Paulo Barros fala sobre comparações com gênios e recadinho de Priscila, a Rainha do Deserto

São menos de dez anos no Grupo Especial, dois títulos e três vice-campeonatos, gostem ou não do estilo Paulo Barros de fazer carnaval, é inegável que o carnavalesco da Unidos da Tijuca já tem o seu lugar na história no carnaval carioca. Não só pelos resultados, mas por aplicar nos desfiles das escolas de samba conceitos inéditos ou trazer uma releitura daquilo que já existia no espetáculo. O sucesso traz comparações com os grandes carnavalescos que pautaram a história. Fernando Pinto e Joãosinho Trinta são os mais lembrados pelo estilo arrojado e renovador, mas Paulo garante não ter essa preocupação.

– Eu gostaria de ter uma bola de cristal para dar uma olhada nisso(risos), mas não faço esse tipo de previsão. Só trabalho de uma forma em que tudo aquilo que acredito que seja bom para ser curtido e admirado possa ser oferecido ao público. O João era um gênio. Só faço o meu trabalho da melhor maneira possível.

Apontado muitas vezes como um carnavalesco que desenvolve de maneira confusa os seus enredos, Paulo Barros trouxe este ano para a Avenida um singelo recado para aqueles que não entenderam a inclusão de personagens como Priscila, a Rainha do Deserto, no desfile do ano passado, sobre as sensações que o cinema desperta. A mesma personagem apareceu em diversas passagens do desfile segurando uma placa com a seguinte indagação: E agora, entenderam? O próprio Paulo Barros falou sobre a ideia.

– Alguns papagaios de pirata ficam chutando coisas quando a gente lança um enredo. Se pegassem o abre-alas do ano passado, veriam que era um setor de coragem e de medo, um enredo tem contrapontos, ali naquele setor era a coragem. As pessoas preferem se antecipar e falam aquilo que não sabem, então este ano teve a volta da Priscila com o recadinho em forma de pergunta.

Perguntado se vem aprimorando o seu trabalho no que diz respeito aos detalhes de acabamento das suas alegorias, o carnavalesco diz que não. Para ele, o mesmo estilo visto no desfile da Unidos da Tijuca em 2012 também esteve presente em outros desfiles que concebeu.

– O trabalho está seguindo um caminho que eu acho legal e a coisa vai mudando, mas o carro do Mercado São José(2º carro) nada mais é que o mesmo conceito do Jardim Suspenso, do carro dos Fuscas, das Panelas, é um carro conceitual. Não vejo mudança nenhuma nesse sentido. É um conceito que eu procuro trazer sempre.
 

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