Pensando o Carnaval

Foi um orgulho ajudar a organizar o primeiro Seminário “Pensando o Carnaval” que aconteceu em julho no auditório da FACHA em Botafogo. Conseguimos reunir grandes nomes do carnaval que falaram sem medo e com amor sobre a nossa grande festa popular.

Nós fazemos o carnaval anualmente, mas poucos pensamos no que está sendo feito. É importante, vez em quando, exercitar as célebres perguntas – Quem somos? De onde viemos? Pra onde vamos? Este sempre foi meu objetivo ao participar do projeto. É bem verdade que ele só aconteceu devido à revolta de alguns colegas com o julgamento do último carnaval, mas penso eu que esta é apenas uma parte do nosso complicado e delicado processo.

Por isso defendi que trabalhássemos em cima de três pilares: criação, execução e julgamento. Acredito que tenhamos feito alguns de nossos maiores criadores pensarem um pouco sobre o que estão fazendo. E isso é o importante num debate: a troca de opiniões, de informações, de pontos de vista. Não se deve esperar
soluções, conclusões imediatas. Plantar sementes é o grande barato.

Nossa variada gama de participantes nos mostrou que o evento carnaval é tão grande que pode ser encarado de uma infinidade de maneiras diferentes – inclusive dentro de cada um dos quesitos. Não há verdades absolutas. Não existe dono da verdade. Existem milhares de faces já expostas e outras ainda ocultas. E isso faz o carnaval tão envolvente.

Acredito que alguns companheiros tenham ficado um tanto frustrados com a difícil missão de transformar o evento num documento objetivo com propostas concretas às entidades organizadoras. Não é nada fácil trabalhar a questão julgamento. Na verdade precisaremos de mais uns dez seminários como este para começar a tirar conclusões. É um trabalho gigante que precisa envolver todos os que participam do evento. Por isso vamos continuar trabalhando!

Precisamos, sim, de novos critérios – mais quais são? Precisamos, sim, de julgadores mais preparados – mas onde estão? Precisamos, sim, acabar com algumas notas claramente corruptas – mas quem corrompe?

Não é hora de parar diante de questões tão delicadas. Vamos continuar conversando, trabalhando e pensando o carnaval. Vamos organizar mais dez seminários – até porque discutir o assunto que amamos é muito prazeroso.

Obrigado Alberto João, Fábio Fabato, Leonardo Bruno, Luis Carlos Magalhães e Bruno Filippo pelas reuniões de organização e pela dedicação na realização do evento. É um orgulho estar ao lado de vocês.

Obs: Nas próximas colunas vou escrever um pouco sobre as mesas que pude acompanhar.