Parceria de Marcelo Guimarães vence samba para 2016 e prova que é Beija-Flor na alegria ou na dor

Na Deusa da Passarela deu Marcelo Guimarães no duelo de titãs contra outros compositores consagrados na Beija-Flor de Nilópolis. Com uma esmagadora maioria dos votos a parceria do cantor, que tem ainda, Sidney de Pilares, Manolo, Jorginho Moreira, Kirraizinho e Diogo Rosa foi a grande vencedora da disputa de samba da escola. Foi a terceira conquista de Marcelo na Beija-Flor (as outras foram em 1988 e 2009). Sidney de Pilares alcançou a quarta conquista, Jorginho Moreira a segunda, assim como Diogo Rosa. Manolo e Kirraizinho debutaram com a primeira conquista cada um. A Beija-Flor viveu uma daquelas noites que consagraram a agremiação como rolo compressor da avenida. Diante de uma quadra lotada, após as quatro apresentações, ficou clara a polarização entre as parcerias de JR Beija-Flor e Marcelo Guimarães. Com um samba de melodia mais próxima das características da escola, a parceria vencedora teve como trunfo a vontade da quadra.

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O compositor Marcelo Guimarães comemorou o seu tricampeonato na Beija-Flor como uma “vitória da comunidade”. Marcelo destacou o verso “Sou Beija-Flor na alegria ou na dor”, do refrão principal, como algo que cativou os torcedores da agremiação e impulsionou a vitória da parceria. – Não adianta trazer gente de fora, gastar dinheiro com torcida. A gente tem que é que conquistar a comunidade, as alas, os segmentos. Quem é nilopolitano de verdade sabe o que estou falando quando digo o que é ser Beija-Flor na alegria ou na dor.

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Marcelo, que já havia ganho na Beija-Flor em 1988 e 2009, celebrou o bom rendimento do seu samba nas eliminatórias e, principalmente, na final. A forma de votação deixou claro que a obra era a preferida da maior parte da escola. – A vitória não é só da parceria, é de todos. A vitória é da Beija-Flor. O samba agora não é mais da parceria, é o hino oficial da Beija-Flor para 2016.

Jorginho Moreira, um dos co-autores do samba em homenagem a Roberto Carlos, em 2011, exaltou, em entrevista ao CARNAVALESCO após a conquista, a construção melódica da obra de 2016. – Conseguimos manter a linha melódica característica da escola. Desde o início da disputa fomos abraçados pela comunidade e essa vitória coroa uma composição que os segmentos desejavam. É assim que se começa a ganhar carnaval – afirmou. A tese de Jorginho Moreira se confirmou desde os primeiros minutos da apresentação da parceria. Os compositores apostaram em muitos adereços e surpresas mas não se esqueceram do principal: o canto. Com a melodia mais adequada ao estilo da Beija-Flor o samba teve grande destaque no trecho final da segunda da obra até entregar para a explosão no refrão principal. A apresentação não deixou dúvida sobre o melhor samba para representar a Beija-Flor para o carnaval, apesar da boa qualidade da principal obra concorrente, a parceria de JR Beija-Flor. A cada voto anunciado na quadra o grito de campeão era aos poucos solto pelo público.

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Laíla dispara: 'Desafio alguém agora a falar que não temos samba'

Sem papas na língua, como sempre, o diretor geral de carnaval e harmonia da Beija-Flor, Laíla, atacou os críticos da safra nilopolitana. – Eu desafio as pessoas que nos acusaram de não ter samba a questionar a qualidade de nossa obra. Optamos pelos quatro finalistas e qualquer um deles teria totais condições de representar a Beija-Flor ano que vem. Vamos mais uma vez em busca do título – disparou. O presidente de honra, Anísio Abraão David, no palco, pediu respeito para comunidade da Beija-Flor. 

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Sempre contundente e firme em seus posicionamentos, Laíla mandou um recado aos que acreditam que a Beija-Flor não vai disputar o título. – Nossa escola está mais unida do que nunca. Não entramos na avenida para disputar, mas para ganhar. Quem esteve aqui pode ver que a minha comunidade abraçou um samba e é com ele que vamos fazer um belíssimo desfile – comentou.

Laíla fez um balanço das inovações implementadas por ele na disputa de samba deste ano. – Fizemos algumas modificações para dar mais dinamismo à disputa. Trouxemos 12 sambas para a quadra e acredito que tenha sido positivo. Conferimos igualdade de condições a todos – explicou. Outra inovação implementada pelo experiente diretor foi a leitura voto a voto na quadra de cada um. O integrante subia ao palco e tinha de declarar sua opção no microfone diante de todos. Cerca de 80% dos votantes fizeram a opção pelo samba campeão. 

Neguinho da Beija-Flor comenta disputa acirrada na escola e fala do samba que irá defender na Mocidade
 
Neguinho definiu a final da Beija-Flor como “a mais acirrada que já viu” em seus 40 anos de carreira no carnaval. – Eu nunca vi a minha escola tão dividida assim entre quatro sambas. Mas, com qualquer um desses, a Beija-Flor está bem servida. São obras maravilhosas – disse. O cantor falou também sobre o samba da Mocidade que irá defender na semifinal da verde e branca neste sábado. Para Neguinho, “era preciso quebrar o tabu”. – Todos os meus amigos intérpretes concorrem em outras escolas. Então por que eu não poderia? Eu gostei muito do samba e estarei lá defendendo na semifinal e quem, sabe, na final.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Fran-Sérgio, membro da comissão de carnaval da Beija-Flor, revelou que não haverá festa de protótipos na escola. – O torcedor nilopolitano pode esperar uma escola com muito luxo, requinte e riqueza de detalhes. Estamos com o barracão a todo o vapor e trabalhando cuidadosamente para deixar tudo o mais perfeito para o nosso componente e para a nossa escola.

