O marketing arretado da Unidos da Tijuca

Mauro SamagaioUma empresa que possa atrair investimentos e aumente seu valor no mercado. É o que deseja todo empreendedor no seu negócio. Foi com essa filosofia que o comerciante português e presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, estruturou um projeto de marketing na escola do Borel e transformou a agremiação em uma grande empresa. Para isso, ele contratou há quatro anos Fabiana Amorim, que passou a cuidar do departamento de marketing da escola. Ao lado de Bruno Tenório, eles tornaram viável financeiramente o projeto do enredo sobre Luiz Gonzaga. O site CARNAVALESCO foi conhecer o trabalho da dupla que tem o objetivo de tornar a Tijuca uma “marca” valorizada não só no mundo do samba como no empresarial.

 – O enredo sobre Luiz Gonzaga foi uma sugestão de um pernambucano que nos mandou um email e lembrou sobre o centenário de vida do Rei do Baião. Este ano foram mais de 200 sugestões e sempre mandamos para o Paulo, que é o artista. A idéia foi apresentada pelo presidente Horta e começamos a tentar tornar o enredo viável financeiramente. Iniciou-se o processo de chegar até as autoridades do Estado de Pernambuco – explica Bruno

 A dupla de marketing enfatiza que o enredo não receberá dinheiro público, e o governo de Pernambuco está apenas apoiando  institucionalmente o tema. A ajuda financeira deve partir da iniciativa privada, a partir dos produtos oferecidos pela Unidos da Tijuca, como show, camarotes e workshops. A equipe acredita que a credibilidade construída ano a ano pela escola, torna os projetos mais viáveis e atrai a confiança do investidor.

 – Você não pode se restringir à Avenida. A escola de samba funciona o ano inteiro. No desfile é apenas mais um momento.  Participamos, por exemplo, do Festival de Barretos e isso traz visibilidade para a escola. O marketing e a comunicação precisam andar sempre juntos. E o Horta cobra resultados, mas nos dar liberdade para trabalhar – conta Fabiana.

 Sobre o patrocínio e o risco que muitos escolas sofrem de calote, exemplo recente foi a Grande Rio com Florianópolis, Bruno Tenório responde que a escola do Borel é protegida por contratos, como uma empresa comum. Para ele, a “credibilidade” da Tijuca ajuda no momento de captar recursos para a agremiação elaborar seu carnaval. A criatividade de Paulo Barros também ajuda na hora de atrair investidores. A maioria deles deseja ter sua imagem vinculada às ousadias do carnavalesco.

– O público quer ver a novidade e não ver um espetáculo igual. Hoje a Tijuca montou uma equipe de pronta que vai desde o excelente trabalho que o Bruno e a Fabiana fazem até o meu faxineiro do barracão – diz Ricardo Fernandes.

A Unidos da Tijuca divulga nesta terça-feira a sua sinopse para o carnaval 2011. A taxa de inscrição para concorrer à disputa de samba-enredo é gratuita. Haverá ainda premiação para os compositores que ficarem até a quinta colocação nas eliminatórias.