O Enigma da Águia I

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Por tudo que escrevi e venho escrevendo sobre minha escola, pelo fato de ter sido convidado por sua presidência para integrar a comissão colaboradora na formatação do enredo, minha caixa postal pessoal tem recebido inúmeras manifestações acerca da definição do enredo para o carnaval de 2011.

Algumas até insinuando que a tal comissão fora, á época, usada como instrumento eleitoral, ou para acalmar portelenses exaltados. Não faltaram nem insinuações de que nosso verdadeiro papel era de palhaços inocentes.

Em nossa primeira reunião, realizada em 5 de abril, Monarco, Carlos Monte, João Baptista Vargens e eu já contávamos com a presença de Rogério Rodrigues, da direção do formidável site portelaweb, convidado diretamente pela comissão por representar os
melhores, mais dedicados e mais vibrantes sentimentos voltados para escola. E também por
sua relação constante com o universo web e com as novas gerações de usuários.

Já ali, em um primeiríssimo momento, essas questões acima foram levantadas. Vale lembrar que a comissão foi convidada, e formada,  em fins de março em meio a um verdadeiro tiroteio de acusações à direção da escola e a um cipoal de lamentos e decepções relativas ao
desfile que, para muitos portelenses – muitos mesmo! -, fora o pior desfile de nossa história.

Descartamos de imediato qualquer conotação eleitoral uma vez que já ali se sabia da inexistência de qualquer outra chapa concorrente. Mais do que isto, prevaleceu a posição exposta por Vargens no sentido de que, como Portelenses, independentemente dessas ou
quaisquer outras hipóteses, não poderíamos nunca nos furtar de colaborar com a Portela em um momento desses e no momento em que o enredo pretendido era exatamente aquele que nós e muitos outros Portelenses sonhávamos realizar.

E mãos à obra.

Vale aqui deixar claro que em reunião-almoço a que comparecemos na Cidade do Samba, convidados pelo Presidente, foi nos declarada a intenção do enredo, com o esclarecimento de que era um tema sabidamente não patrocinado e que a escola continuaria buscando
patrocínio para esse ou para outro enredo.

Duas reuniões entre nós e duas outras com o carnavalesco, além de alguns e-mails, foram suficientes para cumprirmos nossa tarefa, faltando apenas o título do enredo, deixado para mais tarde.

Tudo se deu a partir de uma pré-sinopse apresentada pelo carnavalesco e das idéias apresentadas individualmente por nós e que procuramos mesclar ao texto original.

Nossa ênfase foi no sentido de rechear a idéia trazida com o molho de nossos melhores momentos, nossa formação como escola, nosso passado/presente/futuro. Acima de tudo ênfase em tudo que tanto nos emocionou, nos emociona e nos emocionará.

Aquele tal livro de que fala Monarco, que tem "conquistas a valer" e que não nos deixa nunca terminar de contar nossa história tão bonita. Foi assim.
Na verdade, na verdade, ao longo de nossos encontros ficou para mim a forte impressão, e cheguei a responder a alguns e-mails, de que o que o Presidente queria de nós era um plano B para ser acionado se fracassasse a busca de patrocínio.

Entregamos o texto a não nos encontramos mais: missão cumprida. Dali para frente era com a escola. Agora chega a notícia pelos sites carnavalescos de que o enredo é "RIO, AZUL DA COR DO MAR".

Isto posto, cabem algumas considerações apenas tangenciando  o enredo uma vez que prefiro abordá-lo  mais adiante no conjunto das demais escolas. Sua sinopse apresenta um infindável mostruário de possibilidades carnavalizáveis, a cara e também à cara do carnavalesco Szaniecki, com imensas probabilidades de mostrar tudo quanto a escola tanto gosta de exibir na avenida desde seus primeiros desfiles.

Melhor assim, depois dos enredos "discoverys e geografics" antes mecionados (pré-sal e Santa Catarina). E fica a promessa (promessa?),
ou será compromisso, palavra empenhada para 2013?

De minha parte um erro pessoal de avaliação. Assim como o Presidente teve a imensa consideração, respeito mesmo, de nos convidar para tão gratificante missão, julguei que o convite se repetiria agora, desta vez para nos informar sobre a opção por outro enredo, principalmente considerando a ausência do tão buscado patrocínio.

Quem sabe até um simples telefonema: _ Olhai, encontramos um bom enredo; vamos guardar  o "nosso" numa gaveta para 2013; aí sim será a  hora de contarmos nossa história!

Preferia que tivesse sido assim, e acho que Monarco também, Monte, Vargens e Rodrix, mesmo sem ter conversado com eles. Não sei nem se algum deles mereceu isoladamente tal consideração. Acho que não!

E fico me perguntando se há mesmo necessidade de as coisas serem levadas assim.

Até porque sonhamos alto. Planejamos uma intensa programação em torno do enredo. Com rodas de samba de portelenses para portelenses, inclusive nas feijoadas. Excursões turístico-portelenses visitando ruas, praças e casas das ruas de Oswaldo Cruz reverenciando nossos ídolos e lugares. Exibição de filmes, palestras seguidos de debates motivadores. E a volta, tão a desejo da Velha Guarda, daqueles dizeres que encimavam o arco frontal: "Aqui deu frutos a árvore que a Velha Guarda plantou" .

Frase tão inspirada dali tirada para pintura (?) da parede e para ali nunca mais retornada. Tão importante para todos nós de todas as escolas quanto importante é a Velha Guarda da Portela para todas as velhas-guardas de todas as escolas. Tão importante que era o título preferido e sugerido por Rogério Rodrigues para o "nosso enredo".

Vida que segue.

Mas, dor-de-cotovelo à parte, acho que a questão maior, a mais relevante em todo esse universo dos últimos enredos, da relação
Portela/Portelenses, passa por esta questão do patrocínio. Uma questão que poderia ser enunciada como o "Enigma da Águia":

Desconsiderando aquelas questões iniciais, podemos supor que era real interesse da escola trazer o enredo auto-referente. Podemos também supor que a Portela não fez o enredo que sua direção desejava, e que sua torcida e componentes sonhavam realizar, por não ter patrocínio. Em razão disso optou por um enredo sem patrocínio, mas com chance de ser patrocinado.

Se o patrocínio vier, ótimo, muito bom. Mas se o patrocínio não vier, e a escola desfilar sem patrocínio, não teria sido melhor desfilar sem patrocínio com um tema que empolgasse a escola?

Como saber isto antes de decidir o enredo? Esse o "Enigma da Águia".

E isto vale para qualquer escola; para todos os presidentes, como o da Portela, que tomam suas decisões a partir da verdade absoluta por eles sustentada de que não há escola competitiva sem patrocínio.

Não sou Presidente de nenhuma escola, não tenho nenhuma responsabilidade por êxitos ou fracassos a partir de decisões tão difíceis. Mais do que isto, já disse neste e em outros espaços que sou péssimo conselheiro para escolas que pretendem o campeonato.

 Minha visão de carnaval é outra, a beleza que busco nos desfiles é muito pessoal e por essa razão respeito os caminhos dos dirigentes que trabalham sob  pressão  e fazem do patrocínio seu guia , seu alicerce. Respeito, mas duvido de sua eficácia.

O que estou procurando trazer é essa questão basilar ao "Enigma da Águia": será verdade absoluta que "não há escola competitiva sem patrocínio?"

E-mail para contato com textos maiores: lcciata1@hotmail.com

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