Muita gente e canto forte no ensaio técnico da Grande Rio

Ser a última escola a desfilar não é tarefa das mais simples, mas com muita união e trabalho sério a Acadêmicos do Grande Rio promete encarnar o espírito de seu enredo e superar essa possível adversidade. Se depender do rendimento de canto da escola durante um dos ensaios técnicos de terça-feira realizados em sua quadra, o torcedor da escola pode se encher de esperança para brigar pelo título em 2012. O site CARNAVALESCO visitou a quadra da Grande Rio em mais uma reportagem da série 'Ensaio Técnicos de Quadra' e conta pra você como funciona o treino.

Mesmo ainda tendo oito alas comerciais em seu plano de desfile, a Grande Rio é, sem dúvida, uma das agremiações que contam com o maior contingente de componentes ensaiando em sua quadra. Mais de duas mil pessoas participam do treino que, do palco, é embalado pelos integrantes do carro de som e pela bateria Invocada do mestre Ciça. Assim como o segundo casal, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luiz Felipe e Squel, também fazem parte do ensaio. Eles, juntamente com diversas alas de comunidade e as passistas, evoluem de maneira circular pela quadra, simulando a evolução de desfile. No centro, alas coreografadas compõem o cenário.

Tudo é comandado pelo diretor de carnaval e harmonia da agremiação, Tavinho Novello, que explicou o objetivo do ensaio realizado todas as terças, a partir das 21h.
 
– Graças a Deus recebemos um contingente bem grande durante esse ensaio e tudo vem correndo muito bem. Tem tanta gente que às vezes nem é possível fazer as alas girarem pela quadra, até porque o nosso objetivo nesse ensaio é fortalecer o canto da escola e o entrosamento entre carro de som e bateria. O momento na Grande Rio é ótimo. Tive a oportunidade de assumir o departamento de harmonia também e, ao lado do Milton Perácio, aumentamos o número de faltas permitidas por componente de um para três. Criamos um cadastro de reservas. Hoje quando alguém é cortado as pessoas da reserva são encaixadas, está mais organizado e menos traumático. A nossa intenção não é agir com truculência com ninguém. Quando a pessoa falta e consegue nos justificar, nós abonamos a sua falta. Queremos que o componente acredite na importância dele durante o desfile. Ele precisa desfilar solto, alegre, mas sabendo de sua responsabilidade – afirmou Tavinho.

O diretor de carnaval explicou também que houve um aumento de vagas para componentes da comunidade dentro das alas e que atualmente não é mais possível ensaiar todas as alas na terça-feira. A solução encontrada foi transferir o ensaio de alas como a das baianas, por exemplo, para a quarta-feira. Outras alas também ensaiam ás quintas e sextas de forma separada. A partir do dia 08 de janeiro, porém, toda a escola se encontra aos domingos, durante os ensaios de rua, que acontecem no Centro de Caxias.

A diferença entre o ensaio na quadra e o ensaio na rua para o trabalho da harmonia foi abordado por Tavinho.
 
– Na quadra é o canto, a rodadinha na quadra não te permite avaliar a evolução. Na rua você anda mais, treina o entrosamento entre o componente da ala e o diretor responsável. Já avisei que não quero truculência. Nada de xingar componente. Adotamos a linha do Che Guevara: somos firmes, mas não perdemos a ternura. Na rua é possível também treinar as paradas nas cabines dos casal e da comissão de frente. É como se fosse um desfile. O nosso planejamento para o ensaio de rua é bem parecido com o de desfile.
 
O tempo do ensaio na quadra varia. Tavinho garantiu que pelo menos os 80 minutos que a escola tem para passar na Avenida são cumpridos, mas não é raro o ensaio se estender. No dia da visita do site CARNAVALESCO, por exemplo, o treino teve duas horas de duração. Chamou a atenção o forte canto dos componentes, que faz a obra ganhar vida a cada passada.
 
– Tá bom demais, mas pode melhorar. Vamos buscar a perfeição e vocês vão se surpreender. O trabalho é de equipe e está sendo feito com qualidade por todos os diretores. A responsabilidade é o título. Nós sonhamos com isso e são os componentes que vão trazê-lo. Sinto os componentes muito antenados com o momento da escola, estão felizes e com muita vontade de buscar o título.

