Novo presidente da Unidos de Padre Miguel diz que quer escola nos mesmos moldes de uma empresa

Depois de ficar em terceiro lugar no Grupo de Acesso B no último Carnaval e ver seu ex-presidente Reinaldo Lúcio, o popular Madrugada, deixar o cargo recentemente, a Unidos de Padre Miguel será comandada agora por Simões Gama. Aos 57 anos, mais de 30 deles dedicados à escola da Vila Vintém, o professor de história conversou com o CARNAVALESCO e contou como pretende levar a Vermelho e Branco de volta ao Grupo de Acesso ª 

A história de Simões Gama na Unidos de Padre Miguel começa, literalmente, em razão do amor. A esposa do dirigente, então namorada, morava nos fundos da quadra e ele passou a desfilar na agremiação para fazer ainda mais parte da vida da mãe de seus dois filhos:

– No fim dos anos 70 comecei a desfilar na escola, queria ficar mais próximo da minha esposa, que na época era minha namorada. Depois, devido a minha ocupação profissional, fui convidado para ser diretor de barracão e participei da escolha de alguns enredos da escola. Também organizo projetos sociais na Unidos, inclusive minha filha e o meu filho dão aulas de dança e educação física lá – revela Simões Gama, que além de professor de História, trabalhou no ramo da metalurgia e diz estar acostumado a apresentação de projetos e plantas, fato que o ajudou a aprimorar a construção das alegorias da escola.


Escolhido pelo conselho deliberativo da Unidos de Padre Miguel, o novo presidente revela quais são as principais metas para a escola de agora em diante:

– Nós já começamos a reformar a quadra e fortalecer o projeto social. Quer integrar  dia-a-dia da comunidade ao projeto social. Pretendo mudar a cultura estrutural da escola. Penso uma escola de samba como uma empresa. Cada setor tem a sua responsabilidade e o nosso produto final é o desfile, que precisa render o título, que é o nosso lucro. Sem título não há lucro. Temos que trabalhar visando o título. Reuni o conselho e disse a eles que 70% da responsabilidade pela escola é deles, pois eles me colocaram aqui. Vamos escolher juntos os segmentos que irão compor a Unidos de Padre Miguel – revelou. Vale lembrar que a escola está sem carnavalesco e Simões Gama tem conversado com alguns nomes.

O dirigente marcou o mês de junho como prazo final para a escolha do profissional que será o responsável por desenvolver o Carnaval da escola. Ele garante que não quer perder tempo:

– Não posso ficar pra trás. Conversei com alguns carnavalescos. Pedi a eles que me apresentassem um projeto de enredo, um Carnaval já definido. Não posso começar errando na escolha do enredo. Como vou levar para a Avenida um tema que não tenha base e estrutura. Até agora os carnavalescos só me apresentaram ideias, tópicos, mas quero um projeto, durante toda a minha vida eu trabalhei com isso. Não posso escolher um enredo pobre.

A troca de farpas comum entre dirigentes que estão no comando e os que já ocuparam o posto não é vista na relação entre Simões Gama e Madrugada. Ciente da colaboração que o ex-mandatário deu à Unidos de Padre Miguel, o atual presidente garantiu que Madrugada será um membro bastante atuante em sua gestão:

– Não posso desprezar tudo aquilo que o Madrugada fez aqui. Ele é muito querido por mim e por todos na comunidade. Ele vai continuar representando a escola em algumas reuniões na Lesga. É uma pessoa muito educada e simpática, ama o Carnaval. Talvez a maior diferença entre eu e ele seja esta, eu sou um cara mais profissional.

Profissionalismo que, segundo Simões Gama, talvez tenha faltado à escola quando desfilou no Grupo de Acesso A no Carnaval 2010. Com enredo sobre o aço, a Unidos de Padre Miguel, apesar de bom nível plástico apresentado, teve muitos problemas para colocar os componentes na Avenida e acabou amargando a 11ª colocação e foi rebaixado para o Grupo B:

– Fico muito triste quando lembro daquele desfile. Era uma excelente oportunidade e nós não soubemos  organizar a escola para que não tivéssemos aqueles problemas. Começou errado na saída da quadra. Saímos e bloco e causamos um grande congestionamento na Avenida Brasil. Nós tínhamos que estar concentrados às 15h, já que  desfile era às 19h, mas isso não aconteceu. A culpa não foi do carnavalesco. Erramos estruturalmente. Quero trabalhar em cima disso, não podemos jogar um Carnaval fora por causa daquilo ali – disse o dirigente.

Simões Gama também mostrou preocupação com a situação financeira da escola e admitiu usar a quadra da Unidos como fonte de renda:

– Nós temos uma excelente quadra, quem conhece sabe disso. Vou alugar a quadra para show gospel, cultos religiosos, para que os grandes empresários do Rio de Janeiro façam suas festas também. Temos uma quadra confortável.

Com relação ao trabalho da Lesga, entidade que gere os Grupos A e B, Simões considerou satisfatório e elogiou a contratação de Marcus Aurélio Fernandes, o Marquinhos da Estácio, para o cargo de diretor de Carnaval. Simões Gama lembrou que não é o momento de se preocupar com a Lesga, mas sim com a Unidos de Padre Miguel.