Mocidade apresenta comando da bateria e aposta no slogan ‘Não existe mais quente’

Disposta a obter todas as notas máximas em seu quesito mais tradicional, a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou, em coletiva realizada na tarde desta terça-feira, no barracão da escola, a sua nova direção de bateria para o Carnaval 2012. Idealizada por Andrezinho, filho de mestre André, e que volta a ocupar o posto de coordenador, ao lado de mestre Odilon, a "Super Direção de Bateria", terá ainda mestre Bereco, que nos últimos dois anos comandou a bateria da Mocidade, e mestre Dudu, que estava na Unidos de Padre Miguel, como mestres da bateria, que voltará a apostar no slogan "Não existe mais quente".

O funcionamento da Super Direção de Bateria da Verde e Branco de Padre Miguel foi explicado por Andrezinho, que há tempos já mostrava vontade de formar um grupo desta natureza para comandar os ritmistas da Mocidade.

– O Dudu chega para encorpar o cargo de mestre de bateria juntamente com o Beréco. Agora temos dois mestres. Temos também os coordenadores, que somos Odilon e eu. Vamos dar todo o auxílio e estrutura para a bateria trabalhar de forma tranquila. Vamos tentar fazer com que a bateria seja independente da escola. Na realidade queremos tirar o peso de trabalho da bateria para a direção da escola. Fazer com que a bateria tome outros rumos. Logicamente não vou me esquecer da parte do ritmo que, graças a Deus, carrego no sangue. Tenho a felicidade também de poder dizer que é uma imensa honra e orgulho para mim trazer o Odilon pra cá. Ele era amigo particular do mestre Coé e fez até teste com meu pai para desfilar na União da Ilha – explicou Andrezinho.

Ciente de que pode estar iniciando uma nova era na bateria que o seu pai é o principal responsável pela fama, Andrezinho esclareceu que a saída Bereco sequer foi cogitada nas conversas que teve com Paulo Vianna e os outros membros da Super Direção.  


– Hoje é um dia muito importante para mim em todos os aspectos. Desfilo na Mocidade desde os oito anos de idade e já sonhava implementar um projeto desse aqui, na minha escola de coração. Fico feliz de poder contar com a participação de pessoas que eu gosto muito. Tenho aqui o Odilon, que é um ídolo para mim e para muitos. O Bereco, que vem fazendo um trabalho de muita qualidade nesses dois últimos anos. Quero deixar bem claro que nunca se pensou numa mudança sem a presença do Bereco, independente de qualquer coisa, o Odilon também garantiu que isso era uma questão de honra. Além do Dudu, que é um garoto muito talentoso, filho do mestre Coé, o conheço desde moleque e sei do seu potencial. O pai dele foi o último detentor da nota máxima da bateria da Mocidade, em 2002 – afirmou mostrando empolgação.

De volta ao Carnaval depois de dois anos de ausência, Odilon, um dos maiores mestres de bateria de todos os tempos, também fez questão de elogiar o trabalho de Bereco e apontou o aporte dado por Andrezinho como o principal responsável para a sua volta à Marquês de Sapucaí.

– Quando eu era pequeno sonhava em sair na bateria da Mocidade, mas era difícil. Tocava bem para a União da Ilha, mas a Mocidade tinha um trabalho mais arrojado. Sou fã de três baterias, mesmo sendo mestre, ainda sou fã da Mocidade, pela batida de caixa, da Mangueira, pelo ritmo diferente, e da Vila Isabel, que tinha o maior suingue de uma bateria na Avenida. Está sendo uma alegria muito grande. Havia dito que não voltaria mais para o samba, mas devido o aparato dado pelo Andrezinho resolvi aceitar. Me preocupei em não tirar ninguém da bateria. O Bereco faz um trabalho maravilhoso. Já o parabenizei pelo resgate da batida de caixa da Mocidade, está voltando a ser o que era. Ele pegou muitas coisas erradas de outras direções e teve que correr atrás de tudo sozinho juntamente com seus diretores.
Para quem estava ansioso pela sua volta e a oportunidade de ouvir as bossas e o andamento que costuma imprimir em seus trabalhos, Odilon promete uma grande novidade para o próximo Carnaval. Ele revelou que pretende fazer com que a bateria volte de uma bossa no tempo do surdo de segunda, fato que nunca ocorreu no Carnaval, já que as voltas acontecem no tempo dos surdos de primeira. Odilon contou que a  ideia surgiu depois de uma conversa que teve com um jurado e será colocada em prática na Mocidade também em razão da afinação mais grave do surdo de segunda.

Elogiado por todos os novos companheiros de direção de bateria na Mocidade, Beréco comentou a nova fase.

– É um projeto audacioso. O Andrezinho é um profundo conhecedor da bateria. Se comentou muita coisa, mas a verdade está aqui. Não há vaidades. Vamos fazer um trabalho de qualidade, mudando algumas coisas, mas sem mexer no que é a Mocidade. Quero dar os parabéns ao mestre Odilon e ao mestre Dudu, já conheço os dois e tenho certeza que nos daremos muito bem.

Para Dudu que cresceu acompanhando o pai, mestre Coé, na bateria da Mocidade e nos dois últimos anos realizou bom trabalho na Unidos de Padre Miguel, opina que o principal agora é concentrar-se inteiramente na nova responsabilidade que tem na carreira.

– Estou muito feliz com essa chance. Tenho certeza que  meu pai está muito feliz onde quer que esteja. Minha cabeça está completamente focada para fazer um bom trabalho e recolocar a Mocidade num lugar de destaque –  afirmou Dudu, que foi chamado de maluco, em tom de brincadeira por mestre Odilon, com quem já começou a criar algumas bossas.

Rainha de bateria da Mocidade, Andréa de Andrade prestigiou o evento e falou sobre a responsabilidade de estar à frente dos ritmistas de Padre Miguel.

– Se a responsabilidade já era grande ficou ainda maior. Vou me dedicar ainda mais para a Mocidade. Mostrar todo o meu respeito, admiração e amor pela nossa bateria.

Além do bom ambiente mostrado entre os quatro, todos fizeram questão de dizer que não levarão novos ritmistas para a escola e querem valorizar os formados dentro da Mocidade. Na próxima quinta-feira, a partir das 19h, já haverá uma reunião da nova diretoria de bateria com todos os ritmistas na quadra. Já os ensaios começam na próxima terça-feira, a partir das 20h.