Na Praça Onze, bar e restaurante temático sobre carnaval ganha fama e atrai saudosistas

No cardápio, cada prato tem o nome de um samba-enredo famoso. A feijoada de sexta-feira se chama 'Aquarela brasileira' e é servida por uma equipe vestida de sambista. Além dos enredos, alguns pratos também levam o nome de rainhas de bateria famosas do Grupo Especial, como Monique Evans, Luiza Brunet e Viviane Araújo. Nas paredes, uma águia da Portela de cartola – em homenagem à Velha Guarda – e um mago que era parte do tripé da comissão de frente história que a Unidos da Tijuca levou para a Avenida em 2010, com 'É Segredo'. Nos quadros das paredes, momentos eternizados no Sambódromo que fica a poucos metros. Esse é o Baródromo: um bar tematizado com carnaval, criado praticamente ao lado da Estação de Metrô da Praça Onze e buscando atender o público saudosista do mundo do samba. Um dos sócios donos do restaurante, Felipe Trotta, contou ao CARNAVALESCO sobre a origem da ideia:

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– Nós já vínhamos pensando em abrir um bar, fizemos pesquisas de possíveis locais e chegamos aqui nessa localidade da Cidade Nova. Precisávamos de uma ideia, paramos para pensar e olhamos para o lado: o Sambódromo. Nasceu, então, o nome: Baródromo. Começamos a fazer a ornamentação, com muitas doações de amigos e outras peças que nós adquirimos. Todas elas já passaram desfilando pela Marquês de Sapucaí: desde os intrumentos que viraram luminárias até a fantasia de pinguim que chegou recentemente. Visitamos barracões e chamamos artesãos para poder refazer as peças. O mago da Tijuca era enorme e nós fomos cortando até ajustar ao tamanho do prédio. Queríamos uma águia da Portela e conseguimos a que temos aqui, foi da Filhos da Águia e veio com uma cartola, em homenagem à Velha Guarda da escola. Confeccionamos essa bandeira gigante em homenagem à diversas agremiações e decoramos o bar com fotos. Por enquanto, nosso público são os trabalhadores das empresas da redondeza, mas tem um público muito saudosista que costuma vir e se recordar de carnavais antigos.

Com versos de sambas-enredo memoráveis estampados nas paredes, como 'Contos de areia' e 'De bar em bar, Didi um poeta', o Baródromo conta com um andar térreo e um mesanino. Na escada, um grande painel mostra o arco da Apoteose formado por centenas de tampinhas de cerveja coloridas. Lá em cima, o mesanino é cercado por grades azuis, exatamente como as grades que demarcam a pista da Marquês de Sapucaí. Do teto, estão suspensos instrumentos de percussão que foram transformados em luminária, enquanto as paredes são estampadas com momentos históricos do carnaval, como a homenagem da Viradouro à Dercy Gonçalves e da Beija-Flor a Roberto Carlos. Além dos desfilantes, a Passarela também entra em foco: imagens do projeto e construção do Sambódromo fazem parte da ilustração.

Funcionando apenas nos dias de semana para o almoço das 11h às 15h e com uma roda de samba às sextas à noite a partir das 17h, a demanda do Baródromo tem crescido e Felipe estuda a possibilidade de abri-lo durante os finais de semana e também durante os ensaios técnicos e desfiles. 

– Quem chega aqui, chega com um espírito de saudosismo, dizendo: 'Ah, é carnaval ainda!' ou 'Lembra daquele ano?'. O carnavalesco Milton Cunha esteve aqui essa semana, andou por 20 minutos reconhecendo a origem das peças e até encontrou coisas que ele confeccionou. Nós queremos abrir aos finais de semana, ensaios técnicos e desfiles, mas ainda esperamos a revitalização completa da região. As pessoas vem porque é diferente, aconchegante e os pratos são gostosos e bem brasileiros. Estamos passo a passo crescendo com o projeto. 

Serviço:
Baródromo 
Almoços de segunda à sexta das 11h às 15h
Roda de samba às sextas a partir das 17h
Pratos a partir de R$ 19 de segunda a quinta e R4 24,90 às sextas
Rua Laura de Araújo, 102, (esquina com a rua Santa Maria), próximo ao metrô da Praça Onze
Telefone: 2504-5754