O Carnaval Jabulanizado

Se há uma coisa de que não vou me lembrar, desta última copa, é que nunca uma seleção que jogou de calção verde conseguiu fazer seu primeiro gol antes dos 22' do segundo tempo.

Não vou lembrar também de que todas as bolas chutadas por jogadores canhotos antes dos primeiros quinze minutos passaram a mais de 17,32 cm da trave esquerda e a 19,32 cm da trave direita.

Eu até acho que ouvi dizer que dos milhares de gols marcados em copas 32,7% foram marcados por jogadores que calçavam chuteiras maiores que 42.

Tenho que admitir que algumas vezes não pude acompanhar  a conclusão de um lance por estar absorvido em alguns dados dessa febre de "preciosas" informações prestadas por narradores e comentaristas das últimas copas pós-internet.

Em um desses momentos fiquei pensando em tantos entrelaçamentos entre os desfiles em geral e o futebol. E aí fiquei pensando: será que chegará o dia em que nosso carnaval, mesmo não sendo um evento tão globalizado, tanto televisionmento global atrairá tanta mídia, tanto patrocínio especializado, tanto investimento quanto uma copa do mundo? Ou pelo menos algo razoavelmente proporcional?

Quanto será o público real das copas e o público real dos desfiles? Qual será o montante investido em publicidade nesses dois eventos? Será que a diferença encontrada é proporcional a cada dimensão?

Será que tanto potencial estará sendo eficazmente apropriado?

É muito provável que um dia possa haver um 'pool' publicitário nas laterais, no alto, na pista ou atrás da apoteose; ou em outro espaço que não contamine o desfile?

E aí paro e penso: será que quando e se isto acontecer essa mania, essa "modernidade" de dados e estatísticas vai invadir a nossa pista também?

Na dúvida, e sabedores que boa parte das "modernidades" não passa de mera instrumentação dos meios de comunicação para alcançar seus mercados, é bom nos prepararmos.

Não tardará a chegada de comentaristas afirmando que, até o desfile de 2001, nenhum puxador de samba vindo de uma escola da periferia para uma escola carioca teve sua agremiação desfilando no desfile das campeãs.

Dirá também que a primeira vez na história que uma escola vermelho e branco caiu para o acesso foi em 1994.

Talvez se fique sabendo que nenhuma escola cuja bateria fez "paradinha" antes de 2002 tirou nota máxima em alegoria, enquanto as escolas que fecharam os carnavais nos anos pares se classificaram em lugares ímpares e ainda tiveram problemas com as baianas.

Em compensação as que abriram o carnaval nos anos ímpares, tiveram problemas com as costureiras nos anos pares. Tudo narrado por Faustão Bueno, claro…
PS: Todas essas hipóteses acima citadas foram inventadas, claro!