‘O laralaiá que os outros também tem…’

Chegou a época do ano que mais gosto no Carnaval, as disputas de samba de enredo. Você ouve diversos sambas, se apaixona por vários, e quase sempre esse não é escolhido o melhor. Paixão, amizade, companheirismo e até mesmo gosto pessoal movimentam as quadras das escolas essa época. Quem já foi numa disputa, pegou numa bandeira e cantou o samba de um amigo por amizade ou até mesmo por que gosta, sabe o que estou dizendo.

E tudo que mexe com gosto pessoal, é realmente muito pessoal e não temos como interferir no gosto alheio. Só que os torcedores nesse momento realizam um verdadeiro mantra para que o presidente de sua escola, ou o grupo que escolhe o samba enredo tenha o mesmo gosto que o seu, afinal esse hino vai ser ecoado em todo o desfile e na quadra ad eterno.

Dia desses levantei uma discussão no Facebook para os amigos compositores perguntando o que eles fariam se percebessem no meio da disputa que seu samba não é tão bom quanto do seu concorrente e achar que seu samba prejudicaria a escola. A resposta foi única: meu samba será sempre o melhor. E eu entendo, pois eu sem ser compositor quando me envolvo com uma obra não consigo gostar de outra, imagina o cara que vendeu garrafas durante quase 3 meses. O lance vai além do gosto e da emoção, vai pela razão.

Porém o ponto principal dessa coluna hoje é pensar sobre os concorrentes que não tem aquela mídia toda e que não entram na disputa como campeões, as famosas zebras. Um compositor conhecido, um dia foi desconhecido até se tornar o que é hoje. É preciso olhar com o mesmo olhar que se olha os medalhões. Em toda disputa tem um samba que nós consideramos o principal por que o compositor ganhou no ano anterior, ou então por que tem seu nome já fixado na MPB. Não que os medalhões não sejam bons, ótimos e triunfantes, mas é preciso igualdade, pelo menos nas avaliações.

Alguns amigos costumam dizer que o samba não precisa ser de “marca”, tem apenas que ser funcional, cumprir o seu papel de forma clara e emocionante. Dizem que é que nem celular, ele não precisa ser um caro, mas se tiver as mesmas funcionalidades que o baratinho, serve também. Samba não tem forma, ele se forma conforme o gosto do enredo. É preciso olhar com igualdade à todos. Por isso que tiro meu chapéu para disputa da Mangueira e ao Ivo Meirelles. Os sambas são tratados por números e não por nomes, ou seja, são todos vistos por igual. Isso tem dado ótimos frutos e pra mim deveria ser modelo à seguir por todas as co-
irmãs.

Falando em Mangueira me recordei do Centro Cultural Cartola, fundado e coordenado pela grande Nilcemar Nogueira. O CCC se dedica a educação musical de crianças e jovens, adultos e idosos além do encabeçar o projeto o qual fiz parte de “Memória das Matrizes das Escolas de Samba” parceria com o IPHAN e o Ministério da Cultura. Costumo dizer que é casa de tia Ciata contemporânea. Visite o site http://www.cartola.org.br

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