Mocidade reinaugura quadra antiga e dá pontapé para projeto social na comunidade

Por Eduardo Fonseca. Fotos: Allan Duffes

mocidade_inaug-quadra_11Com novo nome e de volta às suas raízes, faltando exatas duas semanas para o desfile de 2018, o antigo e restaurado templo da Mocidade Independente de Padre Miguel serviu de palco para a realização de um evento carregado de simbolismo e emoção para os Independentes. Agora, nomeado Centro Social e Cultural Mocidade Independente de Padre Miguel, solo de comemorações de cinco dos seis títulos da escola da Zona Oeste, no passado, o local já recebeu grandes nomes que ajudam a contar a história do carnaval como: mestre André, Toco, Ney Vianna, Paulinho Mocidade, Vô Macumba, Castor de Andrade, Tião Miquimba, Tiãozinho da Mocidade, Tia Nilda, entre outros.

As pessoas que compareceram estavam felizes e foi possível perceber o sorriso estampado no rosto de cada independente. O show, que antecedeu a apresentação dos segmentos, foi comandado pelo grupo Remandiola, com a participação de Jaci Campo Grande, um dos compostores da Mocidade. Ele cantou o samba ‘A festa do divino’, da Estrela-Guia em 1974. Débora Cruz que é integrante do carro de som da Mocidade e sobrinha do sambista Arlindo Cruz cantou ‘O meu lugar’, composição de Arlindão.

O ponto alto foi a participação para lá de especial de Paulinho Mocidade. o cantor foi o intérprete do bicampeonato de 90/91 e vencedor de três sambas na escola. Ao ser anunciado, Paulinho foi bastante aplaudido por quem estava presente no evento. O cantor conversou com a reportagem do CARNAVALESCO sobre a emoção e representatividade da reinauguração da antiga quadra.

mocidade_inaug-quadra_21– E sou nascido e criado aqui. Estou em casa – disse Paulinho.

O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, contou que na obra da quadra foi trocado desde o telhado até a pintura, passando pela iluminação, construção de salas de aula, parte elétrica e hidráulica. A escola não investiu nada na reforma. Toda a obra foi custeada pela Supervia e com mão de obra da comunidade.

– Nossa ideia era a revitalização da quadra. Queríamos a quadra como era no passado. Conseguimos esta parceria com a Supervia. Finalizamos a primeira etapa. Vamos criar uma escola para o carnaval. Não só para a Mocidade – informou o dirigente.

A Mocidade iniciará a segunda etapa de revitalização após o Carnaval 2018 com o início das ações sociais e curso profissionalizantes. Segundo Pacheco, os cursos começarão a serem ministrados após o carnaval. Na próxima semana já deve começar as inscrições. O nome do projeto será “Super Mocidade em ação”. Serão oferecidos os cursos de oficina de percussão, o projeto Passos da Zona Oeste, da ala de passistas, e a Escola do Carnaval, aonde terão cursos de qualificação não só para a Mocidade, mas para todas as escolas, como serralheria, carpintaria, laminador, soldador, corte e costura e aderecista.

mocidade_inaug-quadra_42Tia Nilda, presidente da ala das baianas, estava muito emocionado com o momento. – É uma emoção muito grande estar aqui. Lembro de pessoas que já se foram – contou. Comandante da bateria, mestre Dudu ressaltou estar em casa. – Estou muito feliz com este momento. Estava de casa ouvindo o pagode e o Damasceno (locutor) falar já estava todo arrepiado. Comecei aqui com oito anos de idade – disse Dudu. A rainha de bateria, Camila Silva, ficou encantada como o espaço revitalizado pela escola

– Quando eu vim aqui para fazer fotos eu já senti esta energia. A nossa quadra atual é linda, mas não tem a mesma energia. Hoje vai ser a primeira vez que vou sambar aqui – brincou a rainha. * VÍDEO: CAMILA SILVA SAMBA NA ANTIGA QUADRA

Marcinho e Cris Caldas também comentaram o momento que vive a Mocidade. – Estou com a emoção a flor da pele de estar aqui. Vou fazer parte do projeto para ajudar – citou a porta-bandeira. – Espero ter muitas histórias legais aqui nesta quadra – complementou o mestre-sala.

Para finalizar o dia histórico os segmentos da Mocidade se apresentaram sob o comando da bateria “Não existe mais quente”. Wander Pires enfileirou sambas históricos da Mocidade desde a sua estreia como intérprete oficial em 1994, passando pelo também o antológico Ziriguidum 2001 e Tupinicópolis. O cantor declarou seu amor para Mocidade.

– Eu já estive em várias escolas. Portela, Imperatriz, Grande Rio…. Mas, vou morrer Mocidade – finalizou Wander.