No clima do enredo, casal do Porto Pedra pensa em fazer workshop com palhaços

Já há três carnavais como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Porto da Pedra, José Roberto e Thais Romi acreditam que uma boa relação é fundamental para que se conquiste o resultado almejado. Embora tenham feito mistério sobre o que representarão no desfile da Porto da Pedra em 2016, o casal frisou que o público pode esperar uma fantasia e um bailado alegres e irreverentes, seguindo a tônica do enredo. – Provavelmente, vamos fazer workshop com palhaços para estudar o arquétipo de um palhaço, os trejeitos, os movimentos, para que possamos incluir na nossa dança algo que faça reverência a esse universo – disse o mestre-sala.

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Íntimos, os dois têm na integração o seu principal trunfo. Além disso, preparam-se arduamente com atividades físicas, aulas de balé e ensaios. – A gente não para. Acaba o carnaval e continuamo ensaiando. A gente faz aula de balé, de alongamento, e depois das aulas a gente ensaia. Quando a gente não ensaia, a gente estranha. Além disso, nós dois estamos malhando, fazendo musculação, e eu também estou fazendo pilates e corrida – disse Thais. 

Apesar de buscarem trazer surpresas como essas para a apresentação, ambos preferem ser cautelosos em relação à inclusão de muita coreografia na dança. – Acredito que o ideal seja mesclar a tradição dos casais de mestre-sala e porta-bandeira com alguns passos coreografados, já que a evolução do quesito pede novidades também – afirmou José, que diz ter como referência no carnaval o casal da Unidos da Tijuca, Julinho e Rute.

Os dois afirmaram se envolver com a confecção e produção da fantasia que usam nos desfiles: – Logo que fica pronta, nós já estamos querendo provar. A gente ensaia com a fantasia do desfile, se possível. A gente procura acompanhar todo o passo a passo, desde o corte do tecido, escolha de materiais, molde no corpo, e assim sucessivamente.

Fora dos holofotes do mundo do carnaval, ambos possuem uma vida normal. – Eu sou fonoaudióloga, trabalho em hospital e atendo em casa. De terça a sábado, faço plantão. E atendo principalmente pacientes idosos. Então, minha rotina é bem elétrica. Trabalho de manhã até de tarde, e aí depois ensaio. Porém, são dois amores na minha vida, não saberia viver sem nenhum nem outro. Chego para trabalhar às vezes sem dormir, porém com a mesma disposição de sempre. Dá pra conciliar tudo e ser feliz – contou Thais, que conta com a compreensão dos patrões no período carnavalesco. – Tiro férias na época do carnaval, mas gosto de tirar depois, porque antes do desfile não tem como descansar. Felizmente, tenho duas chefes que compreendem, deixam sair cedo às vezes, entendem eu não chegar tão cedo. Fico cansada, mas faz parte.

O mestre-sala também tem uma vida profissional bastante atribulada: – Eu estou terminando agora a faculdade de Direito, mas já trabalho na área já faz três anos. Trabalho em um escritório de advocacia e tenho o meu próprio também. E tenho um grupo de pagode também, em que sou vocalista.

Com passagens em escolas como União do Parque Curicica, União de Jacarepaguá e Paraíso do Tuiuti, José Roberto também já defendeu o segundo pavilhão da Mocidade nos carnavais de 2010 e 2011. Já Thais passou por agremiações como Vizinha Faladeira, Vigário Geral e Paraíso do Tuiuti até vir para a Porto da Pedra. Quando questionados sobre um desfile inesquecível, os dois não têm a menor dúvida: – Foi, com certeza, 2014, aqui na Porto da Pedra, ano do enredo sobre os casais de mestre-sala e porta-bandeira. Foi emocionante porque era um enredo que contava a história da nossa classe – disseram. 

Outro ano marcante para os dois foi no Tuiuti, quando já dançavam juntos: – O carnaval de 2011 foi minha estreia como primeira porta-bandeira. Ganhamos prêmio e a escola foi campeã do grupo B. Foi o início de tudo – disse Thais. José Roberto não poupa elogios à sua parceira de dança: – Até hoje é meu par ideal, com quem eu consegui as melhores notas. Ela é super competente, vem evoluindo cada vez mais. Embora ela tenha essa desvantagem por ser mais baixa, todo mundo sabe que quando ela dança ela cresce. Ela, por si só, já brilha.

Thais concorda com tudo o que seu par diz: – Às vezes, a gente se desentende, isso é normal, principalmente quando começa aquela rotina de carnaval e a gente passa a se ver todo dia. Em 2011, encontrei o par perfeito. A tendência agora é só melhorar. A gente sabe que a perfeição não existe, mas nós buscamos chegar perto, por isso ensaiamos bastante, não cansamos de ensaiar.