Parceria de Marcelo Motta vence e diz: ‘Salgueiro é amor que mora no peito’

Foi um verdadeiro sacode. Com uma apresentação arrebatadora, a parceria de Marcelo Motta, Tico do Gato, Ribeirinho, Dílson Marimba, Domingos PS e Diego Tavares venceu a disputa de samba-enredo do Salgueiro para o Carnaval 2012. Com o resultado, Marcelo Motta conquistou a terceira vitória na escola. Ele já tinha vencido em 2007 e 2008. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o compositor explicou como foi feito o samba.

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– Para o Salgueiro sempre fazemos samba com mais carinho (risos). Costumo dizer que o samba só fica pronto dentro do estúdio. Fomos lapidando ele ao longo de duas semanas até chegar a versão desejada. Sempre marcamos cada dia na casa de um parceiro. Lá fazemos um lanchinho e discutimos sobre o samba.

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Tico do Gato, outro compositor campeão, afirmou que até poderia parar após essa vitória. – Fizemos esse samba com todo o carinho e me sinto o cara mais realizado do mundo neste momento. Poderia até parar agora que ficaria satisfeito. Essa disputa eu tinha que ganhar. É segunda vez que eu venço, mas sempre dá um gostinho especial.

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A quadra do Salgueiro recebeu um excelente público, permanecendo lotada durante toda a noite. Cada parceria teve 30 minutos de apresentação. Após o resultado, as parcerias de Dudu Botelho, eliminada na semifinal, e de Demá Chagas, primeira finalista do dia, subiram ao palco e foram comemorar com Marcelo Motta e seus parceiros. – O importante é ganhar o samba que a escola quer. Ficou claro que a base da escola queria o samba que ganhou. Isso é importante. Eu ganhei o samba três vezes, o Demá acho que umas sete, e o mais importante é acabar a disputa de samba do jeito que acabou hoje: a escola toda cantando feliz. Quando isso acontece no Salgueiro, pode ter certeza que estaremos danados para versar na Academia e seremos os reis da folia – afirmou Dudu Botelho.

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Os vencedores contaram com um timaço de canto. Formado por: Luizinho Andanças, Zé Paulo, Igor Sorriso, Leléu, Diego Nicolau e Tinga. O início do samba foi triunfal. Os segmentos da escola cantavam e interagiam com o samba. A apresentação começou sem correria e com a melodia sendo valorizada. Além disso, os arranjos foram destaques. A parceria levou zabumba e triângulo. Os ritmistas não esconderam a preferência e cantaram bastante o samba, o mesmo acontecendo com o público nos camarotes.

Durante a apresentação da parceria de Marcelo Motta, o som teve alguns problemas, mas que não atrapalharam. No momento da parceria de Xande de Pilares, o sistema de som falhou por diversas vezes e o compositor Fernando Magaça chegou a reclamar com Dudu Azevedo, membro da comissão de carnaval.

A presidente Regina Celi disse que a democracia prevaleceu na escolha salgueirense. – Sempre temos que saber o samba que a escola quer. Independente de quem votou ou deixou de votar, tem que ser a maioria, isso é uma democracia. É um trabalho de respeito que estamos implementando no Salgueiro. Aqui não ganha samba porque é amigo, parceiro ou outra coisa. Aqui ganha o melhor. Temos que ir para a Avenida disputar o título e não podemos errar nessa escolha.

O compositor Marcelo Motta explicou para o CARNAVALESCO, qual é o ponto alto do samba: – Acho que é mexer com a emoção do componente e animá-lo sem oba-oba, sem apelação. Ele está todo dentro do enredo e a sinopse está totalmente integrada. O refrão principal chama a atenção da comunidade, representa o orgulho de ser salgueirense.

Marcelo Motta revelou que a parceria gastou perto de R$ 90 mil. – Levamos de 800 a 900 pessoas para final. Sou salgueirense doente desde pequeno. Nasci na Conde Bonfim e, aos dois anos de idade, já assistia no ombro do meu pai aos ensaios da escola no local. Com 18 anos, resolvi virar compositor e levei um amigo para buscar a sinopse do Salgueiro. Não nos levaram muito a sério, mas estou há 11 anos ininterruptos fazendo samba para o Salgueiro.