Selminha Sorriso celebra qualidade dos sambas finalistas
 
Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor, cantou todos os sambas finalistas durante a apresentação do ‘pot-pourri’ com as obras finalistas, no início da noite. Selminha também afirmou ser a disputa mais acirrada que já viu na Beija-Flor. – Eu acompanho todo o processo do carnaval da escola, gosto de ouvir a safra de sambas e ir aprendendo. Esse ano a qualidade foi acima da média. Os compositores fizeram grandes obras e pela primeira vez na Beija-Flor vejo uma final que não tem um samba favorito. 

Raíssa projeta grande carnaval para a Beija-Flor
 
Com um vestido dourado e com detalhes de flores em azul, Raíssa, rainha da bateria da Beija-Flor, elogiou as obras que chegaram na final da escola. – Infelizmente, só um pode ser escolhido. Mas todos os sambas foram muito bons, os compositores estão de parabéns. A Beija-Flor vai ter novamente um grande samba e fará um grande carnaval.

Segundo mestre Rodney, a bateria já está focada no desfile de 2016 e terá 280 ritmistas. – Nós já estamos trabalhando de maneira intensa para o carnaval do ano que vem, com três ensaios por semana. Agora vamos curtir o samba vencedor até o nosso ensaio e só depois pensar nas bossas a serem criadas e no andamento necessário para a gravação do CD. 

Confira como foram as demais apresentações na final:

Parceria de Serginho Aguiar: O refrão principal de pegada forte foi o grande destaque da passagem da obra. A torcida muito numerosa e aguerrida fez uma grande festa no momento que o samba era cantado. As pessoas não trouxeram bandeiras, apenas cartolas de papelão e bexigas cumpridas. Um integrante representava o Marques de Sapucaí. A bateria fez diversas bossas, sob o comando de mestre Rodney e Laíla. Entretanto, o restante da quadra não se empolgou com a passagem do samba. À margem da torcida, não notou-se grande empolgação. Fran-Sérgio subiu ao palco no momento da apresentação, mas não cantou o samba. O rendimento da obra foi irregular nas outras partes, com uma considerável queda no trecho final.

Parceria de J Velloso: O samba enfrentou dificuldades durante sua apresentação na final. A torcida não esteve muito aguerrida e apresentou um canto insatisfatório. O restante da quadra reagiu com frieza e os cantores tiveram dificuldades na sustentação do andamento. O samba rapidamente caiu de rendimento. A parceria investiu em muito papel picado e bexigas nas cores azul e branca. Durante a passada para o canto da torcida muitas pessoas não cantaram.

Parceria de Junior Trindade: A parceria promoveu uma invasão na quadra, com muita gente. O acerto na metáfora na relação da Beija-Flor e Sapucaí fez as pessoas batessem no peito e cantassem forte os trechos que remetiam à Deusa da Passarela. Principalmente os versos do refrão principal. Os galácticos cantores Tinga, Ito Melodia e Marquinho Art'Samba incendiaram a quadra e mantiveram o samba sempre com rendimento linear. Entretanto no trecho final da apresentação houve uma oscilação no canto.

Quadra pulsa e recebe personalidades mineiras

A noite de festa na Beija-Flor foi aberta com o show especial da escola paulistana Nenê de Vila Matilde, que apresentou seus sambas marcantes antes da azul e branco nilopolitana. Antes da disputa começar Laíla ordenou que todas as parcerias comparecessem ao palco e cantassem três passadas de cada samba, em um pout-porri. – Foi uma apresentação histórica. Tive de conter a emoção muitas vezes enquanto a Nenê se apresentava nesse retorno ao Rio, após 30 anos do nosso desfile histórico na Sapucaí. Foi uma honra pisar na quadra da Beija-Flor e mostrar a garra matildense – contou o presidente Rinaldo José de Andrade, o Manteiga.

A quadra da Beija-Flor, como de costume, recebeu diversas personalidades importantes em mais uma final de samba. A comitiva do governo de Minas se fez presente em peso e o secretário estadual de Turismo, Mário Henrique Caixa, falou aos presentes sobre a parceria da Beija-Flor e o estado de Minas Gerais.

A Beija-Flor de Nilópolis apresenta no Carnaval 2016 o enredo "Mineirinho Genial. Nova Lima – Cidade Natal. Marquês de Sapucaí – O Poeta Imortal". A escola vai em busca do bicampeonato já que foi a grande vencedora do desfile de 2015. A azul e branco será a terceira a desfilar domingo de carnaval. A gravação da faixa da Beija-Flor no CD oficial da Liesa está marcada para o dia 22 de outubro, na Cidade do Samba, a partir das 13h. A agremiação encerra a temporada de ensaios técnicos para o Carnaval 2016 com o teste de luz e som do Sambódromo no dia 31 de janeiro de 2016.