O remédio pra curar a minha dor

Mais uma vez a Imperatriz Leopoldinense mostrou que tem uma das melhores alas de compositores do carnaval carioca. De um enredo burocrático (medicina), conseguiu criar uma boa safra de sambas e chegar a quatro finalistas de bom nível.

O samba vencedor tem o mérito de mexer com os brios dos componentes através de uma boa mistura de termos médicos encaixados á
paixão do sambista. A melodia tem momentos mais trabalhados e trechos alegres, encontrando um resultado final equilibrado e valente. Não
é um samba com o toque épico de "Brasil de todos os Deuses", mas consegue dar um bom gás ao enredo. LEVANTE A MÃO?
A Mocidade, como já se previa, deu à mesma parceria do ano passado a vitória no seu concurso interno de samba-enredo. A aposta é na alegria que a escola mostrou no último desfile quando, para mim, teve o melhor "chão" do carnaval. Com um estilo parecido, os
compositores Hugo Reis, Zé Glória e J. Giovanni colheram os frutos do sucesso do ano anterior.

Não é um estilo que me agrade. Ano passado o samba da escola perdeu mais de um ponto e meio. E a agremiação corre risco de ver isso
se repetir. O refrão me parece apelativo ao extremo e a letra não nos ajuda a entender a difícil trama do enredo. E havia opções muito interessantes na safra. Vamos ver no que dá.

SÓ DEUS SABERÁ

A ala de compositores da Ilha está sentindo muita falta daqueles que se tornaram dirigentes como Djalma Falcão e Márcio André, sem falar dos que já nos deixaram como Franco (só pra ficar nos mais recentes). A safra deste ano, mais uma vez, não foi das mais inspiradas.

O samba vencedor se destacou entre os concorrentes, mas não traz qualquer novidade ou diferencial. É um samba leve de melodia e superficial na letra. Cabe à excelente bateria de Mestre Riquinho fazê-lo crescer.

ACESSO FERVE!

Os sambas do Grupo A estão me animando bastante! Eu já tive a oportunidade aqui de elogiar o samba da Rocinha, mas não parou por aí.
A Cubango escolheu uma obra valente, daquelas que têm tudo para levantar poeira; a Caprichosos se reencontrou com a alegria e irreverência num samba que também pode dar sacode e a Renascer escolheu um samba de melodia diferente e inovadora.

Como escrevo horas antes da final da Viradouro ainda não posso dizer que a escola tem o samba do ano, mas tem tudo para que isso aconteça. É…acho que depois de muito tempo o CD do Acesso pode ameaçar a qualidade de sambas do Especial.

TRÊS RIOS QUER SAMBA NO PÉ!

Estive terça-feira na cidade para participar de um fórum sobre carnaval promovido pelo SESC local.

O motivo do convite foi a coluna que escrevi aqui, meses atrás, sobre o "samba no pé". Tive uma recepção calorosa dos sambistas locais.
Já quem defenda por lá o debate sobre a criação do quesito "Passistas" no carnaval local. Fico muito honrado por ver uma idéia minha ir adiante. Mesmo que isso não aconteça, o simples debate já foi importante para todos que estiveram lá.

O carnaval precisa ser pensado, debatido, discutido! CIDADE DO SAMBISTA
É uma alegria enorme acompanhar um pouco da gravação do CD na Cidade do Samba. Além de encontrar e conversar com muitos amigos
é legal ver ritmistas e comunidades ocupando aquele espaço.

A LIESA quer receber o sambista na sua casa e está se esforçando para isso. No próximo dia 8 (segunda-feira), começa o Botequim da Cidade do Samba. Shows de Arlindo Cruz, Moacir Luz e Grupo Regente. A entrada custa dez reais e dá direito a uma cerveja. O sambista tem obrigação de dar as caras e assumir o seu espaço!

Fica uma sugestão: encerrar a noite com intérpretes das escolas de samba lembrando grandes carnavais! Vamos lá, gente!