MUG e Boa Vista se destacam em noite de surpresas no carnaval de Vitória

Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Toninho Ribeiro

A noite de desfiles do Grupo Especial de Vitória foi repleta de surpresas positivas e negativas. A primeira boa foi começar categoricamente no horário previsto. Houve uma queda de qualidade nos desfiles do ano anterior para 2018. Talvez, pela incerteza de ter ou não carnaval, devido a disputa entre as duas ligas sobre o comando dos desfiles. Na próxima quarta-feira, às 15h, será conhecida a grande campeã do carnaval capixaba. A briga entre o título será como em 2017. MUG e Boa Vista irão travar uma disputa sadia durante a leitura das notas. Veja abaixo a análise de cada desfile.

Andaraí

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Contando o dia da mentira, com o enredo “Quem conta um conto, aumenta no ponto com a certeza de quem viu. Mas não leve tão a sério, é 1º de Abril” a verde e rosa de Santa Martha tem bastante com o que se preocupar. O desfile, que iniciou após três minutos do sinal verde, começou problemático com a entrada do abre-alas. O volante do carro quebrou e causou uma parada na escola por aproximadamente 5 minutos. Nesse espaço de tempo a harmonia optou por passar algumas alas, incluindo a bateria na frente da alegoria. A troca não deu muito certo, e devido a distância que ficou entre carro de som e ritmistas, pode-se perceber que o sincronismo entre intérprete e bateria se perdeu e o samba atravessou a avenida. Após a paradinha executada pelo mestre Kaio Amorim tudo se encaixou novamente. Algumas bossas executadas pela bateria chamaram atenção do público e levantaram o astral do desfilante que já não estava tão confiante na permanência grupo. Ultrapassando quatro minutos do tempo regulamentar, o Andaraí vai perder pontos nas obrigatoriedades e é uma das cotadas ao rebaixamento.

Novo Império

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Homenageando o sindicato da estiva (“No vai e vem do mar…Lá se vão 100 anos do Sindicato da Estiva”), a escola mostrou que vem amadurecendo a cada ano desde o seu retorno ao Grupo Especial em 2016, e que sonha alcançar melhores colocações. A comissão de frente que representava os falcões negros, comandada por Andrezinho Castro, fez uma apresentação simples, porém sem erros. Apesar de ter conseguido desfilar com o tempo cravado em 60 minutos, alguns problemas em evolução podem prejudicar os planos da Novo Império. A escola passou por problemas em dois dos quatro carros alegóricos. Houve dificuldade para acoplar o abre-alas e um pequeno buraco se formou antes da primeira cabine de julgadores até que o carro pudesse entrar corretamente. O pneu do segundo carro estourou e fez com que a direção reduzisse o numero de destaques em cima dele. Com isso a alegoria que representava a Favela dos Alagoanos entrou na passarela com diversos espaços vazios, o que vai causar desconto nas notas. Comandada por mestre Gle e seus diretores, a Orquestra Capixaba de Percussão mostrou a todos do Sambão do Povo o motivo desse apelido. Bossas surpreendiam durante quase todas as passagens do samba e coreografias arrancavam aplausos de todos os presentes, incluindo dos jurados.

Piedade

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A terceira escola da noite também passou por diversos problemas. A anágua da primeira porta-bandeira Alana quebrou ainda antes do sinal verde e ela e seu companheiro Tatu foram substituídos pelo segundo casal. Ainda que a troca tenha sido feita antes do desfile começar, a pontuação de mestre-sala e porta-bandeira vai ficar prejudicada porque a roupa era bastante inferior a do primeiro e não tinha tanta leitura naquele setor, além da apresentação não ter sido atrativa. O enredo “Pra não dizer que não falei das flores…”, desenvolvido por Paulo Balbino, trouxe alegorias grandiosas com movimentos. Um unicórnio a frente o abre-alas se destacou pelo tamanho, mas também pelos movimentos iam bem próximo do público. Outro problema observado no desfile foi durante a passagem do abre-alas no segundo módulo. Por alguns instantes o carro não andou e a ala da frente se distanciou, resultando num grande buraco bem em frente aos olhos dos julgadores. Com 59 minutos a Piedade fechou seu desfile sem ultrapassar o limite permitido por regulamento e deve brigar por posições altas na tabela apesar dos problemas.

