estivéssemos sozinhos beijaríamos o chão, mas como estamos juntos, somos mais fortes. Por isso, a gente precisa de cada um de vocês para fazer o diferencial – disse a presidente.

Ela que também pediu as alas, que já estavam formadas, abrissem passagem para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, o futuro da Morada (crianças com o pavilhão) e a Velha Guarda, para que estes saíssem do final ao inicio da escola. Solange ainda explicou o motivo do ato.

print9_en– Nós, da família da Mocidade Alegre, estamos honrando para que nosso samba não morra, essa é a nossa voz, a voz Marrom’ que não deixa o samba morrer – afirmou a presidente, numa referência para cantora Alcione que é o enredo da escola.

No início da escola, mães e pais de santo deram passagem para a Vermelha, Verde e Branca iniciar seus trabalhos. O que se viu a partir daí foi uma escola emocionada, que aos poucos deu espaço para uma escola correta, tecnicamente beirando à perfeição.

Comissão de Frente

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-15O grupo estava com um contingente de 15 componentes, destes 6 eram homens, que estavam de calça, tênis e blusa branca com uma camisa florida por cima, o restante era meninas, uma delas estava de vestido verde e as outras de vestido azul. Em muitos momentos da coreografia, que estava muito bem sincronizada por sinal, foi possível perceber que vários movimentos, principalmente, do contingente masculino eram movimentos de aves voando.

– O público pode esperar uma grande surpresa, este ano teremos uma comissão com formações, desenhos e uma coreografia que vai marcar bastante a passarela. Ano passado, eles vieram de faunos e foi bastante. Podem esperar grandes surpresas – conta o coreógrafo Jhean Alex.

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-22Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Emerson Ramires e Karina Zamparolli, que ensaiaram com a fantasia do ano anterior, desenvolveram no percurso inteiro o bailado característico da dança do casal. Diferente do Rio de Janeiro, em São Paulo, o casal não faz paradas técnicas em frente aos módulos dos julgadores, tendo que evoluir a todo momento.

–– Nós temos que trabalhar em cima do que temos. Quando passamos da faixa de início não tem parada, por mais que a gente queira, não temos condições, precisamos estar sempre em movimento, bailando, sempre em alta intensidade com a adrenalina lá em cima, são 540 metros sem parar – explicou o mestre-sala.

Harmonia e Samba-Enredo

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-7É impressionante ver a emoção da comunidade da Morada do Samba. Tiganá não para, vai para o público, entra na bateria e brinca, fazendo diferença para alegrar o componente. A harmonia está afiada. O andamento do samba não caiu em nenhum momento. Algumas alas cantavam o samba à plenos pulmões. Caso da ala coreografada ‘Pixotes’ e a ala ‘Deixa Falar’. O intérprete comemorou a evolução no ensaio.

– Podemos sentir a escola, isso aqui é o termômetro, hoje nós tivemos umas mudanças comparando ao ensaio da semana passada. Foi melhor e no dia 27 será melhor ainda – disse Tiganá.

O refrão central é um dos pontos mais altos do samba. Júnior, diretor de carnaval, fez um balanço positivo do ensaio.

– Vir com quase 2 mil pessoas é maravilhoso. Senti uma diferença boa do primeiro para este ensaio, no sentido de canto, evolução, expressão corporal, meu casal maravilhoso, minha comissão de frente que saiu no tempo certo, estou muito contente – disse empolgado o diretor de carnaval.

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-43Evolução

O ensaio teve duração de 1h10 no total e fluiu como deveria: sem clarões, sem buracos e com seus componentes evoluindo dentro das alas. Muitas alas coreografadas e de passos marcados, mas nada prejudicasse o andamento.

No refrão do meio do samba a escola inteira faz uma única coreografia, o que fica lindo para o ensaio técnico, mas que tira a espontaneidade do componente, e dependendo da fantasia no dia do desfile essa beleza não possa aparecer, perdendo o sentido de ser realizada no ensaio.

As ala das baianas não podia ficar de fora. Evoluíram perfeitamente, com uma roupa branca e na parte rodada com estampas que remetiam as cores do reggae, elas também vinham com um turbante na cabeça e um cordão com fitas coloridas.

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-147Bateria

Mestre Sombra e seus ritmistas apresentaram algumas bossas. Em cada parte do samba, um dos naipes (cuícas, agogôs, chocalhos e tamborins) são executados e na ordem que eles estão formam um diferencial positivo.

Uma paradinha no verso do refrão ‘Em sua voz, Marrom!’ faz com que o componente entre na cabeça do samba com animação, vê-se um trabalho de harmonia integrado com bateria.

Outros Destaques

mocidade_alegre_segundo_ensaio1901-150A rainha da bateria Aline Oliveira deu um show à frente da bateria, principalmente, quando uma ala vai até ela e na letra do samba evoluem, com caras, bocas, expressões corporais e muito samba no pé. Tudo no ritmo das bossas, paradinhas e cadência do samba.

Na última alegoria, demarcado com cordas no ensaio, as crianças vieram com uma blusa linda, essa que tinha uma caricatura da homenageada (Alcione). A presidente aproveitou o ensaio cantando muito o samba, se emocionando e depois dos portões fechados, pediu para ele ser aberto novamente e sua bateria voltar um setor, gradecendo ao público presente.