Parceria de Gabriel Martins resgata grande amor pela Cubango e é campeã de novo na escola

Por Guilherme Ayupp, Dandara Carmo e Winnie Delmar

cubango_final_02092017img_4604-copyA parceria que vem dominando os sambas vencedores na Cubango nos últimos carnavais triunfou novamente na noite deste sábado na final de samba da verde e branco de Niterói. Gabriel Martins, Bello, Wagner Big, Junior Fionda, Marcio André Filho, Jairo e Gigi da Estiva são os autores do samba que a agremiação levará para a avenida em 2018 quando apresenta o enredo ‘O Rei que bordou o mundo’, de autoria dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. O resultado causou polêmica e o clima na quadra esteve longe de ser eufórico. Com o anúncio do samba campeão um silêncio revoltoso dominou o local.

A reportagem do CARNAVALESCO apurou que o diretor de carnaval Alexandre Brittes teria sofrido uma suposta agressão e do lado de fora da quadra vários focos de pancadaria foram notados (A posição da escola, através da assessoria de imprensa, é que o diretor não foi agredido. ‘O que sabemos que houve uma confusão do lado de fora da escola entre os compositores perdedores e alguns componentes de direção, efetivamente conselheiros da escola, ficando, assim, carnavalescos, direção de carnaval e harmonia, presidentes dos conselhos deliberativo e soberano dentro da quadra e em segurança, até a confusão na rua passar e todos poderem ir para suas casas em segurança. A Cubango lamenta profundamente o ocorrido e afirma que providências serão tomadas quanto ao fato conforme rege o estatuto da escola.).

A parceria campeã é basicamente formada pelo time que vem dominando também as disputas da Mangueira. Na verde e branco de Niterói é o tricampeonato para Gabriel Martins (2015, 2017 e 2018), Wagner Big (2015, 2016 e 2018) e Junior Fionda (2014, 2015 e 2018). Bello, Márcio André Filho, Jairo e Gigi da Estiva, com histórico de vitórias em outras escolas, vencem pela primeira vez na Cubango.

cubango_final_02092017img_4602-copyCom um bom samba a parceria parece ter sentido a avassaladora apresentação da parceria de Sérgio Careca, principal adversária, que abriu muito bem a disputa. A torcida até demonstrou certa animação, mas poucos cantavam a obra. Se tornou inevitável a comparação entre as duas parcerias. Os demais pontos da quadra fora da torcida não apoiaram a apresentação.

– Essa vitória tem um gosto muito especial. Foi muito difícil. As apresentações foram muito competitivas. Aqui que eu comecei, que eu entrei para o mundo do samba. Eu devo muito a essa escola. Minha gratidão é enorme, tenho um carinho muito especial – disse Gabriel Martins.

whatsapp-image-2017-09-02-at-21-43-30Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que estreia na Série A, explicou o enredo sobre o Bispo do Rosário.

– A ideia de falar do Bispo do Rosário já é antiga. Nós começamos a desenvolver esse enredo em 2012 e ele ficou maturando mais de quatro anos na gaveta. O símbolo do nosso enredo é a bússola que é justamente para entender por onde andar nessa estreia na Série A. A obra do Bispo do Rosário é muito impactante. Sua memória é pouco conhecida do grande público, ele já apareceu de maneira pontual em inúmeros enredos. Todo mundo que gosta de carnaval e que acompanha carnaval conhece alguma coisa do Bispo do Rosário, mas faltava um enredo inteiro dedicado a ele. O enredo vai passear por todo esse intercâmbio entre vida e obra – conta Bora.

Diogo e Tais prometem parceria duradoura

cubango_final_02092017dsc00243-copyOutra novidade na Cubango para o desfile de 2018 é o casal de mestre-sala e porta-bandeira Diogo Jesus e Thais Romi. Ambos se encontravam sem escola e montaram uma parceria para fechar com a agremiação. Diogo revela que a intenção é formar uma união longínqua e duradoura.

