O Show tem que continuar

Parecia um pesadelo, mas era realidade. A semana começou com uma verdadeira tragédia para o mundo do samba. As imagens são fortíssimas e servem principalmente como lição: o sistema de prevenção ao fogo é precário ou inexistente. Se eu fosse presidente de uma das outras nove escolas estaria a essa altura comprando centenas de extintores e contratando dezenas de bombeiros. É preciso que este aspecto seja revisto com urgência porque o que aconteceu ontem pode se repetir a qualquer momento em outros barracões e acabar com o carnaval 2011. O mais importante desta história é que não houve vítimas e por isso já devemos agradecer aos céus. Se fosse em outro horário a coisa seria muito pior.

É claro que decisões precisavam ser tomadas, mas acho que elas foram precipitadas. Pensadas em cima do desespero e da emoção, as medidas anunciadas ontem podem ser revistas depois que a poeira baixar. Um mês é pouco tempo sim, para quem perdeu todas as suas alegorias como a Grande Rio. Mas refazer fantasias não é tão complicado, apesar da escassez de material. As escolas receberão verbas extras para tal e as comunidades se organizarão para repor o tempo perdido.

É por isso que eu acredito que o "não julgamento" de Portela e União da Ilha devem ser repensado. Como nenhuma escola será rebaixada (medida correta), e não haverá riscos para elas, não vejo motivo para impedi-las de tentar uma vaga pelo menos no desfile das campeãs – o que já seria uma vitória. Vimos ontem os belíssimos carros que a Ilha fez e que foram salvos. O julgamento é composto por dez quesitos e "fantasias" é apenas um deles. Recentemente a Mangueira, com problemas visíveis em suas alegorias, chegou num honroso sexto lugar porque foi muito bem nos outros itens.

A competição é a motivação do componente. É por ela que o sambista se esforça. O homem está em busca constante por superação, ainda mais numa situação como essa. Fazê-lo entrar na avenida para um "jogo amistoso" significa acabar com seu carnaval. União da Ilha e Portela salvaram suas alegorias e têm o direito de lutar por uma colocação. Seus componentes devem exigir isso junto às suas diretorias. E o tempo vai dizer que isso é possível sim.

O caso da Grande Rio é diferente. A escola perdeu todas as suas alegorias e encontrará dificuldades para refazer um carnaval competitivo. Ainda ssim acredito que será um bonito e emocionante desfile.

Sofremos uma grande perda material, mas não podemos perder a esperança, a garra, a vontade de fazer carnaval. Que a lição seja aprendida quanto à segurança e que os sambistas possam mostrar que podem se superar. Ainda há tempo!