Dudu Azevedo, membro da comissão de carnaval, também comentou a escolha do samba. – O samba foi abraçado por todos. Não temos dúvidas que vai tirar onda na Avenida. Ele permite a bateria fazer variações de ritmo e à direção de harmonia puxar mesmo o canto dos componentes. É um samba pra bater no peito e cantar. Além disso, é perfeito em letra e melodia e casa muito bem com o enredo do Renato Lage. No final o que aconteceu se resume ao lema da escola: 'Nem melhor nem pior, apenas uma escola diferente'.

Como foram as outras apresentações

O primeiro samba da noite – parceria de Demá Chagas, Alessandro Falcão, Jorginho JB, Elcinho Saara, Vania Miranda e Tuninho Fernandes – não empolgou o público e mostrou-se um pouco apático no palco. Por mais que Ciganerey, intérprete do samba, tenha se esforçado, a torcida e, principalmente, os segmentos salgueirenses, tinham dificuldade para interagir com a parceria, qua acabou recebendo apenas um voto. Parte disso, deve-se à melodia, arrastada e com poucas variações. Com o decorrer dos 30 minutos de apresentação, a torcida, uma das maiores da noite, cantou ainda menos o samba, o que deixou a passagem da parceria pelo palco longe do que se espera de um finalista do Salgueiro.

Depois foi a vez da parceria de Xande de Pilares, Betinho de Pilares, Fernando Magaça, Feijão, Sandro Amorim e Jassa se apresentar. Com dois refrões fortes, a obra ganhou a simpatia de alguns nomes importantes na escola: mestre Marcão, o diretor de carnaval Anderson Abreu, o diretor de harmonia Dudu Azevedo e a presidente Regina Celi o elegeram como o melhor da final, mas um pequeno problema de entrosamento entre Nêgo, que acabou chegando no palco um pouco antes do início da apresentação, e Anderson Paz, que cantou o samba durante toda a disputa, tirou um pouco do brilho da parceria. Outro problema enfrentado por Xande e companhia, aconteceu quando o som começou soltar alguns ruídos, como se fios estivessem sendo pisoteados. O compositor Fernando Magaça chegou a reclamar de forma veemente com Dudu Azevedo, mas a questão foi minimizada até o fim da apresentação.

Bateria faz bossas e mestre Marcão explica

Mestre Marcão conversou com o CARNAVALESCO sobre a final de samba. – Isso é democracia. Aqui temos que respeitar cada um. É um lema que a presidente sempre repete, nós respeitamos para sermos respeitados. Que vença o melhor. Se o melhor foi esse, nós vamos lá disputar o campeonato com esse samba. Hoje eu vou sentar com a minha bateria para discutir onde nós iremos lapidar pra levar um bom trabalho na Avenida. Estamos ensaiando desde maio, mas não pegamos os sambas para fazer essas bossas que vocês ouviram. Nós fazemos as chamadas bossas universais, que podem ser encaixadas em diferentes partes do samba. Antes de fazer, eu pedi permissão à presidente Regina Celi e tudo deu certo.

Cantores do Salgueiro aprovam escolha do samba

Quinho, um dos intérpretes do Salgueiro, disse que o samba campeão é maravilhoso. – Não tenho dúvida que faremos um grande desfile com ele. A última vez que isso acontecer numa final de samba-enredo do Salgueiro foi em 1993, e vocês sabem o que aconteceu depois. Nem acho que vá acontecer o mesmo. Aquilo só acontece de 100 em 100 anos, nem estarei vivo para ver aquilo acontecer de novo, mas ficarei feliz e seremos campeões se pelo menos 50% daquele desfile acontecer de novo. Temos um grande samba, uma grande escola e um grande carnavalesco. Estamos no caminho certo.

Outro intérprete da agremiação, Leonardo Bessa, ressaltou que a escola conta com uma obra que mexe com o componente. – Era um samba que a escola queria e isso já é 50% de um desfile. Temos um período longo até o carnaval para trabalhá-lo da melhor forma. É um samba que mexe com o salgueirense.

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