Parte plástica do Império da Tijuca é o destaque no desfile da escola

Por Rodrigo Coutinho

imperio-da-tijuca_desfile_2018_28A Verde e Branca do morro da Formiga voltou a pisar forte na Marquês de Sapucaí. Se não fez um desfile perfeito e provavelmente não será postulante ao título, por outro lado apresentou uma parte visual bem acima do esperado para uma escola da Série A, em 2018. A concepção e o acabamento das alegorias, bem como a leitura das fantasias foram os grandes destaques. Grande trabalho feito pela dupla Jorge Caribé e Sandro Gomes. Mostraram capacidade para driblar a crise financeira com muita criatividade. O canto da escola, porém, deixou bastante a desejar e não impulsionou o desfile da forma devida. O Império da Tijuca encerrou a sua passagem pela Marquês de Sapucaí com 53 minutos. A verde e branca desfilou com o enredo “Olubajé – Um Banquete para o Rei”.

Comissão de Frente

imperio-da-tijuca_desfile_2018_12Vestido com a fantasia “O Filho do Sol e a cerimônia ritualística da vida e da morte”, o grupo coreografado por Junior Scarpin, que já fez belos trabalhos na escola, apresentou-se muito bem no que diz respeito a dança. A concepção era claramente um ritual envolvendo o personagem central, que no ápice da coreografia retirava o adereço que cobria o seu rosto. A comissão apresentou muita energia e até alguns movimentos acrobáticos, tudo bem sincronizado. O porém fica na indumentária. Se na face a maquiagem funcionou bem, no restante do corpo dos integrantes a fantasia não acompanhou a qualidade. As palhas foram se soltando ao longo da Avenida e o fato pode fazer a comissão perder décimos. No primeiro módulo um dos integrantes deixou o chapéu cair durante a apresentação para os julgadores.

imperio-da-tijuca_desfile_2018_19Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Jeferson Sousa e Gleice Simpatia representaram Iá Omon Ejá, a grande mãe criadora do Universo. Ele foi o guardião e ela as águas dos mares. Uma fantasia impecável! Acima até de algumas que já vimos no Grupo Especial. Leitura perfeita e acabamento idem. Cores muito bem definidas. No bailado, segurança e uma dança mais clássica. Sem movimentos bruscos e mais arriscados. Nem mesmo as palhas da fantasia da comissão que ficavam pelo caminho atrapalharam a dupla.

Harmonia

imperio-da-tijuca_desfile_2018_59O grande calcanhar de Aquiles do desfile imperiano. Faltou canto em grande parte das alas, praticamente todas. O caso mais extremo foi na ala de fantasia Xapanã. Muitos componentes mostraram não saber o samba todo, principalmente, nos versos onde havia palavras em Yorubá. O canto melhorou um pouco no último setor, mas não o suficiente para mudar o estágio inicial.

Enredo

Um verdadeiro mergulho no universo do orixá. Desfile entendido de forma perfeita pela leitura fácil das fantasias. Mesmo tratando de um tema denso para muita gente, o tema transcorreu de forma natural e leve.

imperio-da-tijuca_desfile_2018_77

imperio-da-tijuca_desfile_2018_52-7Evolução

Começou em um ritmo forte. Com 12 minutos a comissão de frente já se apresentava no segundo módulo. Depois transcorreu em ritmo normal, até a passagem da bateria pelo segundo módulo, quando inexplicavelmente houve uma aceleração no passo da escola. Na entrada da bateria no segundo recuo houve um espaçamento bem além do normal na ala de passistas, que vinha logo à frente. A própria ala de passistas já havia passado mal distribuída no primeiro módulo de julgadores. A apatia demonstrada no canto não apareceu de forma tão acentuada na evolução, mas podemos considerar o rendimento do quesito irregular.

imperio-da-tijuca_desfile_2018_40Samba-Enredo

Entoada pelo intérprete Daniel Silva, a obra teve rendimento linear ao longo do desfile. Se tivesse sido mais cantada pelos componentes, renderia mais. O cantor fez mais uma apresentação segura.

Fantasias

Não acompanharam o nível estético dos carros alegóricos, mas dificilmente veremos um conjunto com leitura tão clara. No sentido de acabamento se destaca a fantasia da ala de baianas. E no sentido de leitura, a ala 17, Panelas de Barro. Destaque para o extremo bom gosto nas fantasias do segundo e do terceiro casal.

imperio-da-tijuca_desfile_2018_54

imperio-da-tijuca_desfile_2018_84-1Alegorias

Conjunto coeso. Alegorias sem falhas de acabamento, concepção clara e leitura perfeita. Uma aula de como se fazer alegorias com materiais alternativos e não perder o bom gosto. Destaque para a segunda alegoria. Iluminação perfeita!

Outros Destaques

Como de praxe, a rainha de bateria Laynara Telles deu um show de samba no pé, beleza e interação com ritmistas e público. Fantasia muito bem concebida. Bom gosto e sensualidade na medida certa!

Um comentário em “Parte plástica do Império da Tijuca é o destaque no desfile da escola

Os comentários estão desativados.