Mocidade escolhe seu samba para 2016 na expectativa de voltar aos velhos tempos

Vivendo um clima de renascimento e na expectativa de boas colocações, a Mocidade dará mais um passo para o Carnaval 2016 neste sábado, quando realizará a sua final de samba-enredo. A verde e branca, que tem como enredo ‘O Brasil de La Mancha – Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes. Sou Quixote cavaleiro, Pixote brasileiro’, de autoria dos carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira, recebeu 33 sambas concorrentes e levará quatro obras para a final. A rainha de bateria da escola, a cantora Claudia Leitte, estará presente na noite. A quadra da Estrela Guia estará aberta a partir das 22h. O público presente poderá assistir ao tradicional show dos segmentos da escola por volta da meia-noite e as apresentações dos sambas finalistas devem começar às 1h30. A previsão é que o samba campeão seja anunciado por volta das 5h30 da manhã. Os sambas se apresentarão com 12 passadas no total. Serão três somente com os cantores, quatro com a bateria, duas somente com a torcida e, ao fim, três com a bateria.

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“Vamos escolher o samba que a comunidade tiver abraçado”, afirma diretor de carnaval

O diretor de carnaval da Estrela Guia, Rômulo Ramos, enalteceu a qualidade das obras que estiveram na disputa da agremiação. Segundo ele, “não vai ganhar o samba que se apresentar melhor”, e sim o samba que cumprir com os critérios necessários ao julgamento, em letra e melodia, e que proporcione um bom rendimento para a bateria e para o canto da comunidade. Rômulo explicou que a escolha do samba na Mocidade é feita através de uma comissão julgadora, em que votam patrono, presidente, vice-presidente, carnavalescos e uma equipe técnica que conta com diretor de carnaval, mestre de bateria, intérprete e vice-presidente musical, entre outros. – À mim, enquanto diretor de carnaval, cabe escolher a linha melódica que melhor atenda à escola. As quatro obras estão perfeitamente dentro do enredo, agora vamos ver qual melhor se encaixa à nossa bateria, ao nosso andamento característico. A diretoria tem como missão dar à comunidade o samba que mais a agradou, o samba que caiu nas graças dos independentes.

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Edson Pereira, diretor artístico da Mocidade, falou ao site CARNAVALESCO sobre o que espera do samba campeão. Segundo ele, todos os sambas estão adequados ao enredo e o que irá pesar na escolha será a aceitação da comunidade. – Os compositores entenderam muito bem a nossa mensagem. Tivemos sambas que caíram agora na semifinal e eram muito bons. Nosso enredo é muito atual, tem tudo para ter fácil leitura e conquistar o público. Tem tudo a ver com o atual momento do Brasil, tanto político quanto social. Nós vamos falar do povo brasileiro. Edson contou que a escola começou cedo os trabalhos no barracão e promete ser uma das mais adiantadas para o próximo carnaval. Segundo ele, três alegorias já estão em partes bem avançadas do processo, já próximas de serem colocadas as esculturas. – Nós procuramos analisar os quesitos em que a escola era mais despontuada nos últimos carnavais e trabalhamos em cima deles. Estamos fazendo um trabalho minucioso de barracão. O público pode esperar uma Mocidade diferenciada, ousada, com uma nova identidade.

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Compositores finalistas falam sobre suas expectativas e preparativos para a noite

Wander Pires, compositor da parceria com Jefinho Rodrigues, Wander Pires, Marquinho Índio, J. Medeiros, Domingos Pressão, Jonas Marques, Paulo Ferraz, Lauro Silva e Lero Pires, acredita que o diferencial de seu samba é ter “aceitado em cheio” no coração da comunidade de Padre Miguel. Wander afirma que ele e seus parceiros se preocuparam em fazer uma letra identificada com as tradições da escola e destacou os versos “Eu hei de cantar por toda vida/ Minha Mocidade, escola querida” como trecho mais emocionante da obra. –Nós procuramos fazer um samba à altura da história da Estrela Guia. A Mocidade é a minha casa, onde eu tenho minhas raízes. Eu participo de muitas disputas de samba como intérprete, mas, nesse caso, faço com mais amor. E também é a única disputa em que estou como compositor.

Wander disse ter contado com a ajuda de amigos, que divulgaram o samba e apoiaram a obra na quadra, para chegar até o fim da disputa. A parceria promete realizar na final uma tradicional festa, com bandeiras e papel picado, e trazer uma torcida de 600 a 700 pessoas. – Nós queremos fazer uma apresentação para ganhar, embora a gente tenha respeito pelos outros sambas, que também têm condições. É claro que eu quero que o meu samba ganhe, mas, se isso não acontecer, que ganhe o que for melhor para a escola. Nós estamos acreditando muito na atual diretoria da Mocidade e temos certeza de que eles vão saber escolher muito bem. Eu sempre mantive boa relação com as pessoas da Mocidade, e fui muito bem recebido agora nesse meu retorno como compositor. Estou muito feliz – afirmou Wander, que tirou de um verso do seu samba a sua sugestão para a manchete do CARNAVALESCO: "Verás que um filho teu não foge à luta".

Ribeirinho, compositor da parceria com Rodrigo Barbosa, Elton Babu e Jorge Maia, apontou como destaque da obra o verso “Vai cavaleiro, rumo à vitória/ Resgata o caminho do bem” e elegeu o refrão principal como o trecho de mais força na quadra. Ribeirinho acredita que a diretoria irá escolher o samba que tiver conseguido “cativar os segmentos e a comunidade”. – Nós tivemos uns três ou quatro encontros. Como éramos todos muito ocupados, criamos um grupo no Whatsapp e ficávamos nos falando por lá. Aí, cada um ia dando uma ideia de letra, gravava uma melodia e mandava. A modernidade está nos ajudando muito – disse. Para a final, Ribeirinho afirma que a parceria gastou cerca de 80 mil em toda a disputa, valor que o compositor considera inevitável nos dias de hoje, devido aos “palcos caríssimos” e as “torcidas cheias”.