Boa Vista

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O relógio marcava 1h40 da manhã quando a atual campeã entrou na avenida. O enredo “Sou Boa Vista…Sou Madiba. O canto da igualdade que ecoa no Centenário de Mandela”, desenvolvido por Robson Goulart, foi muito bem apresentado na avenida com alegorias grandiosas e fantasias de fácil leitura desde a comissão de frente até o último setor. A comunidade de Cariacica, mais uma vez, deu um show a parte e sustentou o canto do samba, de excelente qualidade, durante o tempo que a escola passou pela avenida. Alguns pequenos detalhes podem interferir na apuração, como as notas de casal no segundo módulo. Em determinado momento da apresentação de Bruno Simpatia e Vanessa Benitez o mestre-sala demorou para pegar a bandeira e faltou acabamento abaixo do adereço do pescoço na fantasia da porta-bandeira, um tecido laranja aparentando ser de acolchoado chamou atenção por não estar dentro do padrão de beleza proposto pela fantasia. Comandada pelos mestres Douglas, Matheus e Gustavo, a bateria também merece ser destacada. Uma das bossas em que apenas os repiques tocavam durante o refrão principal levou o público do setor E ao delírio.

MUG

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A Mocidade Unida da Glória estava luxuosa e mais uma vez mostrou porque é sempre favorita durante todo o pré-carnaval. Estreando na escola, Osvaldo Garcia levou o enredo “Entre confetes e serpentinas, uma paixão sem igual… Olhares que se cruzam, bocas que se beijam… Amores de carnaval” e transformou o Sambão do Povo num grande baile de carnaval desde a comissão de frente. Com um elemento alegórico em formato de coração, a comissão possuía dois momentos. O primeiro era o cortejo do pierrot com a colombina num baile, em seguida, os componentes entravam na alegoria ela se fechava. Ao se abrir, novos integrantes apareciam fantasiados de roupas tradicionais do carnaval. Seria um desfile quase perfeito da MUG, porém três problemas no segundo módulo de jurados podem fazer a escola perder décimos preciosos: a iluminação do abre-alas não funcionou até o final da avenida, durante a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira um grande buraco se formou e enquanto a bateria saia do recuo outro buraco foi formado. Mesmo com a rainha Fernanda Figueiredo dando alguns passos a mais, ficou aparente para os jurados. Apesar disso, ainda sim é favorita ao lado da Boa Vista.

Pega no Samba

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Apostando no carnavalesco carioca Junior Pernambucano, o Pega no Samba levou para o Sambão do Povo a história do chocolate (“Na celebração ao Chocolate, a locomotiva dá um show!”). Além de todas as adversidades que acontecem num desfile, o Pega ainda teve que enfrentar uma forte chuva que iniciou assim que o sinal verde foi dado. O intérprete Danilo Cezar mais uma vez mostrou o porque é tão elogiado por onde passa. Ao lado de seu carro de som o cantor fez uma grande apresentação e deve garantir as notas dez que cabem ao seu quesito. Bateria de mestre Jorginho executou com competência todas as bossas propostas e mesmo com muita chuva os diretores conseguiram manter a afinação dos instrumentos. A fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira era rodeada de penas, tanto na saia, quanto no costeiro de ambos, porém, o excesso de chuva acabou danificando as penas e deixou a roupa sem o volume que era previsto. A apresentação foi feita com muita dificuldade em todos os módulos, pois além da preocupação do sincronismo, a passarela estava encharcada de água, tornando o caminho bastante difícil.

Jucutuquara

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Conhecida por seus enredos que possibilitam luxo e grandeza a Unidos de Jucutuquara optou por um enredo afro para reencontrar a vitória. De olho no campeonato a escola contratou o carnavalesco campeão pela Boa Vista em 2017, Petterson Alves, que propôs o enredo “Ambrósio, o imortal”. O desfile em si já aparentava estar repleto de problemas e a chuva intensificou ainda mais. As fantasias não tinham acabamento e diversas alas vieram com roupas comuns na parte de baixo, incluindo a ala de passistas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Max Dutra e Thais Santos veio com uma fantasia criativa, onde não havia penas em lugar algum, porém, a apresentação deixou um pouco a desejar. Thais não aparentava estar confortável com cinto em que a bandeira fica encaixada, e em determinado momento por um deslize o pavilhão encostou em seu companheiro. Símbolo da escola, a coruja, foi uma das mais prejudicadas no acabamento. Fechando o desfile, no último setor, o rosto e as asas estavam mal pintados e a tinta escorria pela avenida. A forte chuva já havia espantado quase todos o público do Sambão do Povo, e o que restou não foi cativado pela escola, pois poucos componentes sabiam a letra do samba e não passavam empolgação de uma escola que visa ser campeã.