Perfil CARNAVALESCO: Hélcio Paim, o artista que transforma o ferro em obra de arte

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helcio_paimFolião nato e apaixonado por carnaval, o destino profissional de Hélcio Paim, integrante da comissão de carnaval da Unidos da Tijuca desde 2014, esteve desde sempre ligado a folia de Momo. Hélcio é parte da engrenagem do carnaval carioca desde 1981, quando iniciou seu trabalho nas escolas de samba Difícil é Nome e Caprichosos de Pilares, na função de diretor de carnaval. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, ele conta um pouco de sua trajetória ao longo de todos esses anos no meio carnavalesco, seu trabalho como ferreiro, fala de suas alegorias preferidas e de como se vê daqui uns anos.

– Eu comecei na Difícil é o Nome e na Caprichosos de Pilares, na época tínhamos que fazer os carros das escolas, e as pessoas só podiam trabalhar no fim de semana, mas chegava no dia o pessoal queria beber, fazer churrasco. Aquilo foi me irritando, e no fim acabei metendo a mão e fazendo. Fui pegando gosto pelo negócio, e já que tinha que fazer montei uma serralheria, montei uma equipe. Quando chegava na época do carnaval, eu fechava e direcionava meus funcionários a se dedicarem somente a isso. Nesse embalo eu fiz Vila Isabel, Império Serrano, União da Ilha, depois fui para o Salgueiro, onde me tornei coordenador de barracão, e com o tempo fui me aprimorando. Fiz Grande Rio e em 2000 vim para Tijuca, estou aqui há 17 anos.

Hélcio fala da mágica e da satisfação de ver o ferro, matéria prima principal da composição de seu trabalho, se transformar.

– É muito legal. Porque você começa numa base e quando você chega na Avenida você vê a dimensão que aquilo tomou, e quase ninguém vê mais o ferro. Mas ali por baixo você sabe que tem a estrutura e que sem ela nada acontece. A alegoria sai do barracão de uma forma, na concentração ela é outra coisa e na hora do desfile outra coisa. É muito bacana participar dessa festa, poder colocar os carros naquelas alturas, a responsabilidade também traz uma adrenalina muito grande, tanto do carro funcionar daquele jeito, com segurança e a escola acontecer. Isso é muito prazeroso.

Dentre os trabalhos desenvolvidos Hélcio revela a reportagem do CARNAVALESCO os seus preferidos.

– O DNA, alegoria que foi destaque na Unidos da Tijuca em 2004, foi muito marcante. Não era tão complicado, mas ele foi um divisor de águas na minha carreira. Mas tem coisas muito legais que fiz aqui também, o carro do Vitalino, o próprio tripé do Luiz Gonzaga, que eram aqueles três bolos que permitiu entrar com os três carros de uma vez na Avenida, aquilo foi muito legal. O carro do avatar, o jardim suspenso, o carro da mãe natureza desse nosso último carnaval. O abre-alas do carnaval 2016 também é muito bacana, mas o Carnaval 2017, em matéria de alegoria, é nosso melhor carnaval – afirma Hélcio.

Somando 17 anos de trabalho na mesma agremiação, Hélcio comenta a relação com a amarelo ouro e azul pavão do morro do Borel. E fala do sentimento de cumplicidade mútuo necessário para o desenvolvimento de um bom trabalho.

– É fantástico, principalmente por eu estar aqui 17 anos. Claro que tem as coisas boas e as ruins. Tudo que é problema passa a tomar uma grande proporção, ser muito problema, e tudo que é solução ganha grandes proporções também. Por você conhecer toda uma equipe, há uma cumplicidade, porque ninguém fica muito tempo ocupando um lugar no carnaval se não for cúmplice da história. E todo mundo tem que ser cúmplice, você precisa de alguma coisa, liga para uma pessoa, ela vai tentar te ajudar. Isso é muito legal, porque passamos mais tempo aqui do que em casa. Tem que ter uma cumplicidade, não é porque é carnaval que tem que ser bagunça. Então aqui, eu não deixo ninguém fumar lá embaixo, por questões de segurança, não deixo ninguém ficar com telefone na mão. Eu sou contra barracão funcionar de noite, barracão tem que funcionar de dia, se tem aquele horário de trabalho deve haver produtividade dentro daquele horário. Eu sou meio sargentão nessa história. Carnaval para mim é como uma empresa.

Mesmo confessando não saber como se vê daqui há dez anos, Hélcio reafirma sua paixão pelo carnaval e a vontade de que Deus permita que ele continue trabalhando com o que mais ama.

– Confesso que não penso muito nisso, é difícil dizer. Mas, tomara que tudo dê certo. Eu fico muito feliz com determinados acontecimentos. Fui a um ensaio técnico e encontrei um conhecido de uma co-irmã, ele virou para mim e disse: E aí Helcio? Vai ajudar a gente aí na curva. Falei: Pô não dá. Ele disse: Pô, um dia quem sabe, é um sonho. Então é muito legal ter outras pessoas, até mesmo das co-irmãs, reconhecendo seu trabalho. É muito legal você saber que você não precisa se preocupar com o próximo ano, porque acima do carnaval você tem que ter caráter e fazer o melhor, não importa a escola.Se eu der uma ideia aqui hoje, essa ideia não é mais minha, ela é da comissão, então tem que haver esse respeito. O carnaval é da escola. Levo com seriedade, dedicação e vamos ajudando a quem podemos ajudar. Não suporto jogar nada fora, eles até me chamam de “Rainha da Sucata”. O que não usamos, damos para quem precisa reciclar. Acho uma pena jogar uma alegoria fora, uma escultura, uma fantasia – declara Hélcio.

O carnavalesco finaliza comentando a importância do carnaval, porém ressalta o quanto essa arte é esquecido durante os meses que antecedem a folia.

– O Governo não apoia o carnaval, ele só lembra do carnaval quando passa dezembro, assim como a Rede Globo. Eles só se ligam nisso quando acaba o Ano Novo. E carnaval pra mim é o ano todo, a gente se sente colocado de lado, como se estivéssemos trabalhando de favor. O carnaval, se fosse visto como a arte séria que é, se pagava sozinho. Ela tem que dar lucro, o turismo viria mais forte, mas tudo é reflexo de política e a gente fica refém – finaliza Hélcio.

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