Olhando o carnaval que passou

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Com o distanciamento crítico de dez meses, chega a ser divertida a revisão do carnaval passado. Divertida porque mostra como a gente erra, ou ainda… é enganado por seus mistérios.

Agora, os sambas estão aí. Prontos, "consertados", misturados… prontos enfim. E então? Qual será o melhor, o mais bonito? E será que ele, o mais bonito, vai dar certo no dia ou será apenas aquela coisa boa de ser ouvida tomando uma cerveja com sardinha frita?

Sabemos que já vai longe o tempo em que a safra era colhida e em meio a ela saboreávamos dois, três ou até quatro jóias. Sabemos também que houve tempo em que oito e até nove sambas mereciam destaque.

Mas isto já faz muito tempo. Ainda assim o momento da safra é muito esperado. E é assim que fica saboroso rever aquilo que se dizia no ano que passou e comparar, com a preciosa ajuda dos meses passados, o que realmente aconteceu.

Partindo do dado pragmático de que o que vale é o entendimento do julgador oficial, vale trazer à lembrança que os sambas premiados com nota 10 foram Imperatriz, Tijuca, Vila, Mangueira e Beija-Flor.

De minha parte destaquei à época os sambas da Vila, da Imperatriz, da Beija-Flor e da Ilha. Ignorei os sambas da Mangueira e da Tijuca.
Hoje acho que Tijuca e Mangueira surpreenderam e Beija-Flor foi bem. Ilha, embora com resultado "suficiente", cantou um samba do qual a cada dia gosto mais.

E os sambas da Vila e da Imperatriz? Se vocês bem lembrarem foram os sambas que mais polêmica trouxeram. O da Vila por ser obra de um mestre, pelo atrevimento de seu andamento e pelo desafio que trazia ao padrão vigente de julgamento. O da Imperatriz por toda sua beleza e pela possibilidade e pela preocupação que acabou por trazer quanto ao desenvolvimento do desfile.

Para acender mesmo a memória é bom que se diga que a questão maior era relativa ao andamento, o desfile. Em quê medida aqueles sambas tão bonitos poderiam prejudicar a evolução da escola segundo aqueles padrões citados.

Embora saibamos que não é bem assim que a banda toca, vamos considerar que os quesitos "sob efeito" do samba são 'evolução,
'harmonia', 'conjunto' e, claro, o próprio 'samba-enredo'.

A Vila passou direto e só perdeu um único décimo em 'conjunto' e um outro em 'evolução'. Nada mau para tanto ti-ti-ti. Nada mau mesmo, até se considerarmos que tantos outros quesitos podem ter afetado o todo.

Fica aqui registrado, portanto, compositores do Brasil, que aquele tipo de samba obteve nota máxima e não interferiu nada, ou quase nada,
na evolução da escola.

E quanto ao samba da Imperatriz? Sabemos que a escola, naqueles mesmos quesitos, foi punida em doze preciosos décimos, ainda que tenha obtido a nota máxima no quesito específico do samba. Perdeu cinco décimos em evolução, seis em conjunto e três em harmonia.

E aí então, que recado podemos mandar para os compositores da Imperatriz? Confesso que não sei. O que certamente não será justo será pendurar tal responsabilidade sobre eles. Logo eles que são os que têm escrito a melhor média de qualidade das últimas safras.

A escola perdeu um total de 4.2 pontos distribuídos por todos os quesitos, exceto quanto ao samba e sua bateria com pontuações máximas.
O raciocínio em defesa dos compositores é que a escola perdeu pontos mesmo em quesitos, digamos, não sonoros como 'fantasia',
'alegoria', 'comissão de frente' e 'enredo'. Se é assim o problema não estava no samba enredo, que obteve a nota máxima.

Agora resta saber o resultado final disso tudo. Alguma escola apostou neste tipo de qualidade em seus sambas? Ou tudo terá ficado como nas safras anteriores?

Daqui a pouco saberemos o resultado, a bolacha já está no forno. Quando sair faremos aquela avaliação de sempre. Mesmo sabendo que
até o carnaval os sambas amadurecerão, mesmo sabendo que no desfile interagirão com o enredo desenvolvido na pista, com as fantasias
e com o público: se confirmarão ou não.

Fica aqui minha sugestão às editorias dos sites. Tudo bem que se faça a já tradicional enquete sobre os sambas no momento do CD. Tudo bem. Mas que às vésperas do carnaval uma outra avaliação seja divulgada de forma a considerar a evolução das obras a partir dos ensaios
de quadra, ensaios técnicos e da própria audição continuada do CD.

Que venha a "bolacha", tomara que com menos "cacos".

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