O que pensam os jurados do Grupo Especial de 2012 sobre o julgamento das escolas

Na noite desta quarta-feira, na sede da Liga Independente das Escolas de Samba, aconteceu o primeiro dia do curso de julgadores do Carnaval 2012. Ao todo, 16 julgadores de quatro quesitos (enredo, alegorias e adereços, conjunto e comissão de frente) se reuniram com a diretoria da entidade e representantes das 13 agremiações do Grupo Especial para a leitura do manual do julgador e esclarecimento de possíveis dúvidas. O atual modelo foi implementado ainda em 1987 e idealizado pelo pesquisador Hiram Araújo.

O site CARNAVALESCO esteve presente no evento e conversou com alguns julgadores. Todos os 16 presentes nesta quarta têm experiência no julgamento. Confira a opinião deles sobre alguns aspectos do julgamento.

IMPORTANTE PARA ALCANÇAR A NOTA MÁXIMA

Edileuza Batista – Conjunto
– A minha visão é o geral da escola, como ela se apresenta durante seu desfile na Avenida inteira. Estou sempre observando como está o desenvolvimento.

Walber Ângelo – Alegoria e Adereços
– É uma visão técnica e o curso orienta como observar as diferenças e ter o poder de discernimento para pontuar as faltas. E observar o que é relevante como por exemplo: Proporção, concepção, criatividade, volumetria, cromatização e o que ela representa dentro do enredo, ou seja, fácil leitura.

Fabiana Valor – Comissão de Frente
– Ela primeiro tem que apresentar a escola é sua missão e cada vez mais eles estão procurando fazer suas coreografias mais ensaiadas, montadas e com criatividade isso tudo é importante, entretanto em primeiro lugar tem que estar mostrando o enredo da escola e o que vem a seguir.

Paulo César Morato – Comissão de frente
– Precisa ter muita criatividade, estar bem ensaiada e dar muita sorte para que tudo aquilo que foi planejada saia bem na Avenida.

Marcus Nery Magalhães – Comissão de frente
– É preciso ter bom senso e atenção para atribuir nota máxima para uma comissão. Tem que ter critério. Sou apaixonado por carnaval e acompanho os desfiles há 20 anos. Hoje em dia a comissão de frente é uma ala.

Pérsio Gomyde – enredo
– Um enredo que tenha criatividade e bom gosto no seu desenvolvimento é merecedor da nota 10. Temos que julgar de acordo com as regras da Liesa e verificar se todas as alas estão em seu devido lugar no Abre-Alas, mas eu preciso entender o enredo. Com o livro Abre-Alas é mole, mas o público da arquibancada também precisa entender. Um exemplo claro é a Unidos da Tijuca em 2010, que trouxe a ala mais carnavalesca que eu já vi. Tinha uma ala em que a fantasia era um triângulo cheio de bermudas. Achei genial. Quer mais carnaval que isso? Julgador de enredo não pode perder uma ala, uma alegoria. Amo muito o carnaval, ele me ajudou a vencer vários problemas pessoais, me delicio com o Abre-Alas, mas saio do desfile cansado, com dor de cabeça, é uma responsabilidade muito grande.

Helenise Guimarães – alegoria
– Precisa apresentar as alegorias em conformidade com o enredo e seguir todas as normas impostas pela Liga. O crescimento da qualidade das alegorias segue o caminho do crescimento do carnaval. É um superestpetáculo e isso é um conjunto de elementos que envolve a parte plástica, de recomposição e o crescimento econômico do carnaval.

ORIENTAÇÕES RECEBIDAS NO CURSO

Edileuza Batista – conjunto
– A visão é do julgador. No curso nós estudamos regulamento e vemos se vamos ter alguma mudança no quesito. Não tiro décimo por qualquer coisa e sim por que algo aconteceu que não estava condizendo com o enredo.

SUB-QUESITOS

Walber Ângelo – Quesito Alegoria e Adereços
– Eu acho de extrema importância. A concepção da alegoria a meu ver é a base de tudo, ela que faz a alegoria ter a fácil leitura. Uma alegoria que tem uma concepção ruim, o produto será ruim também e isso compromete demais a nota. Eu já observava isso antes mesmo dessa proposta dos sub-quesitos.

Fabiana Valor – Comissão de Frente
– Uma coisa completa a outra. Na verdade, além disso, a gente tem que ver outras coisas, se tem algum erro na hora da apresentação não podemos ignorar, alem desses sub-quesitos a gente observa a coreografia em si. Ajuda na hora de justificarmos algum tipo de erro.

ONDE AS ESCOLAS MAIS PECAM NO QUESITO

Walber Ângelo – Quesito Alegoria e Adereços
– A concepção e a criatividade. As vezes falta inovação algo que cause impacto, que faz suspirar. Eu acho que tudo é um conjunto e não uma obra isolada. Tudo é importante a partir da concepção que aí teremos um produto bacana. Vamos ter bom gosto, materiais bacanas, uma coisa puxa a outra assim como a inovação nas cores. A mesmice torna tudo muito monótona.

TRANFORMAÇÕES DO QUESITO

Paulo César Morato – Comissão de frente
– Houve sim uma grande transformação e isso é muito bom para o próprio quesito. Antigamente as comissões não se preparavam tanto e os coreógrafos acabaram percebendo essa necessidade. Desta forma temos ainda mais responsabilidade para julgar.

CRÍTICAS

Pérsio Gomyde – Enredo
– É muito difícil ser julgados. As pessoas gostam de criticar quando não entendem alguma nota, mas nós temos que seguir regras. Me preparo com muita seriedade para o desfile. Faço até anotações no Abre-Alas antes do desfile para me preparar melhor.

PESO DAS BANDEIRAS

Pérsio Gomyde – Enredo
– Eu não tenho isso não. Respeito demais todas as agremiações e te dou até um exemplo disso: em 2010, dei nota 10 para a Porto da Pedra. No ano passado, dei 9,7, mas dei porque não entendi o enredo sobre Maria Clara Machado, achei que faltou lirismo, mas o enredo sobre a moda eu entendi perfeitamente. Ninguém pode dizer, por exemplo, que eu persegui a escola. Não quero saber se uma escola está subindo ou não, julgo sem querer saber disso. Outra coisa que não faço é julgar só com a razão. Não dá para julgar escola de samba sem levar em conta o lado emotivo.

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