Ribeirinho conta que começou a compor na Mocidade em 1998, ficando até 2001, quando se mudou para a Beija-Flor e sagrou-se campeão em alguns anos, inclusive em 2015. Nessa “peregrinação”, conforme ele mesmo chama, também passou pelo Salgueiro e, agora, está de volta à Estrela Guia, justificando seu retorno por confiar na nova diretoria da agremiação. – A atual diretoria está buscando reerguer a escola, recuperar aquela velha Mocidade. Eu comecei compondo na escola justamente nessa época de ouro. Fui campeão na Beija-Flor ano passado e agora, com toda humildade, quero repetir o feito, ganhando o samba no sábado e ajudando a escola a ser campeã do carnaval – afirmou o compositor. Por essa razão, sugeriu para o site CARNAVALESCO, após a final, a seguinte manchete: “Ribeirinho sai campeão da Beija-Flor e volta à Mocidade também conquistando a vitória”.

Diego Nicolau, compositor da parceira com Gabriel Teixeira, Irlan Rios, Edu Velocci e Ricardo Mendonça, destacou como seu trecho preferido do samba os versos “Canta, minha Mocidade, faz esse Brasil mudar/ Barreiras vão existir, mas é preciso seguir/ Sonhar, sonhar”. Diego afirmou que a parceria se preocupou não só em fazer um samba que emocionasse, mas que também tivesse qualidade técnica, sendo “fiel ao enredo” e “pensado para a bateria da Mocidade”. – Nós nos reunimos umas quatro vezes. O diferencial da nossa parceria é que tanto eu, como cantor do carro de som da escola, tanto o Gabriel, que é cavaquinista aqui também, conhecemos bem a dinâmica da Mocidade, a forma como ela desfila, o que se encaixa na escola. É uma parceria de pessoas que amam a Mocidade.

Diego afirmou que o samba foi “abraçado pela comunidade” e que a parceria promete fazer uma grande festa na apresentação deste sábado, investindo, principalmente, no canto da torcida, que deve contar com 600 a 700 pessoas. Diego contou que, ao longo da disputa, a parceria deve ter gasto cerca de 60 mil reais.  – Nosso samba agradou aos segmentos, foi ganhando espontaneamente torcedores da escola. A parte final do samba toca o coração dos independentes, virou até nosso alusivo na quadra. Estamos sonhando em conquistar a vitória igual diz o samba: “barreiras vão existir, mas é preciso seguir… sonhar, sonhar” – disse o compositor. Por isso, ele gostaria de ver no site CARNAVALESCO a seguinte manchete: “A parceria de Diego Nicolau sonhou e conquistou a vitória na Mocidade”.

Paulinho Mocidade, compositor da parceria com Dico da Viola, Denilson do Rozário, Léo Peres, Mauro Dias, Rogerinho, Cristiano Placido, Xandy Biral, Tunicão Rangel, Carlinhos da Chácara, Reinaldo Azevedo, Davi Fernandes e Flavinho Bento, aposta na junção de nomes experientes da Estrela Guia com compositores jovens como segredo de sucesso da parceria. Ele classificou a melodia da obra como “muito envolvente” e elegeu como trecho de maior destaque na obra os versos “Mocidade Independente, és a voz da esperança, coragem, bonança/ Em nome desse sonho, erga essa bandeira/ Brava gente brasileira, brava gente brasileira”, que, segundo ele, refletem perfeitamente o “atual momento político do país”. – Se as pessoas forem analisar a letra do nosso samba, vão ver algo muito adequado com a situação pela qual o povo brasileiro está passando atualmente. Nós nos preocupamos em fazer um samba valente, pra cima. O samba saiu facilmente, foi brotando naturalmente, graças ao pique novo dessa garotada e à experiência minha e do Dico da Viola.

Paulinho, que espera conquistar a sua quarta vitória na escola, afirma que ele e seus parceiros gastaram em torno de 60 mil na disputa, valor considerado “absurdo” pelo compositor, que criticou os altos custos das disputas de samba atuais. Para a final, o compositor promete uma grande festa, não só com os elementos tradicionais como bandeiras e papel picado, mas também “carteiras de identidade” gigantes, em referência ao samba. A torcida da parceria deve contar com cerca de 400 a 500 pessoas.– Uma coisa muito legal que a gente trouxe na semifinal foram as carteiras de identidade, que os nossos torcedores ficam balançando. O nosso samba fala que “Vila Vintém, minha raiz/ Quem tem na identidade o verde e branco/ É obrigado a ser feliz”. Por isso, trazemos identidades com imagens de grandes figuras da escola, como Dr. Castor, Toco, Chico Mendes, e até nós próprios, Tico da Viola e Paulinho Mocidade – conta Paulinho, que sugeriu ao CARNAVALESCO a manchete: “Os carimbados veteranos Paulinho Mocidade e Tico da Viola saúdam os novatos de sua parceria numa grande vitória da Mocidade Independente de Padre Miguel”.

SERVIÇO:
Data: 17/10 (Sábado)
Endereço: Av. Brasil, 31.146, Padre Miguel
Horário: A partir das 22h
Apresentação dos segmentos: 00h00
Início da disputa: 1h30
Apresentação dos finalistas: 30 minutos
Previsão de anúncio: 5h30
Táxi Centro: Cerca de R$ 80,00
Táxi Zona Sul: Cerca de R$ 90,00
Táxi Tijuca: Cerca de R$ 75,00