Na abertura, dirigentes do Grupo A preocupados com despejo

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De um lado os dirigentes cobram maior subvenção do poder público e uma solução para as escolas que serão despejadas de seus barracões em breve na Zona Portuária. Do outro, a imprensa e o sambista que exigem um julgamento mais transparente e sugeriram novas propostas para o desenvolvimento da carnaval carioca. A abertura do seminário “Pensando o Carnaval”, nesta segunda-feira, na Facha, em Botafogo, serviu para discutir  e unir ideias. O debate teve a participação do presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo A, Reginaldo Gomes, dos jornalista Alberto João (editor do CARNAVALESCO), Eugênio Leal (Rádio Tupi), Fábio Fabato (Galeria do Samba), Bruno Filippo (Instituto do Carnaval) e mediado por Leonardo Bruno, responsável pela coluna “Roda de Samba”, do jornal Extra. Convidados para entregar a mesa, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira e o secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, não puderam comparecer

Contestado pela mesa sobre o julgamento do Grupo A e a demora na divulgação dos nomes do jurados responsáveis por avaliar as escolas, Reginaldo Gomes admitiu que há “erros no processo” de julgamento. No entanto, ele contou sobre as dificuldades de encontrar julgadores aptos a participar do júri.

– Nós temos condições hoje de pagar R$ 500 de pró-labore para os jurados. Fica difícil você exigir grande conhecimento. Além disso, quando tentamos chamar alguma pessoa para julgar um quesito específico como mestre-sala e porta-bandeira ou comissão de frente, o jurado sempre está ligado a uma agremiação. No primeiro ano de carnaval sob controle da Lesga, nós colocamos um coordenação independente para selecionar as pessoas. Descobrimos depois que um dos jurados era namorado de um carnavalesco – explicou o presidente da Lesga.

O jornalista Eugênio Leal aproveitou para relembrar a criação da Lesga a partir de uma cisão da Associação das Escolas de Samba após o carnaval de 2008.  Segundo o jornalista, os dirigentes do Grupo A não se mostram envolvidos no projeto de fortalecer o Sábado de Carnaval mas apenas sair do grupo o mais rápido possível e subir para o Especial. Para Eugênio, as escolas ainda erram ao tentar copiar o modelo das agremiações do grupo acima.  

– Falta planejamento. Estrutura. Nem sempre o presidente de uma escola de samba possui olhar de empresário. É necessário ter metas, objetivos, trilhar caminhos – destacou Eugênio que sugeriu ainda uma aprimoramento da ideia do marketing nas escolas de samba.

Para Fábio Fabato, com menos recursos, as escolas precisam investir na criatividade quebrando formatos.

– Falta um Paulo Barros. Não o estilo necessariamente, mas a busca de quebrar antigos formatos. Pegar o Manual e torcê-lo.

A grande polêmica do debate foi protagonizada pelo presidente da Santa Cruz. Zezo era um presentes na plateia do auditório. Quando os integrantes da mesa perguntaram os motivos do afastamento da secretária das culturas do processo de seleção do jurados do Grupo A em 2009, o dirigente da Santa Cruz tomou a palavra e questionou a idoneidade do órgão público.

– A secretaria era corrupta. Não era nada sério

Para surpresa de todos, o presidente da Santa Cruz ainda admitiu que “todo mundo faz oferta para os jurados”. Reginaldo Gomes preferiu não responder diretamente ao comentário do dirigente. O presidente da Lesga explicou apenas que o afastamento da secretaria  no julgamento dos desfiles foi voluntário e que não há interesse do poder público de assumir a seleção dos jurados”.     

Reginaldo Gomes usou o seminário para pedir ideias e cobrar das autoridades uma solução para as escolas de samba dos grupos A e B que receberam ação de despejo de seus barracões na semana passada. As áreas próximas da região da Rodoviária Novo Rio serão desapropriadas para dar lugar aos projetos de recuperação da área portuária. Entre as escolas que têm 30 dias para encontrar o novo barracão, estão a Viradouro e a própria Santa Cruz.

Segundo o jornalista Alberto João, esses problemas poderiam ser evitados se houvesse uma voz que representasse os interesses das escolas de samba e dos sambistas.

– Falta uma voz para cobrar das autoridades. Alguém foi ouvido sobre as obras do Sambódromo? Alguém avisou que o projeto do Porto Maravilha iria desapropriar vários barracões. E ainda há quadra da Tijuca que foi toda reformada e pode ser a próxima a ser obrigada a sair.

Nesta terça-feira, o seminário “Pensando o Carnaval” continua com outros duas mesas. A primeira será sobre o julgamento do quesito mestre-sala e porta-bandeira, a partir das 14h. Já a mesa da noite será sobre evolução, harmonia e conjunto. A Facha fica na rua Muniz Barreto,51, em Botafogo.

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