Parceria de Josemar Manfredini vence na Tijuca e quebra hegemonia

Hegemonia quebrada. Na madrugada deste domingo, a parceria de Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Callado e Silas Augusto se tornou a grande campeã da disputa de samba da Unidos da Tijuca. Com uma apresentação “danada di boa”, a obra conseguiu animar segmentos da escola e o público presente na quadra. Zé Paulo, que defendeu o samba campeão, mostrou o porquê de estar figurando entre os melhores intérpretes da atualidade: durante os 30 minutos de apresentação deu um show à parte, sem deixar a composição cair.

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Manfredini conversou com o site CARNAVALESCO e falou sobre a emoção de ganhar o samba, na primeira vez que entrou na disputa da Tijuca:

– Eu venho numa seqüência desde 2006 e sempre me dedicando: uma porque gosto muito e meu filho que ama carnaval. A escola abraçou o nosso samba, agora é só comemorar. Fui recebido aqui com muito carinho. Eu fiz samba na Caprichosos e depois no Salgueiro e hoje devido minha condição física (problemas de saúde no início do ano), não iria colocar samba em lugar nenhum e me convidaram para cá. Fiquei muito feliz como é feita a disputa aqui. Sem maiores problemas, todos se respeitando e isso me cativou. Ano que vem vou continuar aqui.

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O compositor também aproveitou para falar da relação com o filho de 19 anos, que nasceu especial:

– O Dan Dan é uma criança especial, tem Síndrome de Down. Em 2005 ou em 2006, não me recordo, o mestre Louro na Caprichosos, o pegou pela mão e deu um tamborim para ele. Aí acabou. De lá para cá, ele sabe tudo e muitos do mundo do samba o conhecem. Então a minha dedicação e minha vibração são pela felicidade dele. Quando ele nasceu eu ouvi muitas besteiras, me falaram que ele ia ter uma vida curta por ser especial, então eu coloquei um propósito na minha vida, que ele não é isso e que ao invés dele ter uma vida curta eu faço ele curtir a vida. Levo-o para onde eu for. A felicidade em ganhar é muito maior por ele do que propriamente o samba – finalizou com lágrimas nos olhos.

O presidente da agremiação Fernando Horta falou ao CARNAVALESCO sobre a escolha do samba, onde o mesmo já havia assumido toda a responsabilidade:

– Na minha visão, o samba está totalmente dentro do enredo. A letra é muito boa é a melodia é forte, temos que lembrar que a escola é a quinta a desfilar na segunda-feira, então precisava de um samba para cima e a escola gosta de sambas dessa maneira. A escola está trabalhando cada vez mais, seremos um grande adversário para as co-irmãs. Essa escolha foi a mais difícil dos últimos anos. A diretoria da escola estava dividida, então eu matei no peito e trouxe a responsabilidade para mim. Eu acredito que sou uma pessoa iluminada e tenho certeza que acertei em escolher esse samba.

Paulo Barros carnavalesco da Tijuca, saiu do camarote entoando o samba campeão, também falou sobre essa escolha:

– Na verdade vou abrir o jogo. Eu tinha dois sambas estavam totalmente dentro do enredo. A decisão ficou a cargo do presidente e, pelo que eu conheço dele, pela convivência durante esses sambas, eu sempre confiei na decisão dele e mais uma vez eu acredito que ele fez uma bela escolha. Agora vamos começar a desenvolver o trabalho todo.

Curiosidade ou não, depois de ter escrito em sua página numa rede social, Paulo falou sobre o Círio de Nazaré e a possibilidade de ter uma terceira reedição:

– Nada impede que seja. Eu não conhecia o Círio e fiquei impressionado. Foi uma experiência única na minha vida. Não sou religioso, fui criado na igreja católica porém não sou praticante, acredito em outras forças da natureza. Mais como expressão religiosa de fé, não por ser entidade mais pela fé do povo que vi, pude perceber muitas coisas interessantes e chocantes. Fiquei muito impressionado e emocionado. Eu fazia uma ideia do Círio e vi de uma outra maneira. Um olhar que está no entorno do que acontece. E como eu vi sem dúvida nenhuma eu teria condições de fazer uma terceira versão do Círio de Nazaré de uma maneira totalmente diferente. Quem sabe? Pode ser. A possibilidade existe, sem dúvida nenhuma. Essa ideia ainda não foi passada. As minhas ideias são segredos.