Quem quiser conferir o rendimento do samba da Grande Rio para o Carnaval 2012 em seu ensaio técnico de quadra, basta ir até a quadra da agremiação, que fica na rua Wallace Soares, 5 e 6, Centro de Duque de Caxias. O ensaio começa às 21h e a entrada é gratuita.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Depois de um ano conturbado, quando, no ano de estreia dançando juntos, não tiveram a oportunidade de serem julgados, devido aos transtornos causados pelo incêndio de fevereiro, no barracão da Grande Rio, Luiz Felipe e Squel se dedicam ao máximo durante os ensaios da escola para alcançarem todas as notas dez no Carnaval 2012. A dupla confessa que durante os ensaios técnicos de terça-feira, na quadra, não é possível ensaiar a coreografia do desfile, mas ressaltam a importância do treino.
 
– O ensaio de terça tem a importância de estarmos juntos com a comunidade. Entramos no clima do carnaval e participamos da evolução do canto. Por falta de espaço não dá para ensaiarmos a nossa coreografia oficial, até porque nem todas as alas ensaiam na quadra neste dia, mas é importante sim – diz Squel.
 
– Eu vejo como um ensaio de Avenida. Não dá para fazermos a nossa coreografia mesmo, mas apresentamos a nossa coreografia de público. Esse ensaio nos aproxima da comunidade, recebemos toda a garra que eles têm – conclui Luiz Felipe.

A coreografia oficial do casal foi criada pela própria dupla em conjunto com a coreógrafa Adriana Salomão, desde 2010 na Grande Rio. Além da preparação da dança, Luiz Felipe e Squel também seguem com disciplina os mandamentos do bom condicionamento físico, tão importante para a resistência dos casais atualmente.
 
– O Felipe malha bastante eu também, mas procuro aliar a musculação com outras atividades como o alongamento, até para não ficar atrofiada e muito musculosa. Ensaiamos três vezes por semana, fora os ensaios de quadra, e isso já nos dá um condicionamento bacana – afirma a porta-bandeira.
 
– O segredo é estar com a cabeça boa. Além da musculação, me alimento bem, bebo bastante água e sou um cara tranquilo. Quando se está bem de cabeça, o físico também ganha – disse o mestre-sala que, assim como Squel, foi revelado na escolinha de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio.

Bateria

Uma bateria mais light. É dessa forma que mestre Ciça se refere ao que prepara para, mais uma vez, levantar a Sapucaí em 2012. A resposta de um dos mais consagrados mestres de bateria do carnaval atual vem na sequência da pergunta sobre o andamento que irá adotar com a Invocada de Caxias. Mesmo a Grande Rio sendo a última escola a desfilar, Ciça não acredita que seja necessário a bateria tocar num andamento mais acelerado.
 
– Podem ter certeza que a bateria da Grande Rio virá entre 143 e 146 batidas por minuto, não vai passar disso. Vamos passar cadenciados. Como já tinha dito: esse ano quero vir mais light. A Grande Rio é uma das grandes favoritas para ser campeã e eu quero colaborar. Vamos fazer paradinhas firmes, dentro da melodia do samba, até para o Wantuir e a escola se sentirem bem à vontade.
 
Sobre o ensaio técnico semanal na Tricolor de Caxias, mestre Ciça dá a dimensão do que o treino representa para a bateria.
 
– É um ensaio importante. Temos praticamente a comunidade toda dentro da quadra e a bateria também, além dos integrantes do carro de som. Na realidade, esse é o único dia da semana que temos para ensaiar canto e bateria. Já sabemos o pessoal que vai desfilar, mas estamos lapidando e vendo o que pode ser melhor para a bateria no desfile. Ajustar as paradinhas e o andamento. O nosso trabalho está enxuto, muito bem amarrado – disse ele, que comanda cerca de 200 ritmistas todas as terças, dois terços dos 300 que irão desfilar.
 
A nova acústica do Sambódromo, remodelado e ainda um terreno desconhecido para todas as baterias, fez com que Ciça pensasse em reduzir o número de ritmistas de sua bateria, mas ele prefere esperar e observar o resultado no próximo carnaval para tomar uma decisão embasada. Ao todo estão sendo ensaiadas sete bossas, mas o diretor de bateria admite que a intenção é usar apenas três durante o desfile. Para a definição das paradinhas que irão para o desfile, Ciça aguarda ansiosamente os ensaios de rua.
 
– Quando formos para a rua, vamos conseguir avaliar melhor a funcionalidade das paradinhas. Ao ar livre, dá pra saber melhor o efeito delas para o desfile da escola. Os ensaios de rua são muito importantes.
 
Este será o terceiro ano de Ciça à frente da bateria da Grande Rio.

 

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