Mocidade canta mais, melhora andamento do samba, mas peca em evolução

Não fosse pelo erro bobo na hora de colocar a bateria dentro do segundo Box, a Mocidade poderia sair com a sensação do dever completamente cumprido em seu segundo ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. Mesmo assim, de uma maneira geral, a Verde e Branco de Padre Miguel teve um bom rendimento: mostrou mais canto e vibração dos componentes. Muito disso deve-se a não repetição da equivocada opção de retirar a bateria do primeiro Box ainda no segundo setor da escola, fato que ocorreu no primeiro treino. Desta vez, a Não Existe Mais Quente veio mais próxima do meio da agremiação, o que proporcionou mais participação de toda a escola. O inusitado ficou por conta do apagão ocorrido nos últimos dez minutos de ensaio da Mocidade. Segundo funcionários da Rio Luz presentes no Sambódromo, foi apenas uma oscilação na rede da Light. Os refletores voltaram a ser acessos 15 minutos depois.
 

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* Veja também: Fabato e Luis Carlos Magalhães analisam os ensaios da Mocidade e Salgueiro

Fumando um charuto para trazer bons fluidos, o presidente Paulo Vianna fez questão de ir ao microfone antes do ensaio para homenagear o vice-presidente e um dos fundadores da escola, Macumba, que fez aniversário nesta sexta. Parabéns cantado, sambas de esquenta entoados, e a Mocidade partiu para o segundo treino técnico na Avenida, o último antes do desfile do próximo domingo. Com muitos componentes, a direção da escola se preocupou mais uma vez em levar tripés para demarcar os locais das alegorias. O filho de Cândido Portinari, João Portinari, marcou presença, assim como o carnavalesco Alexandre Louzada.
 

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Comissão de Frente
O grupo coreografado por Renato Vieira mostrou em sua apresentação para o público uma característica marcante dos trabalhos do coreógrafo: a dança contemporânea. Na exibição havia um personagem central e todo o grupo mostrou leveza na execução dos movimentos. O público não reagiu de maneira tão efusiva à exibição e foi possível perceber que a comissão puxava um tripé através de uma corda, talvez um prenúncio do que pode ocorrer no dia do desfile.
 

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Falar do carisma e entrosamento de Róbson e Ana Paula é até redundante. Casados há 20 anos, a dupla leva para a pista da Sapucaí o entrosamento do lar e brinda o público com um caloroso beijo na boca no meio da apresentação. Nas cabines de julgadores, eles faziam outra coreografia. Destaque para o dinamismo dos passos. Os dois não seguem um estilo, são dinâmicos.  Na mesma coreografia apresentam características diferentes e isso é um diferencial extremamente positivo. Uma espécie de marca.
 

* Vídeo: tamborim da Mocidade

Harmonia
A escola cantou mais do que no primeiro ensaio. Isso foi visível, mas ainda é possível perceber componentes sem cantar o samba. A Mocidade pode melhorar nesse ponto. A disparidade entre as alas comerciais e de comunidade é clara, mas os componentes que sabem o samba, cantam-no com muita fibra. Destaque positivo para as alas de comunidade 4 e 17. Entre as alas que escorregaram no canto estão: comunidade 5, ala oba oba, ala fama e ala mil e uma noites. O andamento imposto ao samba também foi diferente do primeiro ensaio e isso refletiu no ganho do canto dos componentes. Devido a tonalidade da bela obra, fica praticamente inviável tocá-lo num andamento muito cadenciado.

Bateria
Não que a bateria da Mocidade tenha corrido. Longe disso. De maneira acertada imprimiu um andamento mais valente ao samba e contou com uma afinação muito bem definida em seus surdos de primeira e segunda para dar sustentação a isso. Mais uma vez, a superdireção de bateria, formada por Andrezinho, Beréco e Dudu, optou por não fazer as bossas que serão executadas no desfile oficial na maior parte da pista. As fez apenas no fim do ensaio e, uma delas, dentro do segundo Box. De negativo a breve descompassada apresentada pelos tamborins durante uma bossa, em frente ao setor 3. Vale lembrar que com a nova arquitetura do Sambódromo, o som do carro de som demora mais a chegar na frente da bateria, local dos tamborins e demais peças leves.
 

A bateria, que terá a fantasia Pincel de Portinari, contou com 235 dos 264 ritmistas que vão desfilar. Em conversa com o CARNAVALESCO, mestre Bereco disse que a bateria terá surpresas no carnaval. – Não colocamos tudo que traremos para o desfile oficial hoje, pois acredito que o barato da história é a surpresa. Preparamos novidades fantásticas para o dia do desfile oficial. Considero que o ensaio foi ótimo para a proposta que tínhamos para hoje. Com a nova Sapucaí tudo será uma novidade. Perdemos o paredão do lado direito onde o som batia e voltava, para a bateria vai ser tudo muito diferente, mas só veremos definitivamente como ficará, pois não ensaiamos com o som oficial dos desfiles.

Bereco ainda revelou que mestre Odilon estará presente na Super Direção de Bateria. – O Odilon está confirmado na Super Direção de Bateria. Não pode estar presente hoje por outros motivos profissionais. Mas temos bossa, que foi elaborada por ele e no desfile estará presente junto conosco.

Evolução
Tudo corria de maneira perfeita na evolução da Mocidade até a entrada da bateria no segundo recuo. Entrando de trás no box, algo praticamente abandonado pelas demais escolas, a bateria abriu para a passagem da ala de passistas, mas a ala da frente não esperou o término da movimentação e um buraco relativamente grande se formou. O diretor de carnaval da escola, Ricardo Simpatia, considerou normal o ocorrido:

– Isso está justificado para os julgadores. É uma manobra diferente que estamos fazendo e já foi passado até durante o curso de julgadores. É humanamente impossível um grupo de 60 passistas ocupar o mesmo espaço de 270 ritmistas. É natural que aconteça um espaçamento da ala de passistas. O ensaio está aprovado. A Mocidade cantou muito e mostrou garra num dia em que caiu um temporal no início da noite, mas mesmo assim a comunidade compareceu e provou que a Mocidade, juntamente com o trabalho do Alexandre Louzada, tem condições de brigar pelo título.

A escola terminou o seu ensaio em 70 minutos e o destaque da evolução foi a ala de baianas, alegre, participativa e muito bem vestida.
 

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