Mocidade se reecontra com sua história, mas erros comprometem desfile

 

 

A Mocidade Independente de Padre Miguel está volta e deixou isso muito claro na sua melhor passagem pela Sapucaí nos últimos 10 anos, tranquilamente. Uma escola que cantou e evoluiu do início ao fim e componentes que estavam nitidamente emocionados com o que viam na avenida, a sua escola de novo forte. Entretanto a empolgação e a emoção deixados pelos independentes não conseguiram apagar alguns erros cometidos pela escola. A comissão de frente não veio bem, os competentes Rogerinho e Lucinha Nobre falharam na apresentação para o Módulo 1 e a harmonia da escola veio vestida com camisas do Sport, em alusão ao título Brasileiro de 1987, e a escola pode ser penalizada, uma vez que o merchandising é proibido pelo regulamento da Liesa.

* VEJA FOTOS DO DESFILE

Paulo Menezes desempenhou um excelente trabalho na apresentação do enredo "Tupinicópolis", uma homenagem mesclada a Fernando Pinto e ao estado de Pernambuco, terra do carnavalesco. Talvez um dos enredos de mais fácil leitura que tenha passado pela avenida. Muito bem diferenciados os setores que homenageavam o artista e aqueles que enalteciam o estado. Falhou apenas no setor que vinha após o 6º carro, que misturou a cultura pernambucana com espaço sideral, numa clara tentativa de mescla, que não se mostrou tão eficaz.

A comissão de frente da escola esteve muito abaixo do restante do desfile. O elemento alegórico que trazia uma nave espacial, em alusão ao enredo "Ziriguidum 2001" de 1985, tinha falhas graves de acabamento. Some-se a isso o fato de que os componentes da comissão chamavam alguém das frisas para as apresentações em cada módulo, como se a pessoa tivesse sido abduzida. Boa estratégia de comunicação com o público, mas que quebrou o conjunto da indumentária, uma vez que faltava a fantasia. A coreografia também esteve simplória. O casal de mestre-sala e porta-bandeira cometeu um erro grave na apresentação para o primeiro módulo, quando a bandeira da escola tocou em Rogerinho. Nas demais cabines excelente a apresentação. Destaque para a fantasia futurista deles, com bananas prateadas.

O excelente samba da Mocidade passou muito bem no desfile da verde e branco de Padre Miguel, com uma excelente exibição do carro de som, comandado por Dudu Nobre e Bruno Ribas. Todas as alas cantaram com muita vontade a obra e não houve nenhuma parte do desfile em que fosse possível notar uma quebra na linearidade do canto. No último módulo de julgamento, onde as agremiações costumam passar cansadas, a escola chegou cantando da mesma maneira e com a exibição da bateria para os jurados, o que se pode notar foi um encerramento apoteótico da passagem da Mocidade, ao menos no aspecto de chão.

Com o bom desempenho do samba, a Mocidade acabou também tendo uma evolução linear no aspecto de espontaneidade do componente. Alas passaram brincando, componentes interagindo entre si e com o público e sem aquela evolução militar que nos acostumamos a ver em algumas escola. Entretanto a escola enfrentou problemas no primeiro módulo, com a abertura de alguns buracos. Nada muito grande, mas os espaçamentos foram nítidos. Houve também uma quebra de conjunto no setor que vinha após o sexto carro, uma mistureba para colocar juntos Pernambuco e Fernando Pinto.

Paulo Menezes nitidamente abandonou seu estilo barroco para desenvolver as fantasias da Mocidade para 2014. E acertou em cheio. Algumas alas, sobretudo no primeiro setor careciam de um melhor acabamento, mas o conjunto de figurinos esteve em sua maioria com fácil leitura e bom acabamento. O setor que vinha depois do abre-alas foi o de maior acerto de Paulo, com belíssimas roupas, de fácil entendimento e que permitiam ao componente desfilar com conforto.

Conjunto de alegorias irregular da Mocidade. O abre-alas esteve bem concebido, mas a execução foi falha, com diversas falhas de acabamento. Alguns tripés também estiveram aquém no aspecto de acabamento. Além do já citado na comissão de frente, um que trazia o Padre Cícero, veio com problemas. Destaque positivo para o segundo carro, "No colorido do folclore vem brincar" e o terceiro, "Um personagem peregrino de Cordel".  

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