Nobres e leves. Imperatriz apresenta as fantasias para sua noite no Museu Nacional

imperatriz_fantasias2018-42Os integrantes da Imperatriz já conhecem o que vão vestir na noite de gala da segunda-feira de carnaval em 2018. A escola fez festa neste domingo para apresentar a sua comunidade as fantasias do desfile em homenagem ao bicentenário do Museu Nacional. Apresentadas por Cahê Rodrigues, os figurinos trazem uma obrigação de retratarem a nobreza do período do império brasileiro, mas com a moderação de quem está com o orçamento apertado. Mesmo assim, o carnavalesco leopoldinense prometeu um desfile criativo e digno da Rainha de Ramos. Com o enredo “Uma Noite Real no Museu Nacional”, a Imperatriz levará para o desfile a história do palácio da Quinta da Boa Vista, residência oficial da Família Real Portuguesa e Brasileira, que hoje abriga um museu com um acervo com mais de 20 milhões de itens, que vai desde de pertences da corte, objetos de diversas culturas e até registros científicos da época.

O “carnaval de dificuldades”, como aponta o próprio Cahê, exige que um carnavalesco use bem a criatividade e o bom gosto sem exagerar muito no custo. Talvez, por esse motivo, a Imperatriz tenha optado por limitar o uso de plumas, e distribuir um dos materiais que normalmente dão volume extra às fantasias ao longo do desfile com muita cautela, assim como os bordados e outros materiais nobres. Pode-se dizer que a Imperatriz desfilará com fantasias leves, mas com materiais que conseguem traduzir a nobreza deste enredo, que passa a escola para uma temática de um palácio que virou museu, após um desfilar com enredo indígena.

imperatriz_fantasias2018-39– Eu não tenho problema com mudança estética. Até gosto de fugir totalmente do que foi feito no carnaval anterior. Se pegar os últimos cinco carnavais da Imperatriz, são todos bem diferentes um do outro e eu quis realmente diferenciar a plástica, a cor e o volume das fantasias – afirma o carnavalesco Cahê Rodrigues.

Ainda sobre o processo de criação, Cahê conta que a Imperatriz é uma escola que gosta de se sentir nobre independente do enredo, mas que esse tema possibilitou que a escola se sinta com volume e luxo.

– O processo de criação é sempre muito complicado, porque o carnavalesco precisa atender a vários gostos, principalmente o da comunidade que vai desfilar com a roupa. Como a Imperatriz é uma escola que gosta de se sentir luxuosa, esse enredo permite isso. Claro que houve uma moderação, por causa do custo, mas ainda sim temos um conjunto bem nobre.

Diferente da maioria das escolas, a Imperatriz não fez mistério, mostrou 30 fantasias e arrancou aplausos de sua comunidade. Os destaques do desfile ficaram por conta das fantasias das alas 7 (O mistérios das Aranhas) e 9 (A Sinfonia dos besouros). Enquanto a primeira é confeccionada em preto, branco e vermelho em fantasias masculinas e femininas, que favorece uma riqueza de detalhes particular, a segunda abusa do brilho e, em tons metalizados, promete um efeito bastante interessante no desfile. Cahê também arrancou aplausos calorosos ao apresentar as belíssimas fantasias dos passistas e da bateria, chamadas Amuletos Egípcios e O Mistério das Múmias, respectivamente. Sobre uma fantasia favorita, Cahê já tem uma lista.

imperatriz_fantasias2018-11

– Eu gosto muito das Princesas de Ramos, a ala que fecha o carnaval. Acho que ela tem a cara da escola; gosto das baianas, que tem as cores e o jeito da Imperatriz. Gosto dos momentos das borboletas (ala 8), do Egito, que é da bateria em um figurino bem interessante. Difícil apontar uma roupa; gosto basicamente de todas porque a gente acaba se apaixonando. Difícil de apontar um favorito, comenta o carnavalesco.

imperatriz_fantasias2018-40Todas essas fantasias estão sendo confeccionadas no barracão da escola, que não terá alas comerciais em 2018, e por isso, não foram contratados ateliês para a produção das vestimentas. Porém, essa é uma condição que desde a última quinta-feira tem tirado o sono, não só do carnavalesco da Imperatriz, mas de todas as escolas do Grupo Especial, quando o Ministério do Trabalho interditou todos os barracões da Cidade do Samba por conta da infraestrutura para condições de trabalho.

Embora os problemas apontados pelos agentes do Governo sejam reconhecidos por Cahê Rodrigues, ele desabafou sobre a proximidade de um carnaval que já tem problemas de sobra muito tempo antes de suas datas oficiais. Cahê lembra o atraso do repasse das verbas da prefeitura, a proximidade com o dia do desfile e a demora para que as soluções apareçam.

– Eu não quero julgar a atitude dos agentes do Ministério do Trabalho. Eu acho até que é necessário que alguns cuidados sejam tomados porque ali você trabalha com pessoas e tivemos um episódio recente de acidente fatal no barracão da São Clemente, e isso não pode acontecer. Mas, acho um absurdo fechar a Cidade do Samba a poucos meses de um carnaval que já está atrasado por conta do repasse das verbas, principalmente da prefeitura. Nós, profissionais de carnaval, que dependemos do barracão funcionando, ficamos apavorados de ver a Cidade do Samba fechada. Eu, particularmente, estou muito angustiado com essa situação e espero que se resolva tudo nessa semana, porque temos um cronograma de trabalho que precisa ser respeitado, senão a vamos virar o ano com o carnaval atrasado – desabafa Cahê.

imperatriz_fantasias2018-14Ainda que os problemas sejam evidentes e reconhecidos, Cahê Rodrigues se mostra confiante e promete que a Imperatriz entrará no Sambódromo para fazer um desfile digno. Ele mostrou esse sentimento com mais ênfase ao final do desfile de fantasias, ao passar um recado para sua comunidade.

– Muita gente está indo contra o carnaval e querem até acabar com ele. Não podemos deixar! Vamos mostrar por mais um ano que o carnaval é cultura, fazem um desfile a altura que a Imperatriz sempre fez e merece. Tudo dará certo “em nome de Jesus”, disse o carnavalesco, arrancando mais aplausos e risadas de quem entendeu a brincadeira.