Mostrando originalidade nas fantasias, Sereno passa bem na Sapucaí

Terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí na noite desta terça-feira, o Sereno de Campo Grande manteve média de bons desfiles na terceira divisão do samba carioca. A agremiação da Zona Oeste contou bem o enredo sobre a noite, com fantasias originais e alegorias bem acabadas. O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Thiago Alves. Não foi um desfile que a escola possa se credenciar para desfilar no Grupo de Acesso A em 2012. Se manterá sem sustos no Grupo B e pode até beliscar uma vaga entre as cinco primeiras colocadas. A comissão de frente foi o ponto alto do desfile.

A originalidade da Azul e Branco ficou clara ainda na apresentação da comissão de frente. No clima do enredo, os comandados pelo coreógrafo Davi Lima, se apresentaram fantasiados de horripilantes criaturas da noite, que atormentavam a mocinha, vestida de noiva. Em determinado momento da coreografia, as criaturas levavam a noiva para a entrada do tripé, uma espécie de escadaria com o luar ao alto, e ela se transformava em uma noiva-zumbi, com direito a sangue caindo da boca e tudo mais. O grupo foi bastante aplaudido no setor 10.

O primeiro casal da escola, Márcio e Gisele, com uma bela fantasia, representando o luar. Apesar do bailado sem tantos movimentos difíceis, a dupla se saiu bem, mas, em frente à primeira cabine, Gisele deixou a bandeira enrolar ligeiramente. No quarto setor, a porta-bandeira teve problemas com a fantasia. O esplendor estava caindo e isso acabou prejudicando sua apresentação.

A originalidade nas indumentárias continuou em praticamente todas as alas do Sereno. As que mais destacaram foram: a ala fantasiada de gatos, a ala das baianas e uma ala que distribuiu balas e fez a festa da criançada. As alegorias apresentaram capricho no acabamento, mas a concepção estética nem sempre alcançou o resultado esperado. Na última alegoria, a iluminação não funcionou. Na segunda alegoria, havia um rapaz calçando tênis, ao invés da bota da fantasia.

Os principais erros do Sereno foram vistos na evolução e na harmonia. No primeiro, a escola vacilou no andamento de seu desfile: começou muito rápido e terminou de forma bem morosa. Algumas alas como a ala das crianças e ala fantasiada de gato passaram desorganizadas e espaçadas em praticamente todos os módulos. Na frente do último carro, havia um imenso espaço para três destaques de chão. Já na harmonia, o canto da escola deixou muito a desejar. Era difícil ver componentes cantando o samba, exceto nas duas últimas alas.

A bateria do Sereno de Campo Grande deixou um pouco a desejar. Os tocadores dos surdos de primeira e segunda tocaram com força excessiva e desnecessária. O fato fez com que a afinação destes instrumentos caísse consideravelmente, o que gerou uma sonoridade desconfortável.