Ricardo Fernandes, diretor de carnaval, falou sobre a escola do samba e sobre possível mudança na letra:

– Podemos mudar uma palavra só do samba. Seria o “baião” pelo “sertão”. Uma opção do carnavalesco, que iremos acatar. Ele está pronto. Assim também como havia outros prontos. Esse foi o escolhido. Um belo samba com uma bela melodia. Uma bela opção do presidente. Samba-enredo é costume. Analisamos os sambas e foi observado durante toda a disputa, não foi uma coisa de apenas um dia.

As apresentações das parcerias

Representando o estado de Pernambuco, o secretário de Turismo, Alberto Feitosa, falou ao CARNAVALESCO sobre a integração da escola com o estado:

– Para a gente é muito importante. Quando você vai lá fora e pergunta sobre o Brasil, 90% das pessoas falam logo do Rio de Janeiro. O carnaval é a festa mais conhecida sobre o ponto de vista cultural no mundo inteiro e você poder atrelar a imagem de Luiz Gonzaga que é para o Brasil e para o mundo uma referência do povo nordestino, que através de sua música, a forma de viver e falar do nordestino, todo o jeito. Fazer essa mistura com o carnaval e com a Tijuca é muito importante. A escola é muito séria e uma super campeã.

Antes de começar propriamente o samba dentro da quadra, o forró rolou solto, animando os presentes do lado de fora. Durante as eliminatórias, foi montado um palco para os shows. Quando já passavam da meia-noite e, conseqüentemente, o início do horário de verão, intérpretes da escola começaram a cantar sambas clássicos da agremiação para esquentar o que vinha pela frente.

Ficou definido que os sambas fariam apresentações durante 30 minutos, começando por duas passadas sem bateria e depois direto com bateria. O primeiro a subir ao palco foi da parceria campeã de Pernambuco. Belo Xis e parceiros mostraram bastante empolgação durante sua apresentação, entretanto a bateria não se encaixava com o samba e isso prejudicou a melodia da obra. Os compositores também sofreram com o transporte de seus adereços, que não chegou devido à quebra de seu caminhão na estrada. Porém, a parceria estava muito feliz em fazer parte dessa final como afirmou Belo Xis: – Estar aqui no Rio, participando dessa final, já é um titulo.

A parceria de Márcio Paiva tinha um refrão muito forte, porém o samba não empolgava na quadra. Segmentos da escola não se manifestavam até esse momento. Tentando fazer o algo a mais para essa final. O samba que foi defendido valentemente por Pixulé, aos poucos cansava o público.

A terceira Parceria foi a primeira a mexer com os segmentos. Zé Paulo, antes de começar a cantar o samba, pediu que todos cantassem o samba com gosto, porque esse poderia ser o campeão. Parecendo até prever, a quadra acatou o pedido e fez com que o samba fizesse a melhor apresentação dessa final. Antes mesmo de iniciar, o diretor de carnaval, Ricardo Fernandes pediu que Zé Paulo começasse, que o tempo de espera já tinha se esgotado. A parceria começou cantando um forró e foi a única da noite que deixou seus torcedores e público sozinhos cantarem o samba. A bateria encaixou perfeitamente e o coro de campeão foi entoado no final da apresentação.

O último samba da noite foi da parceria de Júlio Alves e Totonho, os atuais campeões. Vale destacar a presença de uma pessoa amiga da parceria, que veio e pediu para trocar os microfones antes do início da apresentação. O samba começou morno, porém cresceu rapidamente. Segmentos da escola também cantaram muito deixando claro que a disputa estava mesmo entre os dois últimos sambas. Com uma boa melodia e letra fácil, não seria difícil ganhar a disputa. Um palco forte com Tinga, Luizinho Andanças e Thiago Brito, que mantiveram o canto – depois das duas primeiras passadas – até o final da apresentação. Vale destacar a torcida da parceria que levou alegorias, um homem vestido de Luiz Gonzaga e uma realeza, um show à parte.

O anúncio do vencedor

Dez minutos após o último samba sair do palco, o presidente já desceu de seu camarote com toda a diretoria e logo passou o microfone para Bruno Ribas, intérprete da escola entoar o samba campeão da noite. Uma explosão de alegria tomou conta da quadra. Até quem não tinha ido a nenhuma eliminatória cantou o samba. Com a parceria de Manfredini campeã, foi a quebra de uma sequência de seis anos seguidos, tendo como um dos vitoriosos Júlio Alves ou Totonho.

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