Odilon e Andrezinho revelam detalhes do início do trabalho na Mocidade

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A missão não é simples: resgatar o prestígio da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel obtido sob as mãos do lendário mestre André e perdido ao longo de apresentações de baixa qualidade ao longo da última década, mas Andrezinho, filho de mestre André, e Odilon Costa, considerado por muitos o maior nome do segmento depois de mestre André, coordenadores da novíssima Super Direção de Bateria, mostram otimismo na execução.

A junção de nomes como Andrezinho e Odilon na coordenação, e Bereco e Dudu, como mestres de bateria, dão ao filho de mestre André a certeza que uma vaga na bateria da Mocidade será bastante disputada e cobiçada por ritmistas de outras escolas. Apesar de não fechar as portas para novos integrantes, Andrezinho avisa que a prioridade será quem já desfila na bateria.

– Temos a consciência de que a procura será muito grande com a formação da Super Direção, mas pretendemos desfilar com, no máximo, 300 ritmistas. Tenho certeza que a nova arquitetura da Avenida nos dará condições de trabalhar voltados muito mais para a qualidade do que a quantidade de ritmistas. Quem quiser vir desfilar na bateria da Mocidade será muito bem vindo, mas que já venham sabendo que o trabalho vai ser árduo. Aqui na Super Direção só tem chato. Vamos exigir muita perfeição. Queremos que a Mocidade tenha o melhores ritmistas. O trabalho será voltado para isso – afirmou Andrezinho.

Já Odilon, quer fazer da bateria da Mocidade uma ala ainda mais especial. Ele confessou estar enjoado com a padronização das demais baterias e exaltou a batida de caixa da Mocidade. Revelando, inclusive. alguns detalhes do trabalho que se inicia.

– Hoje quase todas as escolas estão iguais em suas baterias. Uma imita a outra. As diferentes são a Portela, que o menino lá fez um belo trabalho, o Império Serrano e a Mangueira. Tá todo mundo mudando a batida de caixa. Fazendo a mesma coisa. Na Mocidade não vamos fazer isso. Ela tem a batida de caixa mais complexa do Rio de Janeiro, se usa muito a mão que você não é forte. Além disso, a bateria da Mocidade não tem virada para segunda do samba e nem na cabeça, são 82 minutos tocando direto. Devemos até vir com duas batidas de caixa, ainda vamos conversar pra ver, mas 90% fará a batida da casa, tradicional da escola, não podemos perder essa essência.

Bem ao seu estilo, Odilon também faz um apelo para que o modo de julgamento seja revisto. Como já havia feito em entrevistas anteriores, ele critica o grande valor dado às bossas em detrimento à manutenção do ritmo das baterias.

– Meu antigo presidente falava pra eu levantar o Setor 1. Eu dizia pra ele que o Setor 1 não me dava nota. Adoro o público dali, mas tenho que me concentrar no meu trabalho, tirar dez, não tenho que aparecer pra ninguém. Entre ganhar dez e o Estandarte de Ouro, prefiro mil vezes ganhar dez. A Liesa vem colocando a versatilidade e a criatividade como parâmetro para dar nota dez. Estão deixando os diretores de bateria malucos. Eu gosto da paradinha, mas agora os caras tem que subir na pilastra para o jurado dar dez. Isso não é legal, o cara tem que julgar ritmo. No ano passado, um diretor de bateria bateria ergueu o ritmista junto com a rainha de bateria pra poder ganhar dez, achei ridículo isso. Jurado de bateria tinha que estar com os olhos vendados e nem saber o nome da escola. Tem que ouvir para julgar. Aí eu queria ver. Tem gente que ia passar vergonha aí – opinou.

Característica marcante do trabalho de Odilon, a padronização dos surdos de terceira não deverá aparecer na Mocidade. Apesar de o trabalho ainda estar no início, a dupla de coordenadores, assim como mestre Bereco, revelou que a intenção é preservar a filosofia de ritmo da bateria da Mocidade, que nunca teve as terceiras padronizadas. Andrezinho explicou que a intenção é fazer com que os ritmistas entendam a hora certa de fazer as subidas, usando a intuição musical para isso.

A última vez que a bateria ''Não existe mais quente'' ganhou todas as notas dez aconteceu ainda no Carnaval de 2002, quando o falecido mestre Coé, pai de Dudu – um dos novos mestres da bateria da Mocidade – comandava os ritmistas de Padre Miguel.

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