– O casal precisa de muito tempo para se entrosar. Independente das notas no primeiro ano o resultado só vem mesmo com dois, três anos de parceria. Nossa intenção é a manutenção dessa parceria que está começando muito bem. Meu estilo se casa muito bem com o da Thais e eu creio que faremos um grande desfile – afirma Diogo.

cubango_final_02092017dsc00238-copyThais Romi conduziu o primeiro pavilhão da Porto da Pedra por cinco carnavais. Diogo Jesus foi mestre-sala da Portela e acabou de ser campeão do carnaval com a Mocidade. Por isso o novo casal cubanguense chega cercado de expectativa na nota 10. Tais encara a pressão com naturalidade.

– Eu acho que deve partir da gente mesmo esse tipo de cobrança. Mas não há outra maneira de alcançar a nota a não ser trabalhando muito, ensaiando, lendo as justificativas para compreender o que desejam os jurados. Temos consciência da expectativa depositada na gente e trabalhamos muito para cumpri-la – resume a porta-bandeira.

Dívida da Cubango é de R$ 400 mil, informa presidente

cubango_final_02092017dsc00254-copyEm entrevista ao site CARNAVALESCO, durante a final de samba o presidente da Cubango Rogério Belisário falou do tamanho do desafio de reconstruir a escola, pois segundo ele a dívida encontrada é alta.

– Pegamos a escola com uma dívida na casa dos R$ 400 mil, um barracão em condições insalubres e uma quadra abandonada. Mas montamos uma equipe de carnaval muito competente que já está organizando a casa. Temos os nossos protótipos já em fase de reprodução. É claro que a maior dificuldade é financeira, mas nosso carnaval está orçado em cerca de R$ 1,4 milhão – promete Belisário.

cubango_final_02092017img_4571-copyO presidente revela à reportagem do CARNAVALESCO ainda que o samba escolhido irá sofrer algumas alterações e que 80% das fantasias serão doadas à comunidade.

– Não enxergo outra forma de ir bem na avenida que não seja doando o máximo possível de figurinos para a comunidade. Trabalhamos com um total de 1.500 desfilantes e quero doar 80% disso. Quanto ao samba já estava definido que alterações seriam necessárias, tanto que os compositores foram avisados nesse sentido – concluiu.

Bateria segue o padrão de qualidade

cubango_final_02092017dsc00160-copyDemétrius Luiz, mestre de bateria da Acadêmicos do Cubango, diz estar satisfeito com sua bateria e principalmente com os prêmios recebidos pelo trabalho feito para o Carnaval 2017.

– A bateria passou muito bem ganhou dois prêmios, foi muito elogiada. Não vai mudar muita não, vai continuar o mesmo trabalho, só dar continuidade pra conseguir as quatro notas 10 – afirma o mestre de bateria.

Fazendo suspense sobre a representação da fantasia, ele diz que o andamento da bateria continuará o mesmo, levando 240 ritmistas para a avenida no Carnaval 2018.

– O andamento vai continuar o mesmo, nem muito para frente, nem muito para trás – finaliza Demétrius.

Como foram as apresentações:

cubango_final_02092017img_4573-copyParceria de Sérgio Careca: Uma apresentação de campeão. A parceria levou uma numerosa torcida para a quadra, que fez uma festa incrível. O samba foi muito bem conduzido por Diego Nicolau. Os camarotes cantaram vários trechos da obra e a quadra explodiu várias vezes quando o samba atingia o refrão principal.

Parceria de Dudu Oliveira: Com um samba de melodia irregular que não facilitava o canto, os intérpretes do samba tiveram muita dificuldade para fazer a apresentação contagiar a torcida. O samba acabou se arrastando, apesar de uma animada e pequena torcida. Os demais setores da quadra acabaram não apoiando o samba também.

Parceria de Juliana Santos: O samba cumpriu um bom desempenho. O palco foi comandado por Pavarotti e Daniel Silva. A torcida era pequenina nas cantou o samba com animação. Eles trouxeram bolas e bandeiras nas cores verde, laranja e branco.